quarta-feira, 11 de março de 2015

Desafio Literário #1 | 1/4 - Resenha | Laranja Mecânica (Anthony Burgess)


Oi gente, tudo bem com vocês? Logo no início do ano, fizemos um desafio Literário entre alguns membros aqui da Equipe Epifania. pra quem não lembra, ou não viu, corre aqui!

Dia 09 dessa semana, iríamos começar. Mas estamos passando por algumas mudanças por aqui e também tivemos alguns probleminhas técnicos. Por isso algumas colunas estão em atraso (como a do "1 filme por semana"), e o desafio está começando hoje, com 2 dias de atraso. Conto com a compreensão de vocês e em breve tudo estará normalizado por aqui! 

Agora vamos conferir o que a Pit Larah achou do livro lido por ela. Eu, Eliza, desafiei que ela lesse um clássico, e ela escolheu: Laranja Mecânica! 





Sinopse: Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge proporções gigantescas e provoca uma reposta igualmente agressiva de um governo totalitário. A estranha linguagem utilizada por Alex - soberbamente engendrada pelo autor - empresta uma dimensão quase lírica ao texto. Ao lado de "1984", de George Orwell, e "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, "Laranja Mecânica" é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século XX. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, é uma obra marcante: depois da sua leitura, você jamais será o mesmo.
Agora em nova tradução brasileira.


O livro Laranja Mecânica escrito por Anthony Burgess, em 1962, é dividido em 3 partes.

A primeira, nos apresenta Alex e sua gangue formada por Pete, Georgie e Tosko. Com apenas 15 anos, Alex já é o líder, demonstrando fascínio pela dominação e violência e ao mesmo tempo por Bethoven. A narrativa é assustadoramente leve, pois apesar de “Vosso Humilde Narrador” ser perverso e nos apresentar cenas de total violência como espancamento e estupro, o livro não é muito visual por ter uma linguagem completamente diferente que nos leva a recorrer o glossário de uma linguagem criada pelo próprio autor, utilizada pelos adolescentes rebeldes, chamada de Nadsat, trata-se de uma mistura de inglês com russo. Isso nos permite entender a história sem ser preciso nos aprofundar nela, causando um estranhamento ao leitor.



Na segunda parte, vemos a ação do governo, após Alex ser pego em uma de suas invasões que ocasionou na morte da vítima e o tornou um assassino condenado. Nesta parte, podemos ver uma grande crítica ao sistema penitenciário, sem nenhuma eficácia contra os criminosos expondo-os a superlotações e mais doses de violência.


Alex é submetido a um novo experimento feito pelo governo, onde após receber uma injeção, ele é obrigado a assistir sessões de cinema com cenas de violência acompanhada por uma trilha sonora de músicas clássicas. O adolescente começa a ter reações enquanto assiste a essas cenas, e ao final de 15 dias, não consegue mais assistir nem cometer nenhum tipo de agressão, pois seu organismo o obriga a fugir disso.

A terceira parte, nos mostra a vida de Alex, após o tratamento Ludovico, sem poder de escolha, nada o resta além de ser um “bom menino”, educado, gentil e submisso. E de agressor impetuoso ele se torna vítima!

A leitura nos mostra como governo, religião, cultura e drogas, tentam aprisionar nossos monstros, são ferramentas para opressão, fuga da realidade, lavagem cerebral e dominação.


"A tentativa de impor ao homem, uma criatura evoluída e capaz de atitudes doces, que escorra suculento pelos lábios barbados de Deus no fim, afirmo que a tentativa de impor leis e condições que são apropriadas a uma criação mecânica, contra isto eu levanto minha caneta-espada...” (p.24)

Como seres humanos, possuímos uma cota de impulsos agressivos, que precisamos aprender a abrir mão deles para podermos ser inseridos na cultura. As Instituições existem como forma de controle que de nada mais servem além de dominar nosso instinto agressivo, privando-nos do direito de escolha e de análise crítica sobre nós mesmos.

É preciso dar aos jovens, meios em que eles mesmos possam se auto avaliar. Percebemos que quando nossos instintos de violência são tolhidos, somos incapazes de nos defendermos, como acontece com Alex na terceira parte do livro, que sofre violência de pessoas que pareciam ser “normais”, ou defensoras da paz. Isso nos mostra, que todos nós possuímos essa maldade. E o que faz o livros ser tão contemporâneo, é que vemos nas ruas, muitos Alex, e muitos justiceiros que lutam com as mesmas armas que dizem abominar.

Podemos ver também a negligência dos pais, perante a formação dos jovens.

É preciso criarmos uma juventude nutrida pelo pensamento crítico, longe da dominação e da obediência por si só. Somos obrigados a agirmos como manda o sistema. Somos obrigados a ter uma aversão mecânica, negando aos impulsos humanos, ao invés de entende-los e aprendermos a escolher o que queremos ser.

Somos todos Laranjas Mecânicas, seres orgânicos que para vivermos em sociedade, precisamos de comportamentos mecânicos!

"Eles transformaram você em alguma coisa que não um ser humano. Você não tem mais o poder de decisão. Você está comprometido com atos socialmente aceitáveis, uma maquininha capaz de fazer somente o bem. E vejo isso claramente: essa questão sobre os condicionamentos de marginais. Música e o ato sexual, literatura e arte, tudo agora deve ser uma fonte não de prazer, mas de dor." (p.156)


A leitura me lembrou diversas tendências sociológicas, pedagógicas, psicológicas e psicanalíticas, (Durkein, Carl Rogers, Freud...)

Uma leitura indicada para quem quer entender a mente e a cultura humana. Para estudiosos ou curiosos por essa espécie tão complexa, enigmática, repugnante e ao mesmo tempo apaixonante.

Como disse Freud:

“A questão fatídica para a espécie humana parece-me ser saber se, e até que ponto, seu desenvolvimento cultural conseguirá dominar a perturbação de sua vida comunal causada pelo instinto humano de agressão e autodestruição.”


Em 23 de Janeiro de 2009, a banda brasileira Sepultura lançou seu álbum inspirado na obra Laranja Mecânica.

Estou deixando a playlist para vocês que amam degustar de uma boa leitura com trilha sonora.

E mesmo não entendendo nada de música clássica, ouso em deixar uma playlist playlist em homenagem ao Alex.


E aí, o que acharam? Já leram ou têm curiosidade? Conta pra gente! 
Beijinhos e até a próxima!


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Sobre o Autor: 
Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!





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