sábado, 14 de março de 2015

Desafio #1 | 3/4 - Resenha | 50 tons de Cinza (E.L.James)


Título: Cinquenta tons de Cinza
Autor: E.L.James
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 480

Sinopse: Quando Anastásia Steele entrevista o jovem empresário Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingênua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmática reserva de Grey, está desesperadamente atraída por ele. Incapaz de resistir à beleza discreta, à timidez e ao espírito independente de Ana, Grey admite que também a deseja - mas em seus próprios termos.

Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferências de Grey, Ana hesita. Por trás da fachada de sucesso - os negócios multinacionais, a vasta fortuna, a amada família -, Grey é um homem atormentado por demônios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana não só descobre mais sobre seus próprios desejos, como também sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos.




"- Uma bosta!"

Se eu estivesse em uma roda de amigos e pedissem minha avaliação do livro "50 tons de cinza", seria essa. Mas irei detalhar pra vocês cada sensação que tive durante a leitura.
Antes preciso que vocês saibam que peguei o livro emprestado... Há dois anos mais ou menos! E desde então tento ler. Mas não conseguia passar da 100ª página. 

Dessa vez, fui desafiada. Peguei o desafio "um livro indicado por sua mãe" e ela me fez ~o favor~ de indicar esse. 

Obriguei-me a ler por fazer parte do desafio, mas não foi mais fácil por isso.
A narrativa é muito fraca e repetitiva. Os diálogos, em sua maioria, tornam os personagens chatos e caricatos.

Anastasia é a protagonista. Inspirada em Bella Swan (pra quem não sabe, "50 tons" inicialmente era uma fanfic de "Crepúsculo"), ela lembra mesmo é uma protagonista de filme da Disney: insegura, frágil, inocente, virgem, desastrada, sem roupa, com carro velho, morando com a amiga, que vê sua vida mudar ao ser 'salva' pelo poderoso Christian Grey. (Alguém ainda tem saco pra esse tipo de trama?)

Grey, por sua vez, é milionário, podendo ter tudo e todos aos seus pés, com um passado misterioso e intrigante, e se apaixona pela 'pobre' Ana.

O que me salvou de não cortar os pulsos durante a leitura, foi justamente o mistério que ronda Grey. A abordagem da autora a respeito disso, faz com que a leitura prenda em algumas partes e instigue a terminá-la. E só.

Após conhecer Ana, Grey apresenta à ela sua realidade, seus gostos e peculiaridades. 
Não sou profunda conhecedora da prática BDSM, mas sei o suficiente pra saber que "50 tons..." não a representou com credibilidade. 

Um dos critérios básicos da prática, é o fato de tudo ter de ser consensual. Na obra de E. L. James, um contrato é feito, aonde regras e limites são explicitamente estabelecidos. No entanto, por diversas vezes, Ana sofre e sente-se angustiada com situações pelas quais tem de se submeter. (Quando a gente faz algo que não é consensual é o que, meninas? Quem fez o dever de casa levanta a mão. POIS É.) Mesmo não assinando tal contrato, a protagonista faz alterações nele, deixando claro ações que não admite ser submetida. Mas não se deixe levar por essa tentativa medíocre de tentar passar uma imagem de que "com Ana é diferente". 

A leitura tornou-se AINDA MAIS incômoda pra mim pelas situações em que eles vivem no dia-a-dia, não só pelo sexo. Não vejo com bons olhos quem tenta passar desinfetante em sexo. Sexo sujo, limpo, a dois, em grupo, entre quatro paredes ou ar livre...não importa, sempre será bem quisto por mim. Sexo é sexo. E a maneira como você ou eu a praticamos, só diz respeito a nós e aos envolvidos. Desde que seja CONSENSUAL, tudo é válido, permitido e liberado. 

E toda vez que forem pensar em "consensual", vão mais a fundo, problematizem: a mulher se submeter a fazer coisas que não está a fim, que não faria naquele momento, apenas para satisfazer o bel prazer de seu macho é o quê? Pensem, reflitam! (Não estou dizendo que é o caso de 100% do livro, ok?)

Se Anastasia curte levar porrada durante o ato, OK. Mas o livro vai além disso. E é aí que mora o incômodo. (Tô usando a palavra "incômodo" pra não ser mais "didática")

A primeira vez em que ela apanha para ser castigada, ela chora e repensa aonde está se metendo. Relembrando: ela era VIRGEM até conhecer Grey. 

Uma cena, em especial, ficou marcada: logo no início, Ana ainda não havia decidido se assinaria ou não o contrato. Ela sabia que, caso não assinasse, teria de se despedir de Grey, por quem já estava apaixonada, pra sempre. Mas não sentia-se confortável para assinar ainda. 

Ou seja, super consensual. Ou faz como ele quer, ou não tem mais nada. Isso não é opressão não, tá? Ele nem tá coagindo a garota apaixonada, imagina!

Eles vão almoçar, Grey escolhe o que irão comer e o que irão beber. A parte da comida, tudo bem, pois Ana não se alimenta apropriadamente nunca. Mas quando ele escolhe os vinhos, ela diz que gostaria de uma "Coca" e ele apenas responde: "- não!"

Indignada, ela o questiona se será sempre assim depois que ela assinar. Ele, placidamente, responde que sim.

Grey é adepto de uma prática que exige a submissão da parceira (ou parceiro) além do sexo. É um modo de vida! E isso, ao menos pra mim, não é romântico, nem fofo, nem nenhum desses adjetivos que empregaram ao livro.

É apenas, mais uma maneira de um cara te manipular e oprimir na vida com a justificativa de que é amor e sexo. Repense! 

Não confunda as práticas que você curte e concorda na cama, com o que querem fazer com a sua vida pessoal e social! Prestenção! 

E, quando a autora tenta dar outro ar para Anastasia, em algumas - poucas - situações, não convence.

Não li os outros livros da Trilogia, não o farei, só sei que essa foi uma leitura chata, amarga e bem dispensável!

E vocês, o que acharam?




Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!













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