quinta-feira, 16 de junho de 2016

Vamos falar sobre FEMINISMO?




Eu vi muitas pessoas postarem esta foto nas redes sociais, mas o que mais me assustou foi a quantidade de mulheres fazendo isto. E por que me assustou? Porque pelos comentários não é uma simples vontade de mundo melhor, com respeito e dignidade. Não! Foram críticas duras para o movimento Feminista.

Ano passado, com uma única questão no ENEM e com uma proposta de Redação que falava de um assunto muito abordado pelo movimento (e era um tema que não era Feminismo, só poderia vir a ser relacionado a ele) muitas pessoas reclamaram que era uma prova Marxista por abordar temas como este. Novamente foi um momento que fiquei assustada. Primeiro porque mostrou claramente um preconceito rasgado por algo que nem conhecem e segundo porque tem muita gente que precisa estudar mais História, Filosofia, Sociologia (porque não sabe o que é Marxismo e nem Feminismo) e Português (porque são muito ruins em interpretação de textos).

Desde já peço desculpas às pessoas conhecedoras do assunto por dar uma explicação tão simples sobre o assunto, mas a ideia é explicar para leigos de maneira que possam entender melhor.

Vamos esclarecer algumas coisas:

1- Feminismo não é o contrário de Machismo. Não achamos que tudo que mulheres sofrem, os homens é que têm que sofrer no nosso lugar;

2- É um movimento que busca a igualdade, ou seja, mesmos direitos, deveres, reconhecimento e respeito na sociedade como um todo, coisa que, infelizmente, ainda não acontece, as pessoas admitindo ou não;

3- Não fazemos pacto com Diabo. Pelo contrário, muitas e muitas ativistas são cristãs como você que está lendo. Isso é um movimento social, não tem como objetivo questionar a religião dos outros;

4- Não somos contra o valores de família e casamento. Boa parte das Feministas são casadas e com filhos. Entendam: ter família não impede ninguém de lutar por direitos que são justos e que contribuem para a sociedade;

5- Não achamos que todas as mulheres do mundo não podem casar. Queremos que tenham o direito de escolher se querem, com quem querem e quando querem casar. Nem todas as mulheres do mundo sonham em casar e não é justo viver num casamento infeliz porque temos obrigação de casar;

6- Não achamos que todas as mulheres do mundo têm que deixar a maternidade para se dedicar à carreira profissional. Achamos que temos o direito dos dois. E digo mais, no dia que o homem perceber que o papel dele na família já não é só pagar as contas, ambos terão família equilibrada e carreira realizada;

7- Achamos sim que a mulher tem o direito de escolher ter ou não filhos. Tem algumas que não querem ter ou aumentar a família. E não podem ter porque a sociedade cobra isso. Ainda mais que pode correr o risco de não serem uma boa mãe por não estarem preparada para isso;

8- Não achamos que todas as mulheres têm que trabalhar fora. Achamos que a mulher tem o direito de escolher o que quer fazer da vida dela. Se ela quer ser dona de casa por escolha própria, achamos que ela tem mesmo que ficar cuidando exclusivamente da casa. Mas por ela, não porque o marido mandou, o pai escolheu ou a sociedade acha que só este deve ser o papel da mulher. Imagina que horrível você querer ser médica, mas ser obrigada a cuidar da casa. Não fazemos campanhas contra Donas de Casa, fazemos campanhas para as mulheres terem o direito de escolha;

9- Feminismo não é partido político. Nós não votamos todas no mesmo partido, no mesmo candidato e nem exclusivamente em mulheres. Sim, lutamos para participar mais da vida política do nosso país porque somos cidadãs e porque todos nós fazemos política nas nossas vidas, logo é normal que muitas de nós queiram estar inseridas nos movimentos partidários. Vale ressaltar aqui que o Feminismo não pagou o PT ou a Dilma para cair uma questão no ENEM do ano passado, igual muitas pessoas disseram. O movimento Feminista caiu porque é um movimento social visto em História e Sociologia. Não sei se todos sabem, mas quem faz as provas são professores, pessoas que estudaram e conhecem os assuntos abordados, e embora não sejam muito respeitados na nossa sociedade, são profissionais muito importantes. Enfim, não foi a Dilma só porque é mulher (eu queria entender como alguém pode pensar uma "bosta" dessas);

