terça-feira, 4 de agosto de 2015

Resenha | Cidades de Papel (John Green)

Olá, tudo bem com vocês?
Por algum motivo até então desconhecido, este post que deveria ter sido postado mês passado, durante o nosso Desafio Literário Epifania, encontrava-se - prontinho - nos rascunhos... =/ 


As últimas semanas foram tumultuadas por aqui e eu acabei não me dando conta desse equívoco.
Como não quero deixar de postar minhas impressões sobre este livro, tampouco furar o desafio, posto hoje. Atraso imenso, mas equívoco desfeito! :)
Meu tema é: "Um filme que irá virar filme" e eu escolhi "Cidades de Papel". 




Sim, eu sei que este livro JÁ virou filme. Mas quando o li, ainda não tinha acontecido. A postagem atrasou, mas a leitura foi feita em dia. =)


"Mas ainda há um tempo entre o momento em que as rachaduras começam a se abrir e o momento em que nós nos rompemos por completo!"

Conheci John Green com o "boom" de "A culpa é das estrelas", resolvi comprar alguns de seus livros e deixá-los na estante para qualquer hora, já que o sucesso já era enorme e as críticas quase sempre positivas.

Confesso que YA não é meu gênero preferido, mas costumo ler alguma coisa de tempo em tempo, principalmente o que meus alunos mais comentam, pois gosto de entender a "cabeça" deles e o que os fazem admirar. Sendo o tal do João Verde tão falado entre eles, comprei ACEDE e o "Teorema Katherine". Logo depois, ganhei "Cidades de Papel" em uma rifa, assim acumulava os queridinhos dos alunos na estante.

Comecei por ACEDE e achei que não leria mais nenhum... Explico: O livro é uma gracinha. O casal protagonista são um doce, ao mesmo tempo divertidos e com o tema central bem 'chororô', tal como eu costumo gostar. No entanto, o combo casal-apaixonado-com-câncer-terminal tornou-se bem cansativo após algumas leituras e (muitos!!!) filmes com a temática. Sendo assim, sinto que a leitura não me tocou como deveria.

Mesmo assim, a narrativa do autor me encantou. Simples, clara, leve, divertida e com boas pitadas de questionamentos e reflexões que contribuem, e muito, para elevar o leitor teen a outro nível de leitura. Uma vez que o adolescente se envolve com a escrita de John, fica estabelecida uma "ponte" para outros "níveis" de leitura!

A partir dessa percepção, resolvi ler "Cidades de Papel" antes do lançamento do filme, e que ótima ideia foi essa!!! Além de ter adorado o livro, ainda me serviu para o desafio!

"Cidades de Papel" é narrado em 1ª pessoa pelo personagem Quentin, ou simplesmente, Q. Adolescente por volta de seus 17 anos, formando da High School, Q. nutre uma paixão de infância por sua vizinha, Margo.
Os dois mantiveram amizade na infância e, com o passar dos anos, foram se afastando naturalmente. O que não impediu que Q. seguisse cada dia mais encantado pela vizinha.

O casal protagonista é no estilo yin yang. Ela; descolada, bonita, atraente, popular e misteriosa. Já ele, atende mais ao requisito de "normal". Beirando o looser, Q. é responsável, estudioso, vive a vida com tranquilidade, poucas emoções e muita normalidade.

Há poucos dias da formatura, Q. é surpreendido por Margo pulando sua janela, toda vestida de preto, com o rosto pintado e convidando-o para uma aventura madrugada adentro, sem prévias explicações. A única informação na qual Q. tem acesso, é o fato de que precisará dirigir para executar os planos de Margo.

E assim acontece. Sem muito pestanejar, Q. lança as chaves da minivan de sua mãe a qual tem acesso, e sai pelas ruas levando Margo a realizar seus desejos.
O que não leva muito tempo para ser percebido, é que trata-se de um plano vingativo contra alguns (ex) colegas e namorado de Margo. Entre invasões, 'peripécias' e aventuras, Q. se diverte como nunca e passa a imaginar como será a amizade dos dois ao final dessa madrugada insana, já que agora, teriam motivos para se reaproximarem.

O que o garoto não esperava, é que na manhã seguinte, Margo não aparecesse ao Colégio. Assim como, no outro dia, no outro, e assim por diante.

