22 de setembro de 2015

Resenha | Primo Basílio - Eça de Queiroz

Título: O primo Basílio
Autor: Eça de Queiroz
Editora: Saraiva
Número de páginas: 464

Sinopse: Os textos dos Clássicos Saraiva são versões integrais e oferecem ao jovem leitor e o público em geral um amplo panorama de livros de leitura fundamental. Cada livro traz como leitura de apoio várias seções no seu final: diários de um clássico - uma versão sobre o autor, seu obra, linguagem e estilo, do mundo em que viveu e muito mais; contextualização histórica - um painel de textos de outras obras e de outros autores da mesma época; entrevistas imaginárias - simulação de uma conversa fictícia com o autor. Este volume traz um dos mais importantes escritores portugueses, Eça de Queirós (1845-1900) foi um arguto analista da sociedade e das relações humanas. Crítico implacável, satirista ferrenho, sua obra é uma luta contra toda forma de falsidade. O romance "O Primo Basílio" sintetiza essas preocupações e é um marco do realismo em Portugal. Na história da sonhadora Luísa, casada com um engenheiro respeitável, e de seu sedutor primo Basílio, Eça de Queiroz faz uma ousada crítica da sociedade burguesa do século 19. Um livro fascinante, que consolidou o realismo em Portugal e até hoje gera polêmica. Texto integral enriquecido com notas explicativas.




Essa é a típica história da Mocinha que se ilude e acredita num amor que vê como verdadeiro, mas que não passou de uma jogada barata para o homem conseguir usá-la, usando da lábia e de argumentos fajutos. Mas, engana-se você, que acha que é só isso. Quando o assunto é Eça de Queiroz, nunca a história conta com pouco.

Numa narrativa muito bem escrita e desenvolvida, me atrevo a dizer até muito cativante e prazerosa, Luísa, uma jovem muito bem casada e bem de vida dentro da sociedade da época, recebe a visita de seu primo, Basílio, um homem bonito, galanteador e que não vale nada. Este vê o quanto a prima vive bem e está bonita, não perdendo tempo para tentar seduzi-la, afinal, esse é seu maior dom.

Quando o marido de Luísa viaja a trabalho, este vê na solidão da prima a possibilidade de fazê-la se apaixonar e conseguir seu amor puramente por capricho e luxúria, e assim satisfazer seu prazer masculino. Suas investidas começam e se aprofundam, que Luisa logo se rende, diante de tanta paixão demonstrada pelo primo e da ausência do senhor seu esposo.

Não demora muito para que o coração da jovem esteja transbordando de amor e loucura por Basílio, acreditando que é correspondida. Da mesma forma que não demora muito para que a empregada de Luisa comece a perceber a paixão pulsante entre o casal de primos. Sua paixão é tanta, que a moça troca correspondências muito confidenciais de amor com seu amante, o que faz com o que sente por ele seja alimentado e que não perceba o canalha que o primo é.

Como nem tudo são flores e como já foi dito antes, Basílio só queria usar a prima para seu próprio prazer e necessidades de homem, se fazendo o melhor dos cavaleiros para conseguir tal feito, e uma hora ele cansou, indo embora e deixando a prima cheia de grandes sentimentos.

Luísa percebe o quanto foi tola, que poderia ter arruinado seu casamento tão bom, o quanto foi injusta com seu honrado marido e o se sente horrível por ter sido enganada e usada. Sofre, sofre muito por tudo isso, mas não sofre nem a metade do que ainda está por vir.

Sua governanta começa a fazer chantagem, querendo perfumes, roupas caras, jóias e descanso. Luísa vira a empregada da casa, enquanto quem deveria estar fazendo o serviço, na verdade, está tripudiando da moça e fazendo várias ameaças de contar para o marido tudo que aconteceu.

Não demora muito para que o marido volte de viagem e encontre essa nova rotina da casa. De início ele desconfia, mas Luísa sempre arruma uma desculpa para o que está acontecendo. Chega um momento que ele não aceita mais e acaba descobrindo o caso entre Luísa e Basílio.

A essa altura, a jovem esposa já está exausta e doente, vindo a morrer em conseqüência de uma paixão fervorosa, sem valor e sem sentido.
Eça de Queiroz é um dos nomes mais fortes da Literatura Portuguesa e um dos meus preferidos. Mostra a banalidade, a cólera e a maldade humana de um jeito simples, em meio a romances, mas sem deixar de fazer críticas a uma sociedade cheia de "não-me-toque", mas completamente hipócrita e egoísta. Vale lembrar também que o livro tem adaptação para o cinema que vale muito a pena ver.

"E Luísa tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saíam delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido: sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim uma existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, a alma se cobria dum luxo radioso de sensações!"


Sobre o Autor:
Natalia MenezesNatalia Menezes |  Twitter  |  Todos os posts do autor
Amante de futebol, música, filmes e livros, sempre foi apaixonada por histórias, seja lá de qual maneira forem contadas. Ama tanto lidar com o abecedário em forma de frases e parágrafos, que acabou se formando em Letras.


Comente com o Facebook:

2 comentários:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Layout: Equipe Epifania | Tecnologia do Blogger | All Rights Reserved ©