10- Como boa parte dos movimentos sociais, existem correntes, que tem pontos em comum e outras diferentes. Para ser Feminista não precisa concordar com todas. Se você acha que merece ser tratada com o mesmo respeito que o homens recebem, que merece receber os mesmos salários que os homens ganham, que merece ser tratada na sociedade e pelas leis como os homens são tratados, que merece não ser julgada da mesma forma que os homens não são e que merece ter opiniões como eles têm (etc, etc,etc), bom, você é uma Feminista, mesmo que não seja ativista.

Sei que muitas mulheres têm problemas com as consideradas "Feministas radicais". Quero fazer duas considerações muito importantes:

- A primeira é que as "radicais" já não são maioria no movimento como já foram um dia. Essa ideia de que toda a Feminista usa roupa masculinizada e acha mal de todo e qualquer homem é muuuuuuito ultrapassada (e para falar a verdade nunca foi inteiramente real). A gente não está mais no final do século XIX e início do século XX. A gente já está na segunda década do século XXI. A gente vive num mundo tão informatizado, que as pessoas poderiam pelo menos procurar mais sobre o assunto antes de acharem no direito de ter razão;

- A segunda é que não dá também para criticar àquelas mulheres que foram consideradas radicais. Naquele momento aquilo era preciso e se hoje já conseguimos voz e direitos foi graças a elas. Então esse povo que fica falando que acha que isso foi um absurdo, ridículo, desnecessário, lembre-se que hoje podemos ter a profissão que queremos, podemos votar, podemos casar com quem amamos, casar na hora que queremos, ter filhos na hora que queremos, se podemos usar o

Então esse povo que fica falando que acha que isso foi um absurdo, ridículo, desnecessário, lembre-se que hoje podemos ter a profissão que queremos, podemos votar, podemos casar com quem amamos, casar na hora que queremos, ter filhos na hora que queremos, se podemos usar o cabelo da forma que queremos, se podemos ter opinião - pasmem! Até mesmo contra o Feminismo - (etc, etc, etc) foi porque elas tiveram que ser radicais. E, se hoje ainda existem, mesmo que num número menor, é porque ainda precisamos. E novamente isso me assusta. Não o radicalismo em si, mas a insistente falta de ver a mulher como ela deve ser vista. Uma coisa é certa: você não precisa ser à favor do radicalismo (grande parte das situações eu não sou), mas se ele existe, na maioria das vezes, é porque permitimos que exista por conta da nossa forma de levar o mundo.

Enfim, voltando a foto do início do texto... também acho maravilhoso um mundo onde "ismos" não existam. No entanto, muito infelizmente ele está muito, mas muito longe de existir, porque estes sufixos só deixam de existir quando houver algo simples, porém difícil no mundo, chamado RESPEITO. E enquanto isto não acontecer, continuaremos lutando por nós. Então, por favor, não use dessas frases fingindo boa intenção para esconder seu preconceito e ignorância.

Só para lembrar: você não precisa concordar com nada que eu disse. Mas para continuar neste teu mundo melhor precisa saber o significado de RESPEITO.


E você, o que acha de tudo isso?
Beijos, e até o próximo post!


Sobre o Autor:
Natalia MenezesNatalia Menezes |  Twitter  |  Todos os posts do autor
Amante de futebol, música, filmes e livros, sempre foi apaixonada por histórias, seja lá de qual maneira forem contadas. Ama tanto lidar com o abecedário em forma de frases e parágrafos, que acabou se formando em Letras.


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