sexta-feira, 24 de abril de 2015

1 filme por semana | 13/53: A Saga de Manoel Congo



Oi gente, tudo bem com vocês? Perceberam que o "1 filme...." está sendo postado com 1 dia de atraso essa semana, né? Pois é, tivemos um probleminha por aqui, mas já está tudo certo. Semana que vem será tudo normal! 


Quem fará a coluna hoje é a Pit Larah, colunista de Sexta-feira! 

Vamos conferir?




Ficha Técnica

Título: A Saga de Manoel Congo
Direção: Dermeval Netto
Gênero: Documentário 
Duração: 49:26



O filme retrata a Rebelião de Paty de Alferes. Uma das maiores rebeliões de escravos da história.



Manoel Congo era um ferreiro, nascido na África, escravo de posse do capitão-mor Manuel Francisco Xavier, dono de centenas de escravos e das fazendas Freguesia e Maravilha em Paty do Alferes.

No dia 5 de novembro de 1838, ao que tudo indica, Manoel Congo, reuniu outros escravos e partiram da Fazenda da Freguesia rumo à Fazenda da Maravilha, pertencente ao mesmo senhor.

Arrombaram portas e furtaram alimentos, reuniram outros escravos, que não sabe-se afirmar se acompanharam os outros, por vontade ou por ameaças.

A revolta dos escravos, começou quando o capataz da fazenda Freguesia matou o escravo africano Camilo Sapateiro e nenhuma punição foi dada a ele.

Lutando por sua liberdade e por justiça, os escravos partiram.

Vistos como um bem comercial e como investimentos das fazendas, a fuga de tantos escravos, era um prejuízo enorme, além das fazendas ficarem completamente desprotegidas.

Francisco Peixoto de Lacerda, solicita tropas e lidera-as para deter a rebelião.

As tropas seguem a Serra Santa Catarina, em Paty do Alferes, em busca dos escravos fugidos.

Um banho de sangue, encerra a luta de Manoel Congo e seus companheiros. Dezenas de escravos são assassinados pelos soldados, e dois soldados são mortos em combate.

Após a “vitória”, o capitão-mor Manoel Francisco Xavier, pede que as tropas se retirem de sua fazenda. É necessário que ele mesmo, pague os custos do advogado que representará os escravos em julgamento.

De acordo com registros, feitos por brancos que acompanharam o caso, Manoel Congo liderou a rebelião e ameaçou outros escravos a fugirem, portando uma pistola. Não se sabe da realidade, já que os registros foram feitos por senhores e por uma justiça branca. Mas sabe-se que Manoel Congo, foi o único condenado à morte, enquanto as mulheres foram absolvidas e os outros escravos, foram condenados à centenas de açoitadas e 3 anos portando correntes no pescoço.

Era necessário apenas um indivíduo para conter qualquer faísca de luta pela liberdade, e desta forma, Manoel Congo foi enforcado para que servisse de exemplo como opressão e domínio dos ideias de liberdade.

Percebemos que até hoje vemos resquícios da escravidão em nossa sociedade. As dores do país que foram varridas para debaixo do tapete.

Toda a herança de sofrimento que a escravidão nos deixou, colhemos com as desigualdades sociais e o preconceito tão notáveis nos dias atuais. É natural nos depararmos com os filhos da injustiça vivida naquela época. As oportunidades favorecem aos brancos, enquanto os negros continuam mantendo, em sua maioria, a sina de seus ancestrais.

O racismo nada mais é do que um sintoma da doença que foi a escravidão. Doença que ainda predomina em nossa sociedade preconceituosa e injusta.

A história de Manoel Congo, é desconhecida até mesmo por pessoas que vivem na região. Lutas são esquecidas, a opressão encontra-se nos dias atuais, quando vemos as oportunidades mal distribuídas entre classes dominantes e minorias hostilizadas.

A saga de Manoel Congo, trata-se do exemplo de histórias mal contadas, a fim de manter o domínio, hoje em dia velado e disfarçado.


“— O depois nunca é como foi imaginado pelos que viviam sob tiranias. A nova ordem republicana não educou os filhos dos escravos. Como cometemos tal erro? Ainda carregamos como uma bola de ferro atada aos nossos pés as cicatrizes desse erro... e ainda estamos aqui, amarrados pelos fios de um novelo que nos constrange. Por que é sempre tão tardia e lenta e limitada a liberdade nesta terra?”
Trecho do livro Tempos Extremos de Míriam Leitão





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Sobre o Autor:
Liza AlvernazPit Larah |  Facebook - FanPage - Projeto  |   Todos os posts do autor
Autora do livro "Tribo do Amor", estudante de Pedagogia, dona da fanpage "Da tribo do amor" e idealizadora do projeto "Clube Literário Palavras ao Vento". Valenciana de coração, hiperativa por natureza, viciada em livros e séries, exageradamente intensa, um verdadeiro desajuste!




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