sexta-feira, 17 de junho de 2016

Resenha | Mulheres que não sabem chorar (Lilian Farias)

Título: Mulheres que não sabem chorar
Autor: Lilian Farias 
Editora: Giz Editorial
Número de páginas: 210



Sinopse: A vida de Marisa é regida pelo controle. Seja à frente do seu trabalho ou da vida dos filhos, ela é racional, mantendo-se sempre fria, um ser à parte das banalidades, cuja única preocupação é ser um exemplo. Olga é sua antítese. Sentimentos à flor da pele, dor flagelando a carne, pensamentos embaçados pelo esquecimento proporcionado pelo álcool. Sozinha, preocupa-se em apenas ser, em um mundo cercado por fatos que não reconhece mais como seus. Enquanto isso, Ana e Verônica esbarram com o acaso. Duas senhoras solitárias, vizinhas e antagônicas. Será que um dia alguém acharia que poderiam viver em paz? Mais ainda, será que poderiam se apaixonar? Duas jovens livres e independentes. O que as impede de ficar juntas? Mulheres que não sabem chorar é mais que uma história de amor entre iguais. Junto a estas personagens tão humanas, o leitor vê-se despido dos preconceitos, pudores e medos. Ora crua, ora poética, a trama nos obriga a enfrentar o espelho e se ver como nunca imaginou antes. Pois ao mergulhar neste romance, o que fará você pensar não é a forma como vê o amor, mas sim a forma com que ele se volta em sua direção. Esteja preparado. (Por - Danilo Barbosa, autor de Arma de Vingança) 



Oi, genteee! Tudo bem por aí? 

Por aqui, pelo menos por parte das leituras, tá tudo lindo! Tenho tido a sorte com excelentes leituras e tomara que assim continue!!! rs

Vamos falar de minha última leitura então... Que, preciso destacar, foi realizada DUAS vezes. 
A minha intenção era postá-la no dia dos namorados, pois queria algo que fugisse aos casais heterossexuais habituais, e mostrar outros amores que temos por aí. E "Mulheres que não sabem chorar", da autora Lilian Farias parecia perfeito para a situação. 

Após dar uma olhada no skoob, me interessei por TODOS os livros da autoria de Lilian que encontrei lá, além do já citado, claro.  Sendo eles: 



                                         


Como sempre faço, entrei em contato com a autora, expliquei nosso trabalho aqui no Blog, ela aprovou e pediu que eu escolhesse um de seus livros. Confesso que não foi fácil a escolha... Os outros estavam ali me chamando...Mas, optei pelo "Mulheres que não sabem chorar" justamente pela sinopse... Por tratar-se de um romance homoafetivo entre mulheres, leitura - contemporânea -  que eu ainda não havia realizado, embora tenha vários livros que tratam do amor entre homens. 

Escolha feita, foi só esperar o livro chegar para iniciar a leitura. E foi aí que começou minha surpresa extremamente positiva com a obra de Lilian. 

Primeiro que não trata-se APENAS de um, ou dois, romances homoafetivos na história... Lilian vai muito além! 

Temas como alcoolismo, violência sexual, empoderamento, silenciamento de vítimas, e tantos outros que cercam as pautas feministas (e assustam quem tem um mínimo de consciência social) são tratados em uma narrativa que, ao mesmo tempo em que é dura e seca - mostrando a cruel realidade de todos os dias de muitas e muitas mulheres - consegue ser poesia que se mistura com o amor que tanto procuramos, vezes encontramos e tantas outras não sabemos o que fazer com ele!

Cada capítulo do livro foi nomeado com um nome de flor, retirado do dicionário vitoriano, encontrado por Lilian no livro "A linguagem das flores", de Vanessa Diffenbaugh. O significado de cada flor escolhida para cada capítulo é explicado ao final da leitura. E, pegando emprestada esta ideia, faço o mesmo agora - com algumas flores não utilizadas no livro -  para falar sobre minha experiência com o tão adorado por mim,  "Mulheres que não sabem chorar".

Álamo-negro (coragem)

Vivemos em uma sociedade machista, opressora pelo sistema patriarcal há séculos. Superar e vencer essa dura batalha é difícil e necessita de muita resistência. Mas não iremos esmorecer.
Se no dia a dia já convivemos com uma variedade sem fim de situações que nos colocam em posições inferiores aos homens, pelo simples fato de sermos mulheres, imagina escrever um livro com romances entre mulheres e, junto a isso, questões que atingem diretamente o ego do patriarcado e mexe fundo com os sentimentos das mulheres!? Pois, eu duvido você ler este livro e sair imune, e não se enquadrar em alguma situação, nem que seja por lembrança ou notícias de jornais. 
Lilian Farias foi de uma coragem imensurável ao colocar no mercado literário um paradoxo entre delicadeza e enfrentamento. 
Cada vez que uma mulher conta sua história, ou reconta a de outras, estamos enfrentando nossos próprios medos, sofrimentos e angústias. Estamos dizendo NÃO à superioridade masculina, e nos recusando a ser silenciadas. E Lilian fez isso. E fez com maestria. 



