segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Resenha | Mary Poppins (P.L.Travers) - Especial Infantil

Olááá, tudo bem com vocês?

Estamos começando hoje um especial Infantil aqui pelo Blog. Serão sentimentos literários, críticas de cinema, opiniões e muito mais! Acompanhem, comentem, vamos embarcar juntos nessa nostalgia contagiante!!!

Dando abertura, irei falar sobre a obra "Mary Poppins", de P.L.Travers que, muito provável, muitos de vocês já ouviram falar e até leram ou viram o filme. Vem saber o que eu penso deste livro e comentar comigo!!!


"Mary Poppins" - Autor: P.L.Travers - Editora: COSACNAIFY - Páginas: 190



Mary Poppins entrou em minha vida ainda na infância, através do Clássico da Disney (que conversaremos sobre amanhã). O filme foi lançado e 1964 e fez parte da infância da minha mãe. E foi através dela, que tive interesse em assistir.

Foi amor à primeira vista mas, pasmem, levei anos e anos pra ler pela primeira vez. Já era adolescente, inclusive.

Li uma versão da biblioteca do Colégio em que estudava e adorei. Mas foi apenas anos mais tarde, já na faculdade, que reli e ele passou a ter um significado inteiramente novo pra mim.

Há muitas diferenças entre a Mary literária e a Mary de Walt Disney, mas deixarei pra falar disso amanhã durante a crítica do 1º filme.

A história gira em torno da família Banks, formada por pai, mãe e seus quatro filhos. O casal acabou de perder a babá de seus filhos e, como nem cogitam cuidar da prole sem auxílio de uma governanta, iniciam os preparativos para a busca pela nova empregada.



O que não contavam é que antes mesmo de iniciarem os anúncios efetivamente, surgisse em sua casa uma babá que atendesse todos os requisitos esperados. Trata-se de Mary Poppins que vem trazida, literalmente, pelos ventos, com uma pequena maleta em mãos e um guarda-chuva com um papagaio na ponta.

Mary possui características distintas de qualquer outra pessoa e, tampouco, do que espera-se de alguém que venha para lidar com crianças. Bem arrumada, orgulhosa e um tanto ranzinza, ela também demonstra, aos poucos, possuir comportamentos curiosos e mágicos!

Ao ser indagada pela Sra. Banks sobre suas referências, Mary a corta bruscamente dizendo que tal feito é um tanto démodé. Como a matriarca da família não suporta a ideia de ser defasada em relação a nada, admite a nova babá sem pestanejar.

Mesmo Mary sendo um tanto quando carrancuda, as crianças se apegam a ela e passam a sentirem-se cuidadas e notadas pela primeira vez na vida.

Mary consegue discipliná-las mesclando rigidez, proteção e a dose de fantasia que dá todo o tom do livro.

Uma porta de aventuras extraordinárias e até então desconhecidas pelas crianças Banks, é aberta. Mary Poppins introduz o lúdico na vida das crianças, coisas que até então não existia no ambiente deles (e de muitas crianças da época).

Um dos grandes motivos de eu ser fã alucinada de "Aventuras de Alice no País das maravilhas", é o fato de Lewis Carrol ter iniciado o que conhecemos como "Era de Ouro da Literatura Infantil". Obra que abriu portas para o formato que conhecemos hoje através de Peter Pan, Mary Poppins e outros clássicos. A mistura do lúdico, com o nonsense e, ainda, a passagem do surreal para a visão lógica das coisas. Personagens e leitores defrontam-se com as desventuras que a vida nos reserva, maquiados através da narrativa muitas vezes insana, e aprendem com elas!



Tanto nas obras citadas acima, com as quais Mary Poppins dialoga - mesmo que veladamente - quanto nesta, temos a viagem pro ilógico, pro encantamento, e lá, a magia é a norma.

De um ponto de vista estritamente literário, temos em Mary Poppins uma narrativa envolvente, infantojuvenil e inteiramente relacionada à características dos romances ingleses, dentro da Era de Ouro, já citada acima.

Aprofundando, podemos traçar um paralelo pedagógico incrível através das práticas disciplinares dessa ranzinza babá.

Mas não para por aí... As curiosidades que cercam esta obra são muitas e, dentre elas, temos o interesse, já declarado, da autora pelo misticismo e que teria servido para que ela emprestasse à sua protagonista. E, a partir daí, muitas são as referências subentendidas através de Mary. Segundo estudos, pesquisas e opiniões baseadas nas entrevistas de Travers, Mary Poppins seria uma "projeção arquetípica da Deusa Mãe".


O que me encanta nas obras da Era de Ouro é justamente o fato de um livro nunca ser apenas um livro.


A versão utilizada para essa resenha é LINDA, com ilustrações de Ronaldo Fraga e tradução de Joca Reiners Terron. 


Sobre o Autor: 
Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!

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