14 de agosto de 2015

Resenha | O Quinze (Raquel de Queiroz)


Título: O Quinze
Autor: Raquel de Queiroz
Editora: José Olimpio
Número de páginas: 16o

Sinopse: 
O Quinze foi o primeiro e mais conhecido romance da escritora. A história se dá em dois planos: um enfocando o vaqueiro Chico Bento e sua família; o outro, a relação afetiva entre Vicente, rude proprietário e criador de gado, e Conceição, sua prima culta e professora. Conceição é apresentada como uma moça amante dos livros e com tendências feministas e socialistas. O período de férias, ela passava na fazenda da família com a avó Mãe Nácia, no Logradouro, perto do Quixadá, onde morava seu primo Vicente. Com o advento da seca, a família de Mãe Nácia decide ir para cidade e deixar Vicente cuidando de tudo, resistindo. No segundo plano, Rachel apresenta a marcha trágica do vaqueiro Chico Bento com sua mulher e seus cinco filhos, representando os retirantes. Ele é forçado a abandonar a fazenda onde trabalhava. Com algum dinheiro, mantimentos e um animal, ruma para o Norte, onde há a extração da borracha. No percurso, o filho mais novo morre envenenado e o mais velho desaparece. Ao chegarem no campo de concentração, são reconhecidos por Conceição, sua comadre, que vai lhes prestar ajuda. Rachel conseguiu exprimir os anseios e angústias da sua região brasileira.





COM SPOILER


Aos 19 anos, Raquel de Queiroz imortalizou a pior seca de todos os tempos, que este ano completa 100 anos. 

Não é à toa que seu romance de estreia foi um verdadeiro sucesso. Nascida em 1910, a autora criou o romance “O Quinze”, baseada nas histórias que ouviu sobre o terrível período dessa seca. 

O livro tem a narrativa de duas histórias que acabam por se encontrar em certo momento. 


Por causa da seca que se instalava no sertão cearence, Mãe Nácia parte para a cidade do Quixadá e fica morando com a neta Conceição, uma professora que trabalha no Campo de Concentração dos retirantes que começam a fugir da miséria. Vicente, também neto de Mãe Nácia, quer tentar salvar o gado. Conceição é uma mulher culta, com seus 22 anos, enquanto Vicente é um homem rude e apaixonado pelo trabalho com a terra. Os primos são apaixonados um pelo outro, mas como a comida que não vinga nas terras secas e trincadas do sertão, o amor não consegue vencer as diferenças e também não prospera. 

Chico Bento é empregado de Dona Maroca, que o manda soltar o gado e o deixa sem trabalho. Com sua esposa Cordulina, seus 6 filhos e com sua cunhada Mocinha, Chico Bento alimenta-se de esperanças de conseguir chegar no Amazonas para viver de extração de borracha. A família não consegue passagens para chegar à cidade do Quixadá, e para fugir da fome fazem a viagem a pé. 

Mocinha decide ficar pelo caminho para trabalhar em uma venda. 

Apesar do pouco que tinham, Chico Bento dividiu sua única comida com a uma família que encontrou pelo caminho e estava prestes a comer um bicho doente para tentar driblar a morte. 

Uma das cenas mais tristes e angustiantes do livro, é quando Josias, um dos filhos de Chico Bento e Cordulina, é vencido pelo desespero da fome e envenena-se comendo Mandioca crua, agonizando até morrer.

Depois de perder o filho, Chico Bento encontra uma cabra e a estripa desesperado para matar a fome da sua família, porém o vaqueiro é humilhado pelo dono do animal e fica apenas com a tripas dele para alimentar sua família. 

Pedro, outro filho, foge e arranca mais um pedaço da família de sertanejos que tenta resistir a morte que insiste em os vencer. E beirando à morte, com dois filhos perdidos pelo caminho, eles finalmente chegam à cidade e encontram Conceição no Campo de Concentração.

A jovem decide ajudar a família, e sendo madrinha de Manuel (Duquinha), o filho mais novo de Cordulina e Chico, decide ficar com o afilhado. E compra passagens para que o resto da família vá tentar a sorte em São Paulo.

Com o passar do tempo, depois de vários meses a chuva finalmente chega e Mãe Nácia decide voltar para o Logradouro (sua fazenda). A esperança começa a brotar com a pelúcia verde da caatinga que começa a se anunciar. 

É inegável que trata-se de um livro doloroso e amargo! Daqueles que os olhos insistem em formar nuvens de lágrimas que embaçam as palavras e fazem as letras dançarem, enquanto nosso coração se afoga em tristeza. Por retratar um povo que precisa guerrear com a natureza e sendo esse povo, um pedaço do nosso Brasil, sentimo-nos próximos dessa ficção baseada em fatos reais e marcantes para a história do país. Excelente leitura! Daquelas que se termina com o coração maior, apesar de sentirmos tanto aperto no peito!

"Recordando a labuta do dia, o que o dominava agora era uma infinita preguiça da vida, da eterna luta com o sol. com a fome, com a natureza." (p.46)




Colaboradora: Priscilla Larah

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Layout: Equipe Epifania | Tecnologia do Blogger | All Rights Reserved ©