sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Resenha | Fahrenheit 451 (Ray Bradbury)

Autor: Ray Bradbury - Editora: Globo Livros - Páginas: 216


Sinopse: O livro descreve um governo totalitário, num futuro incerto, mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instalados em suas casas ou em praças ao ar livre. A leitura deixou de ser meio para aquisição de conhecimento crítico e tornou-se tão instrumental quanto a vida dos cidadãos, suficiente apenas para que saibam ler manuais e operar aparelhos.
Fahrenheit 451 tornou-se um clássico não só na literatura, mas também no cinema. Em 1966, o diretor François Truffaut adaptou o livro e lançou o filme de mesmo nome estrelado por Oskar Werner e Julie Christie.

“Onde se lançam livros às chamas, acaba-se por queimar também os homens”.

Escrito em 1953, o livro Fahrenheit 451, é uma leitura obrigatória para os amantes de livros, exatamente por nos propor imaginarmos um futuro em que estes estão em extinção. 
Uma sociedade controlada por um governo totalitário. Sociedade essa que não questiona, não interage e se contenta com “famílias” criadas na televisão! 

"Como uma pessoa fica tão vazia?, perguntou a si mesmo. Quem esvazia a gente?"

As pessoas não se preocupam mais umas com as outras e são completamente alienadas! Não existe vínculo emocional nem mesmo entre casais ou pais e filhos. 
Montag é um bombeiro que cumpre sua obrigação! Neste futuro distópico, imaginado por Ray Bradbury mais ou menos no ano de 2020, a função dos bombeiros não é mais deter o fogo, sua função é incendiar livros a qualquer custo! Uma vida não vale nada, ainda mais se desobedecer o governo. Desprovidos de sua humanidade, os bombeiros incendeiam até pessoas que decidem ficar com seus livros em meio às chamas. 

"— Acelere o filme, Montag, rápido. Clique, Fotografe, Olhe, Observe, Filme, Aqui, Ali, Depressa, Passe, Suba, Desça, Entre, Saia, Por Quê, Como, Quem, O Quê, Onde, Hein? Ui! Bum! Tchan!Póin, Pim, Pam, Pum! Resumos de resumos, resumos de resumos de resumos. Política? Uma coluna, duas frases, uma manchete! Depois, no ar, tudo se dissolve! A mente humana entra em turbilhão sob as mãos dos editores, exploradores, locutores de rádio, tão depressa que a centrífuga joga fora todo pensamento desnecessário, desperdiçador de tempo!"

Tudo parece natural para Montag, até que ele conhece Clarice. Ela o mostra um mundo diferente, fala de outras pessoas além dela mesma, consegue olhar em volta e admirar a natureza. Trata-se de uma pessoa misteriosa que questiona e consegue ter pensamentos próprios. 

“O sentido é óbvio. Existe mais de uma maneira de queimar um livro. E o mundo está cheio de pessoas carregando fósforos acesos. Cada minoria, seja ela batista, unitarista; irlandesa, italiana, octogenária, zen-budista, sionista, adventista-do-sétimo-dia; feminista; republicana; homossexual, do evangelho-quadrangular, acha que tem a vontade, o direito e o dever de esparramar o querosene e acender o pavio. Cada editor estúpido que se considera fonte de toda literatura insossa, como um mingau sem gosto, lustra sua guilhotina e mira a nuca de qualquer autor que ouse falar mais alto que um sussurro ou escrever mais que uma rima de jardim de infância.” (p.211)

E depois de ver o fogo devorar uma pessoa e conversar com Clarice, Montag também decide olhar seu mundo de outra maneira e passa a se questionar sobre o que faz. E a partir disso, tudo o que ele considerava natural, até mesmo o vício de sua mulher por interação virtual e comprimidos, passa a não fazer mais sentido.
Livros proibidos, pessoas vazias e controle impiedoso da razão! Fahrenheit 451 promove grandes debates internos, porque parece que o autor viajou no tempo e conseguiu prever o que estamos vivendo hoje! Podemos encaixar diversas reflexões desse livro para o que fazemos em nossas redes sociais e nessa vida corrida que nos devora!

"O zíper substitui o botão e o homem não tem muito tempo para pensar ao se vestir pela manhã; uma hora filosófica e, por isso, melancólica."

Apesar da intensidade dessa leitura, não é daquelas que acontece muita coisa! As conversas entre os personagens, são muito mais valiosas do que suas ações. Uma leitura indispensável, intensa e altamente perigosa, porque nos mostra o poder dos livros e o como eles podem ser uma chama de calor em mentes congeladas pelo senso comum.

"Lembre-se, Montag, quanto maior seu mercado, menos você controla a controvérsia! Todas as menores das menores minorias querem ver seus próprios umbigos, bem limpos. Autores cheios de maus pensamentos, tranquem suas máquinas de escrever! Eles o fizeram. As revistas se tornaram uma mistura insossa. Os livros, assim diziam os malditos críticos esnobes, eram água de louça suja. Não admira que parassem de ser vendidos, disseram os críticos. Mas o público, sabendo o que queria, com a cabeça no ar, deixou que as histórias em quadrinhos sobrevivessem. E as revistas de sexo em3-D, é claro. Aí está, Montag. A coisa não veio do governo. Não houve nenhum decreto, nenhuma declaração, nenhuma censura como ponto de partida. Não! A tecnologia, a exploração das massas e a pressão das minorias realizaram a façanha, graças a Deus. Hoje, graças a elas, você pode ficar o tempo todo feliz, você pode ler os quadrinhos, as boas e velhas confissões ou os periódicos profissionais."

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