sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Resenha | O Palácio de Inverno (John Boyne)

Editora: Companhia das Letras Páginas: 456

Sinopse: Na primeira vez em que alterou o curso da história, em 1915, o então jovem camponês russo Geórgui Jachmenev conseguiu impedir um atentado à vida do grão-duque Nicolau Nicolaievitch, irmão do czar. Esse involuntário ato de bravura acaba por assegurar a Geórgui um lugar de honra na corte de Nicolau II, que o nomeia guarda-costas pessoal de seu filho, o também adolescente Alexei Romanov. Em 1981, agora cidadão britânico e funcionário aposentado da biblioteca do Museu Britânico, o octogenário Jachmenev, enquanto vela pela saúde da esposa Zoia, que vive os últimos estágios de um câncer devastador, deixa a memória flutuar, recordando aleatoriamente os fatos de sua vida, grande parte deles ligados diretamente a eventos históricos que transformaram o século XX. Rasputin, Winston Churchill, um amigo de Charles Chaplin, o último czar russo e outros personagens históricos de vulto misturam-se às pessoas comuns do imaginário de Jachmenev, à medida que sua memória vai aproximando os dois momentos mais importantes de sua vida, aquele em que conquistou o amor de sua vida e aquele em que está prestes a perdê-lo de forma definitiva.

"Será que pelo menos notavam a extrema beleza da obra, ou aquele delicado esplendor lhes passaria totalmente despercebido?"

As reflexões de Geórgui são um deleite para nossa sede de conhecimento!

Analisando sua vida, às vésperas de perder seu grande amor, ele nos sugere um mergulho na história da Rússia, na época do csar Nicolau II e da Revolução que derrubou o regime autocrata no país, levando Lênin, e o Partido Bolchevique, ao poder.

A vida de Geórgui começa a ser narrada em 1981, quando ele está idoso e prestes a perder sua esposa. Suas lembranças começam em 1915, aos seus 16 anos, quando ele era apenas um adolescente pobre que vivia no povoado de Cáchin.

Um dia, um membro da família Romanov (a família imperial), Nicolau Nicolaievich grão-duque, passa pelo povoado, e a vida de Geórgui é completamente transformada.

O adolescente é enviado ao Palácio de Inverno, em São Petersburgo e começa a trabalhar como guarda do futuro czar, Alexei, que possui 11 anos e é rodeado de cuidados por toda a família.

Assim, começa a história de Geórgui, vagueando por diversas décadas de sua vida, contando com paixão e detalhes suas aventuras e desventuras, dentro e fora do Palácio.

Nos envolvemos com toda a história que se mostra absolutamente interessante desde a primeira linha de leitura.

O romance tem aquele poder de nos contar coisas tão importantes para a história mundial, nutrindo nosso intelecto, enchendo-nos de sabedoria.

A narrativa é incrível, fluindo com facilidade e nos envolvendo em seu emaranhado de fios soltos nos deixando ansiosos quanto ao desfecho.

Em certos momentos, ele interrompe uma passagem para dar espaços para outro período de sua vida, nos deixando completamente curiosos e agitados com a sensação de que existe tanto a ser dito, tantas explicações a serem dadas a nós, mortais leitores, que temos a terrível sensação de que terminaremos a leitura repletos de dúvidas e fios soltos.

Mas então, o autor amarra todas as pontas como se costurasse uma peça de roupa, e terminamos a leitura com a sensação de que fomos contemplados com uma obra de arte! Uma bomba de conhecimento que não apenas nos ensina, mas nos desperta a sensibilidade e empatia por um povo!

O Palácio de Inverno, chega a ser quase que um conto de fadas, senão fossem as desgraças e a realidade batendo à porta da ficção escrita por John Boyne.

Uma das peculiaridades do autor, é essa magia que ele possui em sua narrativa. Em 2008, eu o conheci no livro O Menino do Pijama Listrado. E posso garantir que a sensação em ler O Palácio de Inverno, foi a mesma. Ficamos fascinados com a suavidade que ele descreve os fatos, ficamos ansiosos com o desfecho, mas nos deliciando com cada frase! Não se trata apenas de um belo final, mas de uma leitura incrível desde a primeira página. Nos prendendo e fazendo-nos sonhar com tudo que lemos antes de dormirmos, tamanha é sua habilidade de transformar suas descrições em realidade no nosso mundo fantasioso e imaginário.

Conseguimos ver tudo que ele descreve, conseguimos nos transportar para dentro do livro como se realmente estivéssemos vivendo tudo aquilo. E é claro que essa habilidade, torna suas histórias inesquecíveis!

E sou muito grata por existir um John Boyne, que através da leveza e da sabedoria nos banha com conhecimento!

"A vida traz momentos curiosos de alegria e prazeres inesperados!"

Sobre o Autor:
Liza Alvernaz | Pit Larah |  Facebook - FanPage - Projeto  |   Todos os posts do autor
Autora do livro "Tribo do Amor", estudante de Pedagogia, dona da fanpage "Da tribo do amor" e idealizadora do projeto "Clube Literário Palavras ao Vento". Valenciana de coração, hiperativa por natureza, viciada em livros e séries, exageradamente intensa, um verdadeiro desajuste!

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