13 de maio de 2015

Desafio Literário #2 | 02/03 - Resenha | O Cortiço (Aluísio de Azevedo)

Título: O Cortiço
Autor: Aluízio Azevedo
Editora: Editora Rideel
Número de páginas: 72

Sinopse: A obra busca recriar a realidade dos agrupamentos humanos sujeitos à influência da raça, do meio e do momento histórico. O predomínio dos instintos no comportamento do indivíduo, a força da sensualidade da mulher mestiça, o meio como fator determinante do comportamento são algumas das teses naturalistas defendidas pelo autor ao lado de denúncias sociais. O protagonista do romance é o próprio cortiço, onde se acotovelam lavadeiras, trabalhadores de pedreira, malandros e viúvas pobres.





O Cortiço é um livro que foi escrito no ano de 1890, por Aluísio de Azevedo, um grande autor da nossa literatura, que mostrou as relações humanas de uma forma muito crua e real. Na época do lançamento o livro, este chegou a ser tratado como melhor do que muitos outros livros de autores, como Machado de Assis, devido a pertencer a escola naturalista, de grande prestígio na Europa e que ganhava força cada vez maior aqui no Brasil. A história se passa no Brasil, durante o século XIX, sem data precisas, mas no livro mostram características bem próprias deste século como costumes, alimentação e vestimentas. Há dois ambientes que são explorados: o cortiço e o sobrado do comerciante Miranda e sua família, que fica ao lado do cortiço. E nesse contexto que tudo será desenvolvido. Não demorou muito para que O Cortiço estivesse nas casas e arrancasse da sociedade da época críticas positivas e negativas.
A obra é narrada em terceira pessoa, com o narrador onisciente, ou seja, ele tem conhecimento de todos os acontecimentos, sejam ações ou pensamentos. O narrador tem grande poder na estrutura da história e pode, aparentemente, parece para os leitores ser imparcial, mas na realidade ele entra diretamente em diversos pontos da narrativa, tornando a narrativa próxima o bastante da realidade daquele momento do país. 
O tempo é trabalhado de modo linear, com início, desenvolvimento e final da narrativa, uma narrativa comum, mas com seus detalhes próprios de verdade, personagens muito rico, com efeitos, qualidades, sentimentos, ambições, exatamente como é e deve ser um Ser Humano. E é exatamente essa questão de mostrar o Homem, a Sociedade, os preconceitos, as modas e a hierarquia de uma maneira tão sedutoramente verdadeira e fiel a realidade do cotidiano e das emoções, que faz este livro ser, para mim, um dos maiores clássicos da nossa literatura e, Aluísio de Azevedo, um dos maiores nomes deste cenário.

Recomendo. Aliás, acho extremamente necessário que as pessoas tenham contato com esta obra e você como sempre foi cruel, desorganizada e sentimental as relações entre pessoas, meio, consciência e valores.


"Uma bela noite, porém, o Miranda, que era homem de sangue esperto e orçava então pelos seus trinta e cinco anos, sentiu-se em insuportável estado de lubricidade. Era tarde já e não havia em casa alguma criada que lhe pudesse valer. Lembrou-se da mulher, mas repeliu logo esta ideia com escrupulosa repugnância. Continuava a odiá-la. Entretanto este mesmo facto de obrigação em que ele se colocou de não servir-se dela, a responsabilidade de desprezá-la, como que ainda mais lhe assanhava o desejo da carne, fazendo da esposa infiel um fruto proibido. Afinal, coisa singular, posto que moralmente nada diminuísse a sua repugnância pela perjura, foi ter ao quarto dela."



Sobre o Autor:

Natalia Menezes |  Twitter  |  Todos os posts do autor
Amante de futebol, música, filmes e livros, sempre foi apaixonada por histórias, seja lá de qual maneira forem contadas. Ama tanto lidar com o abecedário em forma de frases e parágrafos, que acabou se formando em Letras.

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