Cravina barbatus (bravura)

Já na dedicatória inicial, percebemos o que está por vir... Com o trecho: 

"Dedico este livro a todas as mulheres que outrora sofreram para que, hoje, eu fosse livre de corpo, alma e mente. Às mulheres da minha família, que emanaram em minhas células a força das guerreiras que amam a liberdade e que vivem da liberdade."

Infelizmente, nem todas nós nascemos em uma família que nos incentiva desde sempre a sermos nós mesmas, à lutar contra o que nos oprime e, principalmente, a buscar nossa liberdade!

Para o prefácio, Lilian teve a sutileza de nos presentear - entre outros -  com um relato de Adriana Lohanna, transexual e com um currículo rico que inclui, entre tantas coisas, ser pesquisadora na área de gênero e diversidade sexual e que, citando Simone de Beauvoir, com a célebre frase que poucos entendem: "Não se nasce mulher, mas, sim, torna-se mulher!",  foi precisa em nos dizer que "nossa sociedade não consegue entender que não nos definimos por um simples pedaço de carne entre as pernas."

Antes do primeiro capítulo, somos avisados de que a "obra é baseada na vida real de várias mulheres que, nos desencontros da vida, decidiram esvaziar..." 

Porém, mesmo com o aviso em destaque, tão logo iniciamos a leitura, percebemos que nada ali trata de ficção pura. São histórias de mulheres que estão ao nosso lado, nosso redor, embaixo de nosso nariz. Mulheres sofredoras, batalhadoras e que, na maioria das vezes, passam despercebidas por essa sociedade que as enclausura em sentimentos que lhes fazem perder a própria essência. 

É preciso bravura. Para falar, para se ouvir, para contar suas histórias, para vencê-las e, principalmente, para ter sabedoria e argúcia para escrever um livro, recontando, remontando, recriando, a luta de cada uma delas. E Lilian teve.



Íris (Mensagem)

O livro tem como personagens centrais, duas mulheres por volta de seus 50 anos. Olga e Marisa são vizinhas e, após anos de diferenças gritantes, encontram-se num momento de alta vulnerabilidade de Olga, onde Marisa resolve salvá-la. 
A partir daí, as diferenças, brigas e raivas de antes, transformam-se em uma delicada amizade que tão logo desperta o desejo praticamente incontrolável. E, do desejo para o amor é um salto curto, porém cheio de dúvidas e receios, principalmente por parte de Marisa. E tal atitude nada mais é do que reflexo da sociedade, já citada nesta resenha; machista e preconceituosa em que vivemos. 
As duas passam a viver essa relação "às escondidas", com o temor de que a vizinhança descubra algo entre elas. 
Marisa, uma mulher racional e controladora, não aceitaria que seus vizinhos descobrissem que passou a manter relações amorosas e sexuais com sua vizinha alcoólatra. 
Olga encontrou no álcool, uma forma de manter-se distante das lembranças e feridas do passado. E encontrou em Marisa, força para tentar superar tal vício. 

Paralelo à história de Olga e Marisa, temos Ana e Vitória, outras duas personagens, cada qual com suas particularidades e que, de certa forma, entrelaçam-se na trama das primeiras. 

O melhor do livro, é o poder que Lilian tem de tratar assuntos tão recorrentes para nós mulheres, de forma com que nos identifiquemos em cada personagem. 

Junto ao romance, temos mistério, busca por justiça - ou vingança -, cenas e finais surpreendentes!



Essa leitura me deixou uma ressaca literária forte. Me deu uma paz no coração em saber que existem pessoas por aí, como Lilian, como cada mulher que ela ouviu, que, mesmo com as dores e dificuldades, ainda encontram força para lutar. Mulheres que, já acostumadas com as mazelas e desigualdades, (des)aprenderam a - não -  chorar. 

"Eu já não lamento"


Há muito ódio no mundo e só o amor pode vencê-lo! Como dito em uma das últimas frases do livro: "Todo esse ódio é um câncer!"

Então seja diferente: Seja amor, espalhe amor! 

E a todas as mulheres que lerão esta coluna: Empoderem-se!!! E leiam "Mulheres que não sabem chorar".

Obrigada, Lilian Farias, por me permitir conhecer este livro!  Gratidão!





Site da autora: http://www.lilianfarias.com.br/
Skoob: https://www.skoob.com.br/autor/5825-lilian-farias
Fanpage: https://www.facebook.com/escritoralilianfarias/





Sobre o Autor: 
Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!

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2 comentários:

  1. Nossa, você me deixou sem ar com tuas palavras sensíveis, parece que engoliu o livro e viveu tudo. Obrigada!

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