segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Resenha | Uma vida para sempre (Simone Taietti)

Sinopse: Ethel diz estar morrendo. Contudo, não afirma isso apenas em razão de sua doença. Talvez a única certeza de nossa existência seja a morte, o fato de que ela chega para todos. Mas nem por isso deixa de ser a maior incógnita da vida.
Em um hospital, em meio à dor das histórias dos pacientes, Ethel encontrou amigos. Entre passeios em cemitérios, frequentando velórios e enterros de estranhos, ela tenta preparar a si e aqueles que ama, para o que parece estar ali tão próximo, o fim. Entretanto, não esperava enfrentar algumas surpresas que a fizessem duvidar de tal preparação.

As estatísticas ruins, a inexorável passagem do tempo. Onde reside a lógica disso que nos arranca pedaços, da súbita inexistência do que outrora era vívido e pulsante? Um corpo que jaz. Palavras que se perdem. A finitude de tudo o que é tão belo talvez seja a maior dor do mundo.

Uma vida para sempre é um compilado de desejos, pensamentos e dias.


Quanto dura o para sempre?


Ethel descobriu.

Editora: Novo Conceito Páginas351

Quando comecei a ler o livro não tinha a intenção de me surpreender, não me preocupei em ter emoções forçadas ou buscar sentimentos que não sentia. Peguei para ler por ler, sem criar expectativa, sem saber realmente no que daria. Se não tinha a pretensão de surpresa, posso dizer que foi uma das melhores que tive na minha mania incansável de ser leitora. Para quem não esperava por nada, eu ganhei tudo! Tudo mesmo que um ótimo livro é capaz de proporcionar e estou até agora emocionadíssima e cheia de muitos bons sentimentos que verdadeiramente senti.

De início, no começo da leitura, tive medo de ser tão parecido com "A Culpa é das Estrelas" ao ponto de eu não achar uma nova identidade. Entretanto, apesar de uma temática tão próxima, nem de longe chega a ser tão parecido. É mais profundo, mais reflexivo, pois não faz ter uma reflexão só de doenças graves e a morte. Faz você ter reflexões muito maiores sobre a vida e como, por mais que vivamos 100 anos, sempre será pouco para amar, estar perto, aproveitar, lutar, vencer e viver intensamente. Mas o que parece um problema, na verdade vira solução. Você passa a perceber que pode ser pouco tempo, mas mesmo assim tem que ser vivido e só depende de nós mesmo que isso seja feito da melhor maneira possível.

Se "A Culpa é das Estrelas" me fez pensar, refletir, me emocionar, me questionar, posso dizer seguramente que "Uma vida para Sempre" me fez fazer tudo isso, mas triplamente. E isso é gostoso. É aquilo que podemos chamar de leitura gratificante. Achei que tinha entendido a frase de John Green "A dor precisa ser sentida", mas me enganei. Somente este livro me fez entender de verdade o que isso quer dizer e como realmente precisa ser sentida.

É um livro triste? É! Mas é belo, é comovente, é libertador, é envolvente, é para sempre. E só quando você passa por experiências de leituras como estas é possível perceber como a tristeza tem seu lado lindo e puro. Não que ser feliz não seja melhor. É! Contudo, a tristeza te traz ensinamentos que nenhum outro sentimento é capaz de te dar. Ela te mostra pedaços seus que você não enxergava. Ela faz você libertar um lado seu que pode ser surpreendente de forma positiva. Ela pode ser calma ou revoltada como a onda da mar. E afinal, esta não é uma cena linda?

Ethel e Vitor vivem como uma onda do mar. E somente quando se dão conta que podem ajudar a tantos "banhistas" desse mar é que encontram sentido para seus sofrimentos. São inteiramente humanos aos rirem, chorarem, se perderem, se encontrarem, se arrependerem, se alegrarem, se amarem e desejar o limite. Não trata-se de um procurando salvar o outro – como de costume em livros deste tipo – mas sim se salvarem todos os dias e não é da doença em seus organismos, é da doença chamada humanidade. Eles são parceiros, amigos, cúmplices, amantes, leais. E olha que estamos falando de duas pessoas muito novas e por isso mesmo estes personagens merecem muito respeito. E eles mudam! Mudam seus amigos, familiares e comunidade. Mudam eles mesmos. E mudam muito. Mudam para melhor.

Muito além de uma história de doença ou de amor, é uma história de amizade, mostrando que podemos fazê-la onde menos imaginamos, em qualquer idade, em qualquer circunstância, a qualquer momento, em bons e maus dias, na infância ou no fim da vida e que elas podem sair para nunca mais voltar, ou retornar como se nada tivesse mudado. Mostra como realmente é um sentimento lindo e que tem tudo a ver com viver e construir uma linda história.

Simone, quero muito te dizer que estou realmente comovida até agora com seu livro. E quero mais ainda ficar assim cada vez que eu lembrar, falar ou lê-lo de novo. Obrigada por essa obra tão simples, bonita, cheia de lições e aprendizados. Obrigada por esse final diferente, surpreendente e cheio de esperança. Obrigada por estes (poucos, mas verdadeiros) dias de envolvimento com Ethel, Vitor e seu verdadeiro caso de amor.

Aos leitores só posso dizer que vocês precisam ler esse livro. Qualquer coisa que eu venha falar agora para convencê-los é pouco para essa obra. Venham sentir!!!




Sobre o Autor:
Liza Alvernaz | Natalia Menezes |  Twitter  |  Todos os posts do autor
Amante de futebol, música, filmes e livros, sempre foi apaixonada por histórias, seja lá de qual maneira forem contadas. Ama tanto lidar com o abecedário em forma de frases e parágrafos, que acabou se formando em Letras.

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3 comentários:

  1. Ah, me parece ser um livro lindo! Amei a resenha, Natalia. Você despertou em mim uma enorme curiosidade em ler o livro. Já ouvi falar dele algumas vezes, mas não tinha chamado muito a minha atenção. Pretendo ler em breve!
    Beijinhooos

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    Respostas
    1. Leia e conta pra gente o que achou Mari!!! <3

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    2. Mariana, foi um livro que me ticou muito, me emocionou, me inspirou e tenho certeza que trará muitos sentimentos puros para quem for ler. É uma grande experiência. Vale muito a pena!!! Beijos!!

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