domingo, 22 de março de 2015

Resenha | Aventuras de Alice no País das Maravilhas (Lewiss Carrol)



Sinopse: Obra-prima de Lewis Carrol, "Alice no país das maravilhas" há mais de um século encanta crianças e adultos. Instigante, divertida, inusitada, profunda, a saga de Alice é inesgotavelmente interpretada, parodiada, filmada, citada... e, claro, lida.
Essa charmosa edição de bolso contendo os dois clássicos, inédita no mercado brasileiro, traz os textos na íntegra e ilustrações originais de John Teenniel. Imperdível!

Comumente abreviado para "Alice no país das maravilhas", a obra de Lewis Carrol é dada por muitos como uma leitura infantil. O que não deixa de ser, visto que Alice é capaz de atingir a qualquer idade!

A edição de bolso da Editora Zahar, além de super charmosa e com ilustrações originais de John Teenniel, traz também "Através do Espelho, o que Alice encontrou por lá". Estas são as histórias mais conhecidas de Carrol, e também as mais adaptadas em livros e filmes! E, apesar de uma complementar a outra, tornando quase imperceptível a divisão, irei resenhá-las separadamente, como a Edição apresenta.



Em "Aventuras de Alice no país das maravilhas", a protagonista inicia a história entediada, descansando, até que se da conta que um Coelho Branco, de colete e relógio, passou por ela. Ainda sem entender do que se trata, Alice levanta e segue o Coelho, o que a faz cair em um buraco parecendo não ter mais fim! 

Durante a queda, a menina tem tempo o bastante para repensar várias situações de sua vida. Questionando-se se deveria ou não ter ido atrás do Coelho, lembrando-se de sua gata que ficou em casa, repensando e repassando lições que aprendera na escola... Chegando ao fundo, para sua surpresa, ela não sente dor com a batida e, sim, é amortecida por algo.

À partir dali, tudo muda na rotina de Alice. Ela encontra um mundo inteiramente diferente do seu, com seres e situações antes inimagináveis. Vê-se em condições inusitadas e surreais, como crescer e diminuir diversas vezes e em frações de segundos, nadar em uma lagoa de suas próprias lágrimas, conversar com todo tipo de animal...

A personagem passa a sentir-se confusa nessa nova realidade e, por considerar-se muito esperta, essa sensação se agrava ao perceber que está esquecendo conceitos de sua vida real, como: trechos de poesias, cálculos matemáticos e outros. Conceitos tais, que também seriam seu vínculo e apego com sua vida normal. De repente, qualquer solução para os problemas enfrentados por Alice, apenas são possíveis através de mágica, deixando o concreto, e as certezas da menina, cada vez mais distantes.

Alice é uma personagem com a qual eu sempre me identifiquei muito: curiosa, inquieta, do tipo que não se convence com qualquer resposta e não aceita meias palavras. Daquelas que leva tempo refletindo sobre determinado assunto e horas filosofando em cima de uma única palavra ou cena, que seja. Além disso, é questionadora, confiante e segura do que sabe, sentindo-se perdida ao ter de enfrentar situações que fogem à sua compreensão.

"Aventuras de Alice..." é uma leitura que requer pesquisa, imaginação e, principalmente, entrega, para que seja significativa. São muitas referências à poemas ingleses do século XIX, sátiras à pessoas do círculo pessoal de Lewis e personagens incríveis que, unidos, tornam a leitura 'deliciosamente nonsense'. 

No entanto, por mais nonsense que seja, é possível absorver grandes ensinamentos do que se lê. 
Temos o Gato de Cheshire, sempre com um sorriso no rosto, que some e desaparece aos poucos. Que estabelece um diálogo significativo com Alice, levando, tanto a protagonista à reflexão, como nós, leitores. 

" - Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para ir embora daqui?
- Depende bastante de para onde quer ir, respondeu o Gato.
- Não me importa muito para onde, disse Alice.
- Então não importa que caminho tome, disse o Gato. " - pág. 76 e 77.



A fala do Gato é atemporal e encaixa-se em diferentes contextos!

Assim como a conversa com a Lagarta azul. Personagem intrigante e que foge ao politicamente correto, sempre fumando seu narguilé. Visivelmente sonolenta, custa a dar atenção à Alice e, quando o faz, nos contempla com mais um momento enriquecedor:

" - Quem é você? - perguntou a Lagarta.
- Eu... eu mal sei, Sir, neste exato momento... pelo menos sei quem eu era quando me levantei esta manhã, mas acho que já passei por várias mudanças desde então." - pág.35



O tempo no "País das Maravilhas" não corresponde ao normal. Isso é representado através do Coelho Branco, sempre apressado, e do querido Chapeleiro, preso eternamente ao horário do chá!

Entre tantos, dois pontos se destacam entre os que mais me encantam nessa obra. Um, é o fato de Alice fugir totalmente ao padrão infantil da época em que o livro foi escrito. Época em que as crianças eram tratadas como "mini-adultos". Cercados de regras impostas, rígidas e que levavam à uma vida longe de tudo que fosse lúdico e comuns à infância que conhecemos.

Contrariando todos esses fatos, Alice vai atrás da aventura, do desconhecido, do que lhe aguça a curiosidade. Segue o Coelho branco sem pensar muito e vive cada segundo na nova realidade que encontra. 

O segundo ponto é por Alice, em dado momento, enfrentar a Rainha de Copas - figura irritada que costuma resolver seus problemas mandando "cortar a cabeça" de quem lhe incomoda ou atravessa seu caminho. Ordem que nunca se conclui de fato. Ao enfrentá-la, é possível traçarmos um paralelo com a realidade, e entendermos como uma maneira da personagem se colocar contra o Sistema. E assim, temos mais uma vez a coragem da protagonista reafirmada diante de nós.



É possível ler Alice e apenas se divertir? Sim. Mas se você permite-se ir além do que se lê, entrando com os dois pés e toda sua imaginação na história, é possível absorver ensinamentos e conhecer personagens que nunca mais irá querer abandonar!
Sobre o Autor:
Liza Alvernaz | Eliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!

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