20 de fevereiro de 2015

Resenha | O Palácio de Inverno (John Boyne)

Título: O Palácio de Inverno
Autor: John Boyne
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 456

Sinopse: Pode-se fugir da história? Será possível viver no anonimato após uma existência de fausto e glória? A vida comum é assim tão diferente da vida pública?
Geórgui Jachmenev passou a vida inteira se debatendo com essas questões, e agora, prestes a perder o grande amor de sua vida, tenta encontrar uma resposta para elas ao refletir sobre seu percurso num século XX que sempre lhe pareceu longo demais.
Seus feitos começaram cedo: aos dezesseis anos, em ação impulsiva e atabalhoada, o rapaz impediu um atentado contra a vida de ninguém menos que o grão-duque Nicolau Nicolaievitch, irmão do czar Nicolau II, que, agradecido, nomeou Geórgui o guarda-costas oficial de seu filho Alexei, destinado a ser o próximo czar. Uma reviravolta impressionante, que o levou da taiga russa para o fausto dos palácios moscovitas, cenário que, apesar da amplidão e luxo de seus imensos corredores, iria se revelar bem mais inóspito que os frios grotões de sua vida anterior.
A dura experiência com esse mundo gélido de intrigas palacianas, às quais sempre era jogado contra sua vontade, e de grandes tensões e responsabilidade só foi apaziguada com a chegada do primeiro amor, Zoia. Mas os tempos eram agitados, e a história deixou pouco espaço para idílios: quando a Revolução Bolchevique tomou de assalto o país, e isolou toda a família do czar numa casa de campo nos arredores de Ekaterinburg, mais uma vez Geórgui teve de agir rápido a fim de salvar a si e a Zoia. A vida com ela lhe custaria pátria, família e prestígio, e ele jamais se arrependeu disso - mas e para Zoia, o que teria custado?
Numa narrativa fascinante, em que presente e passado vão convergindo em capítulos alternados, da Inglaterra dos anos Thatcher para a época dos czares russos, e dos anos difíceis da Segunda Guerra Mundial para o turbilhão da Revolução Bolchevique, acompanhamos Geórgui em meio a acontecimentos históricos decisivos que acabam por se revelar mero pano de fundo para uma história de amor que esconde um grande mistério, talvez maior mesmo que a própria história.

"Será que pelo menos notavam a extrema beleza da obra, ou aquele delicado esplendor lhes passaria totalmente despercebido?"

As reflexões de Geórgui são um deleite para nossa sede de conhecimento!

Analisando sua vida, às vésperas de perder seu grande amor, ele nos sugere um mergulho na história da Rússia, na época do csar Nicolau II e da Revolução que derrubou o regime autocrata no país, levando Lênin, e o Partido Bolchevique, ao poder.

A vida de Geórgui começa a ser narrada em 1981, quando ele está idoso e prestes a perder sua esposa. Suas lembranças começam em 1915, aos seus 16 anos, quando ele era apenas um adolescente pobre que vivia no povoado de Cáchin.

Um dia, um membro da família Romanov (a família imperial), Nicolau Nicolaievich grão-duque, passa pelo povoado, e a vida de Geórgui é completamente transformada.

O adolescente é enviado ao Palácio de Inverno, em São Petersburgo e começa a trabalhar como guarda do futuro czar, Alexei, que possui 11 anos e é rodeado de cuidados por toda a família.

Assim, começa a história de Geórgui, vagueando por diversas décadas de sua vida, contando com paixão e detalhes suas aventuras e desventuras, dentro e fora do Palácio.

Nos envolvemos com toda a história que se mostra absolutamente interessante desde a primeira linha de leitura.

O romance tem aquele poder de nos contar coisas tão importantes para a história mundial, nutrindo nosso intelecto, enchendo-nos de sabedoria.

A narrativa é incrível, fluindo com facilidade e nos envolvendo em seu emaranhado de fios soltos nos deixando ansiosos quanto ao desfecho.

Em certos momentos, ele interrompe uma passagem para dar espaços para outro período de sua vida, nos deixando completamente curiosos e agitados com a sensação de que existe tanto a ser dito, tantas explicações a serem dadas a nós, mortais leitores, que temos a terrível sensação de que terminaremos a leitura repletos de dúvidas e fios soltos.

Mas então, o autor amarra todas as pontas como se costurasse uma peça de roupa, e terminamos a leitura com a sensação de que fomos contemplados com uma obra de arte! Uma bomba de conhecimento que não apenas nos ensina, mas nos desperta a sensibilidade e empatia por um povo!

O Palácio de Inverno, chega a ser quase que um conto de fadas, senão fossem as desgraças e a realidade batendo à porta da ficção escrita por John Boyne.

Uma das peculiaridades do autor, é essa magia que ele possui em sua narrativa. Em 2008, eu o conheci no livro O Menino do Pijama Listrado. E posso garantir que a sensação em ler O Palácio de Inverno, foi a mesma. Ficamos fascinados com a suavidade que ele descreve os fatos, ficamos ansiosos com o desfecho, mas nos deliciando com cada frase! Não se trata apenas de um belo final, mas de uma leitura incrível desde a primeira página. Nos prendendo e fazendo-nos sonhar com tudo que lemos antes de dormirmos, tamanha é sua habilidade de transformar suas descrições em realidade no nosso mundo fantasioso e imaginário.

Conseguimos ver tudo que ele descreve, conseguimos nos transportar para dentro do livro como se realmente estivéssemos vivendo tudo aquilo. E é claro que essa habilidade, torna suas histórias inesquecíveis!

E sou muito grata por existir um John Boyne, que através da leveza e da sabedoria nos banha com conhecimento!

"A vida traz momentos curiosos de alegria e prazeres inesperados!"



Colaboradora: Priscilla Larah

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