11 de março de 2015

Desafio Literário #1 | 1/4 - Resenha | Laranja Mecânica (Anthony Burgess)

Título: LAranja Mecânica
Autor: Anthony Burgess
Editora: Aleph
Número de páginas: 352

Sinopse: Publicado pela primeira vez em 1962, e imortalizado 9 anos depois pelo filme de Stanley Kubrick, Laranja Mecânica não só está entre os clássicos eternos da ficção como representa um marco na cultura pop do século 20. Meio século depois, a perturbadora história de Alex – membro de uma gangue de adolescentes que é capturado pelo Estado e submetido a uma terapia de condicionamento social – continua fascinando, e desconcertando, leitores mundo afora.

Esta edição especial de 50 anos em capa dura e impressa em duas cores (preto e laranja), inclui:
* Ilustrações exclusivas de Angeli, Dave McKean e Oscar Grillo
* Trechos do livro restaurados pelo editor inglês
* Notas culturais do editor
* Artigos e ensaios escritos pelo autor, inéditos em língua portuguesa
* Uma entrevista inédita com Anthony Burgess
* Reprodução de seis páginas do manuscrito original, com anotações e ilustrações do autor


Oi gente, tudo bem com vocês? Logo no início do ano, fizemos um desafio Literário entre alguns membros aqui da Equipe Epifania. pra quem não lembra, ou não viu, corre aqui!

Dia 09 dessa semana, iríamos começar. Mas estamos passando por algumas mudanças por aqui e também tivemos alguns probleminhas técnicos. Por isso algumas colunas estão em atraso (como a do "1 filme por semana"), e o desafio está começando hoje, com 2 dias de atraso. Conto com a compreensão de vocês e em breve tudo estará normalizado por aqui! 

Agora vamos conferir o que a Pit Larah achou do livro lido por ela. Eu, Eliza, desafiei que ela lesse um clássico, e ela escolheu: Laranja Mecânica! 

O livro Laranja Mecânica escrito por Anthony Burgess, em 1962, é dividido em 3 partes.

A primeira, nos apresenta Alex e sua gangue formada por Pete, Georgie e Tosko. Com apenas 15 anos, Alex já é o líder, demonstrando fascínio pela dominação e violência e ao mesmo tempo por Bethoven. A narrativa é assustadoramente leve, pois apesar de “Vosso Humilde Narrador” ser perverso e nos apresentar cenas de total violência como espancamento e estupro, o livro não é muito visual por ter uma linguagem completamente diferente que nos leva a recorrer o glossário de uma linguagem criada pelo próprio autor, utilizada pelos adolescentes rebeldes, chamada de Nadsat, trata-se de uma mistura de inglês com russo. Isso nos permite entender a história sem ser preciso nos aprofundar nela, causando um estranhamento ao leitor.



Na segunda parte, vemos a ação do governo, após Alex ser pego em uma de suas invasões que ocasionou na morte da vítima e o tornou um assassino condenado. Nesta parte, podemos ver uma grande crítica ao sistema penitenciário, sem nenhuma eficácia contra os criminosos expondo-os a superlotações e mais doses de violência.



Alex é submetido a um novo experimento feito pelo governo, onde após receber uma injeção, ele é obrigado a assistir sessões de cinema com cenas de violência acompanhada por uma trilha sonora de músicas clássicas. O adolescente começa a ter reações enquanto assiste a essas cenas, e ao final de 15 dias, não consegue mais assistir nem cometer nenhum tipo de agressão, pois seu organismo o obriga a fugir disso.

A terceira parte, nos mostra a vida de Alex, após o tratamento Ludovico, sem poder de escolha, nada o resta além de ser um “bom menino”, educado, gentil e submisso. E de agressor impetuoso ele se torna vítima!

A leitura nos mostra como governo, religião, cultura e drogas, tentam aprisionar nossos monstros, são ferramentas para opressão, fuga da realidade, lavagem cerebral e dominação.


"A tentativa de impor ao homem, uma criatura evoluída e capaz de atitudes doces, que escorra suculento pelos lábios barbados de Deus no fim, afirmo que a tentativa de impor leis e condições que são apropriadas a uma criação mecânica, contra isto eu levanto minha caneta-espada...” (p.24)

Como seres humanos, possuímos uma cota de impulsos agressivos, que precisamos aprender a abrir mão deles para podermos ser inseridos na cultura. As Instituições existem como forma de controle que de nada mais servem além de dominar nosso instinto agressivo, privando-nos do direito de escolha e de análise crítica sobre nós mesmos.

É preciso dar aos jovens, meios em que eles mesmos possam se auto avaliar. Percebemos que quando nossos instintos de violência são tolhidos, somos incapazes de nos defendermos, como acontece com Alex na terceira parte do livro, que sofre violência de pessoas que pareciam ser “normais”, ou defensoras da paz. Isso nos mostra, que todos nós possuímos essa maldade. E o que faz o livros ser tão contemporâneo, é que vemos nas ruas, muitos Alex, e muitos justiceiros que lutam com as mesmas armas que dizem abominar.

Podemos ver também a negligência dos pais, perante a formação dos jovens.

É preciso criarmos uma juventude nutrida pelo pensamento crítico, longe da dominação e da obediência por si só. Somos obrigados a agirmos como manda o sistema. Somos obrigados a ter uma aversão mecânica, negando aos impulsos humanos, ao invés de entende-los e aprendermos a escolher o que queremos ser.

Somos todos Laranjas Mecânicas, seres orgânicos que para vivermos em sociedade, precisamos de comportamentos mecânicos!

"Eles transformaram você em alguma coisa que não um ser humano. Você não tem mais o poder de decisão. Você está comprometido com atos socialmente aceitáveis, uma maquininha capaz de fazer somente o bem. E vejo isso claramente: essa questão sobre os condicionamentos de marginais. Música e o ato sexual, literatura e arte, tudo agora deve ser uma fonte não de prazer, mas de dor." (p.156)


A leitura me lembrou diversas tendências sociológicas, pedagógicas, psicológicas e psicanalíticas, (Durkein, Carl Rogers, Freud...)

Uma leitura indicada para quem quer entender a mente e a cultura humana. Para estudiosos ou curiosos por essa espécie tão complexa, enigmática, repugnante e ao mesmo tempo apaixonante.

Como disse Freud:

“A questão fatídica para a espécie humana parece-me ser saber se, e até que ponto, seu desenvolvimento cultural conseguirá dominar a perturbação de sua vida comunal causada pelo instinto humano de agressão e autodestruição.”


Em 23 de Janeiro de 2009, a banda brasileira Sepultura lançou seu álbum inspirado na obra Laranja Mecânica.

Estou deixando a playlist para vocês que amam degustar de uma boa leitura com trilha sonora.

E mesmo não entendendo nada de música clássica, ouso em deixar uma playlist playlist em homenagem ao Alex.


E aí, o que acharam? Já leram ou têm curiosidade? Conta pra gente! 
Beijinhos e até a próxima!



Colaboradora: Priscilla Larah







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