sábado, 27 de dezembro de 2014

Resenha | Enquanto os homens dormem (Elayne Amorim)

Sinopse: Apresenta-nos o universo paralelo de personagens exóticos e envolventes que buscam a sobrevivência nas misteriosas noites de uma cidade do interior do sudeste brasileiro, embalados por paixões e desafios surpreendentes. Ângela, uma imortal criatura bela, enigmática e sedutora vê-se num cenário muito distante do seu. Insegura com o rumo que sua eterna existência tomou e longe de Jean, seu ex-intenso e conflituoso amor, conhece Miguel, um homem tranquilo, muito atraente e que a envolve de forma intensa e singular. Porém, ao conhecer sua família, ela suspeita que aquele por quem está se apaixonando pode ser uma ameaça e um de seus maiores oponentes. E, sem que ela saiba de sua proximidade, Jean em uma de suas raras e tensas reaparições tem a trajetória colidida à da bela Laica e a paixão entre eles explode, paradoxalmente: terna e brutal, quente e inexorável. Então o destino de seu ex-eterno amor agora flui na mesma frequência oscilante e duvidosa que o seu: Reféns daqueles com quem jamais poderiam ou deveriam compartilhar amor e prazer. Quem são eles? De onde vieram? Para onde todos esses desencontros e encontros os levarão?

Enquanto os homens dormem, chega para nos desafiar. Uma história absolutamente densa, não apenas em sua essência mas até mesmo em sua linguagem. Não que tenha uma linguagem difícil, mas a autora leva sua origem poética para dentro do romance.

Laica e Ângela, duas mulheres imortais, intensas, fortes e apaixonadas. Suas semelhanças se resumem a essas características, pois elas são dois opostos.

Laica se entrega a suas duas partes, é absolutamente humana e se permite ser assim, e ao mesmo tempo, se entrega a sua irracionalidade e ferocidade animal. A autora chega a nos levar à beira da loucura, tamanha é sua riqueza em detalhes, que chegamos a nos perguntar o que é mesmo real. O que é imortalidade, eternidade, realidade...? E termino essa história, depois de vários debates internos, depois de guerras muito profundas e com um olhar muito diferente sobre a vida, sobre o mundo, sobre os seres humanos... tão encantadores, tão repugnantes... malditos por suas escolhas, benditos pela sua oportunidade de escolher!!!


Enquanto Laica é meio humana e meio animal, uma lobisomem que exibe vida e conexão com a natureza, Ângela é um ser das sombras, uma vampira que vagueia entre morte e não morte, entre inveja e paixão pelos humanos.

Adentramos nesse mundo enigmático, e fazemos a todo tempo, uma comparação com nossas vantagens e desvantagens enquanto seres que dormem.

E então nos descobrimos tão humanos que chegamos a ser vampiros, sugando a energia dos que nos cercam, clamando por amor, por atenção... chegamos a ser feras que alternam entre natureza e monstruosidade.

No final, nos descobrimos seres em eterna metamorfose. Repletos de questionamentos e de conceitos ilógicos.

Raças, amores, preconceitos, guerras... uma eterna luta por uma verdade que não existe. Somos seres irracionais quando descobrimos nossa humanidade. Somos seres das sombras quando nos entregamos a nossa variável forma de amar.

Uma história que nos fala de criaturas não humanas, mas que nos fala tanto de seres humanos!

Me apaixonei por Laica, repugnei Ângela. Vai entender! Duas mulheres tão sedutoras, que vão lhes confundir, lhes explicar...

Afirmo sem hesitar que trata de uma história apaixonadamente poética e altamente filosófica, porque através dos questionamentos dos personagens, nos enxergamos e procuramos respostas a perguntas que nem percebíamos que tínhamos.

O que é certo, o que é feio, o que é bonito...?

Raças, cores, tons, sabores, cheiros... não podem ser tratados no coletivos, pois são detalhes que percebemos através de olhos particulares. Cada um sente de uma forma, vê de um jeito... mas continuamos lutando como se fôssemos um único sentido, como se fôssemos grandes olhos que veem tudo da mesma forma!

Editora: Interagir Páginas306

"Nos momentos de desgraças maiores, estranhos ajudavam estranhos. Como poderia haver tanta gente se doando? O abraço amigo. O beijo sincero. A imaginação ilimitada de suas mentes aparentemente mais frágeis que as nossas e que lhes possibilitam descobrir tantas coisas maravilhosas... Era impossível, para mim, não querer ser como eles. Apesar da felicidade e do conforto que era saber que Miguel agora, era imortal como eu. A raça humana era fabulosa. Doía-me vê-los se destruindo, se subdividindo, como se fossem diferentes, como se fossem várias raças. Não eram. Todos nasciam e morriam da mesma forma. Todos sentiam dor e amavam e cresciam e pensavam... Todos tinham calor em seus corpos e um coração, humano. E o cheiro de sangue deles era maravilhoso..." (p.242)


Sobre o Autor:
Liza Alvernaz | Pit Larah |  Facebook - FanPage - Projeto
Autora do livro "Tribo do Amor", estudante de Pedagogia, dona da fanpage "Da tribo do amor" e idealizadora do projeto "Clube Literário Palavras ao Vento". Valenciana de coração, hiperativa por natureza, viciada em livros e séries, exageradamente intensa, um verdadeiro desajuste!

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2 comentários:

  1. Eu nunca tinha ouvido falar sobre esse livro, mas parece ser incrível ein?! Com certeza entrou na minha listinha. Adoro livros assim, que deixa a gente cheia de indagações e reflexões. Muito bacana mesmo. Espero ter oportunidade de lê-lo logo! :)
    Beijos
    Lendo & Apreciando
    E tem sorteio lá no blog do livro O Visconde que me amava, participe! :)

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    Respostas
    1. Oi Kamilla! Este livro é de nossa conterrânea Elayne Amorim! É Incríveeel! Se tiver interesse, entra em contato com a gente que te digo como adquirir, ok? Bjinhos

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