sexta-feira, 29 de maio de 2015

Resenha | O Mundo de Sofia (Jostein Gaarder)



"O Mundo de Sofia" - Autor: Jostein Gaarder - Editora: Companhia das Letras  - Páginas: 568


Sinopse: O Mundo de Sofia - Às vésperas de seu aniversário de quinze anos, Sofia Amundsen começa a receber bilhetes e cartões-postais bastante estranhos. Os bilhetes são anônimos e perguntam a Sofia quem é ela e de onde vem o mundo. Os postais são enviados do Líbano, por um major desconhecido, para uma certa Hilde Møller Knag, garota a quem Sofia também não conhece.
O mistério dos bilhetes e dos postais é o ponto de partida deste romance fascinante, que vem conquistando milhões de leitores em todos os países onde foi lançado. De capítulo em capítulo, de "lição" "lição", o leitor é convidado a percorrer toda a história da filosofia ocidental, ao mesmo tempo que se vê envolvido por um thriller que toma um rumo surpreendente.


Começo avisando que esse sentimento literário vai ser bem pessoal. Não vou conseguir me afastar da história e escrever com uma certa distância.

Impactante, complexo e acima de tudo transformador!

Primeiro fiquei bem desequilibrada com o conteúdo e com o mundo novo que eu estava conhecendo. Ao navegar por este livro, fui absorvendo vários conceitos, refazendo alguns, desfazendo outros e construindo minha própria visão de mundo. A cada página, e a cada filósofo que eu conhecia, mas me distanciava dos pensamentos ultrapassados e das visões de mundo que eu tinha. Fui me despindo de mim mesma, e me reconstruindo. No fim, eu me transformei.

Sinto muito não ter lido este livro há uns 10 anos atrás. E por mais que ele tenha sido uma fonte de alimentação da alma e do cérebro, só pude ter certeza de que eu não sei nada sobre nada! Ainda vou me arriscar em falar sobre o mundo, em escrever sobre pessoas, e sobre as relações humanas, mas provavelmente com mais cautela, porque através de O MUNDO DE SOFIA, pude perceber o quanto sou pequena, e o quanto o mundo é grandioso para que eu me aproprie com tanta certeza dos pensamentos dos que me cercam.

Há um bom tempo, estou em mutação! Durante a vida, fui me livrando de várias de mim, e sei a vida é desse jeito. Sei que ainda tenho muito a aprender, e muitas bagagens desnecessárias para me livrar. Mas sinto que fechei um ciclo em minha vida. Terminei uma transformação que começou há algum tempo. E fechei esse ciclo com a leitura deste livro.

A cada novo capítulo, eu me sentia como se estivesse lendo um livro mágico. Parecia que a história era escrita só para mim. O autor falava comigo, e colocava em xeque questionamentos que sempre rondaram meus pensamentos. E enfim, eu pude confirmar o que há um tempo eu desconfiava. De todos os mistérios que constroem o mundo e as pessoas, alguns nunca serão revelados, e não cabe a mim, tentar fazer isso. O que nos cabe é fazermos o melhor a cada dia. Eternizarmos a nós mesmos, através dos pensamentos que deixaremos para nossos herdeiros.

E que eles possam usufruir dos conceitos que construímos e dos pensamentos que arquitetamos. Que esses pensamentos sejam o ponto de partida para infinitas transformações da humanidade. E que a verdade seja cabível a seu próprio tempo. Porque agora eu sei que a verdade é instável! Ela é mutável como nós. Ela depende do tempo de cada geração!

Por isso, eu me despedi desse livro, com a sensação de dever cumprido e com saudade, não apenas das palavras que eu li. Mas da pessoa que eu era nas primeiras linhas dessa leitura. Mas é uma saudade boa, daquelas que a gente não quer deixar de ter. A gente só quer poder olhar para quem foi, e perceber que fez um bom trabalho. Que usou com destreza as ferramentas disponíveis, que lutou por ferramentas novas, e que conseguimos nos transformar em alguém que pensa, alguém que questiona, e que assim, seremos alguém melhor. Consequentemente seremos melhores para o mundo, e deixaremos nossa marca.

Levarei para sempre Sofia e Hilde dentro de mim. Elas serão sempre as referências de quem eu fui e do caminho que segui para chegar até aqui.

“Quando nos damos conta de que não passamos de uma imagem na consciência sonolenta de outra pessoa, acho que o mais adequado é calar-se. Mas posso concluir recomendando aos jovens um pequeno curso da história da filosofia. Dessa forma vocês poderão desenvolver uma visão mais crítica do mundo em que vivem. Mais importante ainda: poderão também criticar os valores da geração dos seus pais”.



Sobre o Autor: 
Liza AlvernazPit Larah |  Facebook - FanPage - Projeto
Autora do livro "Tribo do Amor", estudante de Pedagogia, dona da fanpage "Da tribo do amor" e idealizadora do projeto "Clube Literário Palavras ao Vento". Valenciana de coração, hiperativa por natureza, viciada em livros e séries, exageradamente intensa, um verdadeiro desajuste!

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