Ao chegar em casa, foi surpreendido pelos pais de Margo, junto à polícia. Os dois não pareciam surpresos com o sumiço da filha e logo explicaram que essa não era a primeira vez que a menina fazia isso. O policial mostrou-se solícito em ajudar, mas deixou bem claro que, por Margo já ter 18 anos, pouco poderiam fazer, já que, por ser maior de idade, é de sua livre escolha sair de casa ou não.

A mãe de Margo mostrou-se mais enraivecida do que preocupada, e deixou claro o desejo de trocar a fechadura da porta, para que a menina não conseguisse mais voltar.

Essa atitude um tanto quanto seca, causa espanto nos pais de Q. e, encontrar o paradeiro da menina, vira prioridade na vida do rapaz.
Q. ouve dos pais da garota que, sempre que ela "some", deixa pistas que ajudariam a encontrá-la. Sendo assim, Quentin parte em busca de pistas que ela poderia ter deixado dessa vez e parte em busca de solucionar o grande enigma da menina.

As pistas são encontradas, solucionadas ao longo do livro e, no dia da tão falada Formatura, desvendadas.

Os capítulos finais são divididos de acordo com as horas que se passam. Gosto desse tipo de divisão pois me da a sensação mais forte do que o personagem está sentindo e passando. Mas, justamente nessa parte, uma pequena sensação de incômodo me acometeu pela primeira vez. Os capítulos formaram-se com uma "enrolação" desnecessária. O típico "encher de linguiça". Talvez me soasse melhor se eles resumissem-se aos sentimentos de Q. nas horas finais e não, em cada pensamento, fala, ação...

O final do livro foi especialmente saboroso pra mim. Eu queria que acontecesse o que aconteceu mas, por tratar-se de um YA, imaginei que outra coisa aconteceria. Ao ler as cenas finais o mais próximas possíveis da minha imaginação, mais atenção ainda eu dei ao livro.




Fechei a última página com um sorriso no rosto, vontade de conferir o que fizeram com a adaptação do cinema e muitos, muitos post-it distribuídos em suas páginas.
"Cidades de Papel" me surpreendeu pela sutileza, pelas reflexões com abordagem adolescente, sim, mas sem, em momento algum, subestimá-los.
Margo é a personificação do Gênero Literário abordado. Uma jovem-adulta com todas suas dúvidas, anseios e, principalmente, desejos. Uma jovem que desafio o senso-comum e busca, com as próprias pernas, a transgressão das normas impostas pela sociedade.

Um dos melhores devaneios de Margo vem logo no início, quando ela questiona algo que nos é tão comum e acertado.




"Universidade: entrar ou não. Confusão: se meter ou não. Colégio: tirar dez ou dois. Carreira: ter ou não. Casa: pequena ou grande, própria ou alugada. Dinheiro: ter ou não. É tudo muito chato."




Com ideias assim, a personagem imprime sua marca, mesmo não aparecendo na maior parte do livro.


" - Isso sempre me pareceu tão ridículo, que pessoas pudessem querer ficar com alguém só por causa de beleza. É como escolher o cereal de manhã pela cor, e não pelo sabor."

Vi na Margo algumas pessoas conhecidas. Pessoas que abriram mão do dito certo, buscando o que lhe faz feliz, o que liberta.
Margo é livre! E isso nos fica claro desde sua apresentação.


"Fazer as coisas nunca é tão bom quanto imaginá-las"

O que ficou desta obra pra mim, foi a reflexão em cima do que somos, do que pensam que somos e, por fim, do que esperam que sejamos!
Quantas vezes na vida pautamos nossos conceitos sobre as pessoas, baseadas no que "esperamos" delas e no que elas nos oferece?
Julgamos por não recebermos o que esperamos. Julgamos por falas e atitudes que não estão em harmonia com o que imaginamos.
Através de Margo, absorvemos isso quase como um tapa na cara. Com atitudes que beiram a frieza para alguns, a garota joga em nosso colo a certeza de que ela, nada mais é, do que ela mesma: livre, espontânea e atrás do que lhe faz completa!
Se você ainda não leu "Cidades de Papel", sugiro que inclua-o em sua lista de "por ler". Vale a pena!

"- Quanto mais eu trabalho, mais percebo que os seres humanos carecem de bons espelhos. É muito difícil para qualquer um mostrar a nós como somos de fato, e é muito difícil para nós mostrarmos aos outros o que sentimos.

(...)

- Mas serpa que isso não é porque, em algum nível fundamental, achamos difícil entender que o outro também é um ser humano tal como nós? Ou nós os idealizamos como deuses ou os dispensamos como animais."






Sobre o Autor: 
Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!

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