segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Resenha | O Mágico de Oz (L. Frank Baum)

Autor: L.Frank Baum - Páginas: 224 - Editora: Zahar


Sinopse: O Mágico de Oz - "Quando estava na metade do caminho, ouviu-se um grito fortíssimo do vento e a casa sacudiu com tanta força que Dorothy perdeu o equilíbrio e caiu sentada no chão. E então uma coisa muito estranha aconteceu. A casa rodopiou duas ou três vezes e começou a levantar voo devagar, Dorothy teve a sensação de que subia no ar a bordo de um balão."
Um ciclone atinge a casa onde Dorothy vive com os tios e ela e seu cachorro Totó são levados pela ventania e param na Terra de Oz. Por lá, Dorothy faz novos amigos - o Espantalho, o Lenhador de Lata e o Leão Covarde -, encara perigos, vive histórias fantásticas e precisa enfrentar seus próprios medos. Depois de tantas aventuras, a menina descobre que seus Sapatos de Prata têm poderes mágicos e podem levá-la para qualquer parte. Mas não existe melhor lugar no mundo do que a própria casa.
Um clássico indiscutível para todas as idades.



Dorothy vivia no Kansas em sua vida era cinza demais! Um dia, um ciclone carrega sua casa e a menina vai parar na Terra de Oz no País de Munchkins, onde é recebida com muita alegria, pois sua casa caiu em cima da Bruxa Má do Leste, uma bruxa que mantinha aquele povo escravizado. 

Mas Dorothy quer encontrar uma forma de voltar para o Kansas e ela precisa ir para a Cidade das Esmeraldas encontrar O Mágico de Oz, para pedir ajuda. Já que trata-se de um mágico muito poderoso, acredita-se que apenas ele poderá levar a garota para o seu lar. 
Enquanto segue a estrada de tijolos amarelos para chegar na Cidade das Esmeraldas, Dorothy conhece alguns amigos que decidem fazer a viagem com ela e assim, pedirem para que o Mágico realize seus desejos também.

O primeiro que ela encontra é o Espantalho e seu maior desejo é ter um cérebro. Depois, ela conhece o Lenhador de Lata e seu maior sonho é ter um coração. O Leão que eles encontram, quer ter coragem, porque considera-se um covarde. 

Durante a viagem, eles ficam muito amigos e encontram diversos obstáculos. Juntos conseguem chegar até a Cidade das Esmeraldas e precisam colocar um óculos com lentes verdes para poderem entrar. 

Quando encontram o Mágico, ele diz que só realizará seus desejos se eles matarem a Bruxa Má do Oeste e mais uma vez os amigos enfrentam diversas aventuras para conseguirem ter seus desejos realizados!

O livro de L. Frank Baum, foi publicado em agosto de 1900 e apesar de o autor dizer na introdução que “a história do O Mágico de Oz foi escrita apenas para o prazer das crianças de hoje”, conseguimos enxergar significados que ultrapassam o entretenimento infantil. 

A história tem algumas passagens inadequadas para a educação infantil de hoje. Em alguns momentos, parece ser um pouco violento, como a bruxa que com seu feitiço fez o machado do Lenhador de lata decepar todas as partes do seu corpo, assassinatos de bruxas e cabeças sendo separadas do corpo... e ainda, encontramos frases que parecem estar falando de uma coisa, quando na realidade, entendemos de outra maneira!

O Mágico de Oz é uma alegoria que trata do populismo e sobre o novo momento financeiro dos Estados Unidos naquela época. É uma leitura profunda que mexe com nossa consciência política e nossos valores como cidadãos, mas não sinto-me com competência para falar sobre esse assunto, por isso, vou aprofundar-me nos sentimentos que foram despertados com essa leitura. 



Os tons de cinza descritos sobre o Kansas, demonstram como a vida de Dorothy era pacata e monótona, e as cores descritas no País de Oz, nos mostra que para nossa vida ser colorida, às vezes, precisamos mudar. Precisamos enfrentar os obstáculos que aparecem em nossas vidas, sem nos sentirmos vítimas dela. A vida vai nos presentear com amigos que nos ajudarão em nossa jornada! 

Seremos sempre reféns das indecisões e da guerra entre razão e emoção, mas não devemos separar nossa mente do nosso corpo, precisamos nos enxergar como um todo, para assim, encontrarmos o equilíbrio e forças para continuarmos nossa caminhada! 

A coragem não é a ausência do medo, mas sua superação. E talvez, tudo o que passamos uma vida inteira buscando, nós já possuímos.

Em certos momentos, seremos enganados e as pessoas usarão recursos para nos manter alienados! E quando entendemos o poder que temos, nada pode nos limitar. Poderemos ir para qualquer lugar e sermos quem quisermos, porque nós somos capazes de muito mais do que pensamos. É preciso saber a maneira certa de usarmos as ferramentas que temos, cérebro, coração e coragem podem ser amigos e precisam estar em sintonia.  

Pessoas entrarão e sairão de nossas vidas, mas elas sempre deixarão pedaços delas dentro da gente! Boas vindas e despedidas fazem parte dessa estrada de tijolos amarelos que chamamos de vida! Nem sempre ela será linda e perfeita, terá algumas imperfeições que poderão nos derrubar se não soubermos usar a razão. Os obstáculos podem interromper essa caminhada se não tivermos coragem de arriscar e se não pudermos ajudar os que estão a nossa volta. 



Quando eu era criança, encenei o espetáculo “O Mágico de Oz” e minha maior frustração era que eu não poderia ser o “Lenhador de Lata”. As pessoas me perguntavam por que eu não estava triste por não ser a Dorothy, e eu não sabia responder.
Hoje, eu só tenho gratidão por poder mergulhar nessa aventura que é muito mais do que uma história de criança. E posso responder por que eu gostaria de ser o “Lenhador de Lata”. Porque por mais que a vida seja cinza ou a estrada seja desregulada, eu quero me manter sensível durante o percurso. Quero enxergar as delicadezas do mundo e ver a poesia que ele produz. Quero me manter fiel aos meus sentimentos e respeitar o mundo a minha volta! Eu quero ter um coração para me guiar e para não permitir que a vida me endureça nem em enferruje. 




“...pois se ver no meio de tanta gente estranha a fazia sentir-se muito só.” (p.28)


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Sobre o Autor: 
Liza AlvernazPit Larah |  Facebook - FanPage - Projeto
Autora do livro "Tribo do Amor", estudante de Pedagogia, dona da fanpage "Da tribo do amor" e idealizadora do projeto "Clube Literário Palavras ao Vento". Valenciana de coração, hiperativa por natureza, viciada em livros e séries, exageradamente intensa, um verdadeiro desajuste!

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