segunda-feira, 20 de junho de 2016

Eliza, o que você tem? - Parte 2

Olá, tudo bem?



Há uma semana fiz um post dizendo que talvez faria uma sequência de textos bem pessoais falando de minha saúde... Se você não viu a primeira parte, pode lê-la clicando aqui.

Pedi que vocês me dissessem se achariam válido essa ideia, se gostariam de ler sobre isso, e as respostas vieram pelos mais variados tipos de redes sociais. A maioria por inbox no face (o que mostrou que amigos desejam conhecer mais sobre algo que eu pouco falo), algumas por instagram e até twitter... 

Sendo assim, aqui estou eu. Com o intuito de desabafar usando um pouco deste espaço que tenho tanto carinho! 




Para que tudo fique bem claro, vamos voltar ao ano de 1999. Eu tinha 13 anos, estava na 7ª série (hoje, 8º ano), e acordei em um final de semana, após um pesadelo, com bastante dor de cabeça. 

Dores de cabeça eram recorrentes em minha vida: Neosaldinas e afins já faziam parte do meu dia a dia. 



Com 10 dias de vida eu tive meu primeiro desmaio - e ele durou um bom tempo. 

Com 6 meses, minha perna passou a ter vida própria  tremer e levantar-se sozinha. Foi aí que, levada ao neurologista, recebi o diagnóstico de disritmia cerebral. Que se você quiser saber sobre o que é, clique aqui (neste site que eu não conheço, mas me pareceu explicar bem direitinho. Porém, eu nunca tive nenhuma crise de epilepsia, apenas desmaios e os tremores já citados.)
Enfim, tratei a tal disritmia cerebral desde que fui diagnosticada, tomando um medicamento chamado Tegretol, diariamente, e fazendo eletroencefalograma regularmente.
Com 12 anos descobri um grau de miopia e astigmatismo que já me impedia de enxergar bastante coisa de longe... 

Por conta disso tudo, minhas dores de cabeça eram vistas como "comuns". Ou eram por causa da vista, ou por causa da disritmia, ou por ter mordida cruzada (sim, usei aparelho para corrigir os dentes e, principalmente, diminuir as dores de cabeça que seriam causada por isso também).

Mas no tal dia do pesadelo de 1999, a dor era bem diferente de todas que já tive. Ela começava na nuca e, inicialmente, era mais um incômodo do que de fato uma dor.

Neste final de semana, seria o último jogo do campeonato carioca, e o Flamengo jogaria contra o Vasco. Na Segunda-feira seguinte eu teria uma prova de matemática cuja matéria não estava dominando (sendo de Humanas desde sempre). Combinei, então, com minha amiga Natalia (Siiim, a colaboradora deste Blog), que estudava comigo desde o C.A. (hoje 1º ano, e essas informações só servem para nos lembrar como estamos envelhecendo), dela ir lá pra casa no sábado e, assim, estudaríamos juntas e assistiríamos ao jogo. E foi o que fizemos. 

Natalia era aquela amiga que sabia tudo de todas as matérias, sabe?! Além disso, era amiga de passar final de semana em casa, de dançar imitando girl band (ok, isso não precisava ser contado), de assistir aos jogos juntas - mais o meu avô ... Enfim, melhor-amiga-pau-pra-toda-obra. 

Acontece que aquele incômodo na nuca não passava. Não aproveitei o Jogo como gostaria, não comemorei e, nem preciso dizer, não entendi nada da matéria da prova. 
Mas o Flamengo foi campeão - importante ressaltar.

E, como de costume em dias em que o Flamengo ganhava jogos importantes, fui para a escola com a camisa do time por baixo da de uniforme. E, como fazia um pouco de frio, uma jaqueta. Cheguei na escola sentindo mal já. Suava frio. Pensei ser nervoso pela prova, ou calor pelo tanto de roupa. Fui ao banheiro e tirei tudo, fiquei só com a camisa de uniforme. E fui fazer a prova.

Eu sentava na primeira carteira, colada à mesa do professor (nanica desde sempre também). Quando recebi a prova e a olhei, as letras pareciam que dançavam na folha e, ao mesmo tempo, o incômodo na nuca virou uma dor intensa que nunca havia sentido, e não desejo a NINGUÉM nesse mundo.

Levantei tentando não chorar na frente da turma (coisa de adolescente), e avisei ao professor que precisava sair pra tomar um remédio. Cheguei na secretaria da escola já aos prantos - de dor e desespero. Como eu segurava a nuca, as funcionárias acharam que eu pudesse estar com meningite, ligaram na mesma hora pra minha mãe, que imediatamente me levou a uma médica que chamaremos de Dra. Negligente, ok!?

Dra. Negligente nem bem me olhou (a consulta era particular, vale ressaltar) e disse que eu estava com "virose". Passou um remédio qualquer lá, e fomos embora. Com isso, a dor só aumentava, espalhava por toda a cabeça numa intensidade monstra, e eu comecei a vomitar em jatos. 

