sábado, 19 de dezembro de 2015

Joga pedra na Geni!

Se você possui alguma rede social ou, ainda, um amigo que possua, tomou conhecimento do caso de Fabíola, seu marido, o amigo e o cinegrafista.

Se por algum motivo você perdeu tudo isso (talvez estivesse em coma, porque só assim para ficar livre disso), farei um breve resumo:

Uma mulher casada, adulta, foi flagrada pelo marido e um amigo saindo de um motel com outro cara, também casado, e também adulto e, por acaso, amigo do casal.

Faço questão de ressaltar que todos os envolvidos eram adultos para que fique bem claro que todos eram conscientes do que estavam fazendo.

Fabíola traiu o marido. O motivo? Não sabemos, e não devia nos interessar. Léo (o amigo) traiu a esposa. O motivo? Não devia fazer a menor diferença.

Não vou fazer ode à traição. Este não é um artigo em defesa de quem trai. Tampouco tentarei achar argumentos a favor deste ato. O que eu penso, e me estimulou a escrever aqui, é que traição em um, ou dois, casamentos, só deveria interessar aos envolvidos no imbróglio. Mas não é o que aconteceu. E vem acontecendo e crescendo na mesma proporção que crescem as redes sociais.

O "caso Fabíola" caiu nas redes e viralizou de tal forma que qualquer pessoa, em qualquer canto do país, com certeza sabe do que se trata. E com o conhecimento do caso, vêm as opiniões, ataques, defesas ...

Cada um toma seu partido, os juízes do facebook apontam e dão seus veredictos. Os advogados acusam, outros defendem. Discutem, debatem... A vida alheia.

E o mais surreal: No vídeo, há um "cinegrafista" que a todo minuto incita à violência, expõe Fabíola, insiste em que ela mostre o rosto para a câmera. E há um marido, revoltado, agressivo, que puxa o cabelo da esposa traidora, difere tapas, e destrói, o quanto consegue, o carro do amigo traidor. Mas nada disso importa. Não estamos nas redes sociais julgando a agressão, nem a destruição do carro, do celular... Também não importa que Léo também fosse casado. Afinal, homens estão certos em traírem suas esposas, né? Comum... Em dado momento, o cinegrafista até diz: "tanta piranha, Léo..." Claro, ele poderia ter escolhido qualquer uma para trair sua esposa. Lamentável que tenha escolhido a mulher do amigo.

Mas nada disso importa. O que foi julgado nos tribunais virtuais foi a conduta de Fabíola.
Puta. Traidora. Safada. Piranha.
Estes foram alguns dos milhares adjetivos que ela ganhou nos últimos dias. Ninguém se importou se ela tem uma mãe, uma avó... Ninguém se importou se ela tem filhos que talvez possuam celular e receberão um desses vídeos ou inúmeros memes com a foto da mãe.

Ninguém se importou que ela foi agredida. Exposta. Humilhada.

Falta amor. Falta empatia.

Vi pessoas encontrando justificativa para a reação do marido. Outras aplaudindo "Leo". 

Afinal, ela deve ter "esfregado na cara dele" e ele, "como bom homem, teve que pegar".


Vi de tudo. Mas um "tudo" que recai apenas em cima de Fabíola. A única errada da história. 

Mais uma Geni, em pleno 2015.







Sobre o Autor: 
Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!

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