segunda-feira, 30 de março de 2015

Quando me tornei feminista?

Tornei-me feminista quando, ainda criança, não me identificava com nenhuma princesa da Disney. E não concebia a ideia de ser frágil e indefesa, sempre à espera de um príncipe encantado pra me salvar.

Tornei-me feminista quando, na mesma idade, enquanto todas queriam ser 'Cinderelas', eu queria ser a Mia do Jaspion. Apelido que, inclusive, me acompanha até hoje.

Sim, aquele coala-porco-espinho, que soltava espinhos nos inimigos. 

Quando me apaixonei por "A Bela e a Fera" e passei a assistir incansavelmente, por ser a primeira protagonista de longa infantil que caga pro amor verdadeiro. Que quer mesmo é ser independente, sair do interior e ler todos os livros do mundo. Sendo a primeira a se apaixonar através da convivência, e não no primeiro olhar. A primeira que salva, e não o contrário. E olha que eu nem sonhava que ainda viriam Mulans, Elsas e Merivas por aí!

Quando preferia os bonecos de "Comando em Ação" do meu primo ao fogãozinho importado que fervia água de verdade. Mas, sobretudo, quando entendi que eu PODIA ter essa preferência! Assim como podia continuar curtindo minhas Barbies, com seus vestidos de festa e furgões cor-de-rosa. 

Quando entendi que, se eu tinha vontade de 'ficar' com esse ou aquele, eu deveria simplesmente ficar, e nunca permitir que as opiniões alheias, os julgamentos preconceituosos que separam mulheres em gavetas de "pra pegar" e "pra casar" me atingissem e inibissem.

Quando compreendi que eu nem sequer preciso casar. 

Tornei-me feminista quando, após ter um filho e não levar adiante meu relacionamento com seu pai, exigi meu direito de não ser apenas mãe. Resgatei minha identidade, minha liberdade, e passei a exercer, sem culpa, meu papel de amiga, namorada e mulher, dividindo as responsabilidades da criação dele com o pai, reservando meu tempo individual!

Tornei-me feminista quando, assediada e agredida na rua, precisei detalhar que roupa eu estava usando no momento e, então, entendi o quão errado isso era, e o tanto que teria de me impor pra que isso um dia mudasse!

Quando, nem por um momento, aceitei a ideia de ter um salário menor que um homem, desempenhando uma mesma função. Quando tracei como objetivo, a luta por uma sociedade sem hierarquia de gênero.

Quando entendi que, se eu não gosto de tal roupa, não quer dizer que quem a usa é inferior a mim.

Quando a culpabilização de qualquer vítima passou a me enojar.

Quando conheci meu direito de dizer "não".

Quando percebi que nenhuma mulher é diferente de mim, independente de sua postura perante a sociedade, e as escolhas que faz para si.

Quando me aceitei e me amei como sou.

E, principalmente, quando compreendi que as escolhas que faço para minha vida são minhas e de mais ninguém. Que meu corpo é meu, e apenas eu, posso decidir o que fazer com ele!

Quando conheci, e adotei, o conceito de sororidade, dei sentido novo pra minha vida e percebi que eu POSSO. 

E você também!


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Sobre o Autor:
Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!




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2 comentários:

  1. Nunca um texto tinha me descrito tão bem em relação a infância, e olhe que já li muitos. Concordo com diversos pontos abordados, até mesmo nessa pressão que temos de "saber cuidar da casa, casar-se, ter filhos, não poder usar o que queremos". Hoje em dia sou totalmente relaxada com meus quilos há mais,com meus pelos que crescem e se estou com preguiça não tiro. Mas principalmente com a minha identidade de mulher, com o orgulho que tenho de ser o que sou. O importante é que as mulheres se libertem dessas amarras que a sociedade impõe. Beijos <3

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    Respostas
    1. Que bom, Marcela! Fiquei imensamente feliz com seu comentário! <3

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