Voltamos na Dra. Negligente no dia seguinte. Dessa vez ela me deu uma examinadinha, trocou o medicamento, suspeitou de Dengue e pediu uns exames. E eu? Berrando, chorando, desesperada, parecendo que meu cérebro ia sair pela cabeça. E as pessoas me olhando com cara de "que exagero!". Mas não era. Acreditem!

Minha mãe, com esse instinto de todas as mães, e aconselhada por uma tia, me levou em outra médica ao invés de fazer os exames. Chamaremos essa de Dra. Competente

Dra. Competente examinou-me e mandou que eu fosse direto à uma oftalmo para confirmar "algo que ela pensava ter visto". Fomos. A oftalmo, (Dra. Desesperada), fez uma cara de pânico e falou pra minha mãe assim:

- "A vista dela tá sangrando. Por dentro. Muito."

Volta na Dra. Competente, que faz uma carta para um neuro e manda que eu vá imediatamente. 

(A ordem entre a Dra. Competente e a Dra. Desesperada pode ter sido o contrário. Mas eu tô contando como manda minha lembrança.)

Fomos ao neuro que já cuidava da minha disritmia... Em uma cidade vizinha. Nisso a dor já era algo que não tem como descrever... 

Chegando lá, fui examinada de todas as formas, descartado qualquer tipo de relação com a disritmia, começaram os pedidos de exames. 
Cada exame era feito para descartar uma doença diferente, que foi de tumor no cérebro, passando por Esclerose Múltipla, trombose cerebral, e muitas outras. 

Minha mãe, sendo a fortaleza que sempre foi (mesmo ela não acreditando nisso), cuidou para que eu não tomasse consciência da dimensão do problema que estávamos enfrentando. E eu, apesar da dor alucinante, não pensei em nenhum momento que fosse morrer ou ter qualquer problema por causa da dor: já os médicos, sim.

A falta de informação na época foi determinante para que eu passasse por isso como "cobaia". O neuro, um dos mais renomados da Região, fez o que pode. Mas a verdade é que não se tinha muita informação a respeito do que eu tinha e, menos ainda, do que causava aquilo.

Alguns medicamentos depois, acertamos um que amenizava a dor de forma que eu conseguia não chorar mais 24h por dia. Mas ainda sentia necessidade de apertar a testa, próximo à sobrancelha - me dava uma sensação de alívio maior. 

Descobriram que o que eu tinha na vista e estava causando a hemorragia, era um papiledema - explicação sobre o que é isso, clique aqui. Mas o porquê disto, não sabiam ao certo. 

Minha vista direita paralisou totalmente. Eu usava um tampão e só retirava pra tomar banho. As pessoas me olhavam torto, algumas perguntavam o que era na cara dura... Mas, curiosamente, nada me afetava emocionalmente. Eu me sentia cuidada. Eu não tinha noção do que estava realmente se passando... Eu só não queria ficar "vesga" pro resto da vida. 

E foi aí que o Neuro afirmou que, sim, eu ficaria com a vista paralisada pro resto da vida. O papiledema havia afetado o nervo óptico de tal forma que não haveria recuperação. 

Os medicamentos que eu tomei me fizeram engordar muito, minha vista não voltaria ao normal, e eu estava proibida de praticar esporte. Na época eu fazia Ginástica Olímpica, parei quando tudo começou. E, como qualquer adolescente vaidosa, foi nessa hora que eu senti a merda que minha vida estava virando.

Você deve estar pensando o quão fútil eu era. Na verdade, não. Eu apenas fui colocada dentro de uma redoma criada pela minha mãe, que me fez passar por tudo sem notar a gravidade do problema. Então, a ficha só caiu quando me olhei no espelho, vi uma "outra pessoa bem diferente", e ouvi as palavras do médico de que estava "curada", porém com a vista paralisada pra sempre. 

Enfim, se você me conhece, deve saber que minha vista não ficou paralisada pra sempre! O motivo? O Neuro não soube explicar. Mas "tamo aí", e "vambora vivendo"!

Recebi alta, ele disse que o que eu tive não voltaria e que eu estava realmente curada! 

Vivi por 15 anos tendo dores de cabeça sempre. Mas nunca comparadas às de antes. Neosaldina já é como bala pra mim. Faz parte da vida. E assim era... Até dois anos atrás. Quando tudo mudou...

Mas essa parte vai ficar pra semana que vem. Como eu disse, tudo dividido em partes... O assunto já foge ao Blog, se eu for escrever um livro aqui então...rs 



Beijos pra vocês, e quem tiver interesse em continuar acompanhando toda essa história e que me trouxe até o atual momento... até a próxima segunda! Fora isso, o Blog segue com seu conteúdo normal!

Até!


Sobre o Autor: 

Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!




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6 comentários:

  1. Cada vez que leio sua história, admiro mais a sua mãe... <3

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    1. Eu só sei te amar assim minha filha , e torno a falar que eu trocaria de lugar com vc , sem problemas ,mas DEUS não quer me escutar .Te amo ,muito !

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    2. Mamis <3 Da pra colcoar seu nome aí, tá? <3 rs

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  2. Que linda sua mãe! Estou lendo e irei acompanhar!

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  3. Que linda sua mãe! Estou lendo e irei acompanhar!

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