segunda-feira, 4 de julho de 2016

Eliza, o que você tem? - Parte 4

Olá, tudo bem por aí? 

Mais uma segunda-feira e, como vocês já se acostumaram, bora lá falar de coisas não tão boas... Depois voltamos com "a programação" (que nunca tem) normal! rs

Se você não sabe do que estou falando, confira os posts anteriores desta série: 

Parte 1  -  Parte 2  -  Parte 3



Vocês devem estar pensando: "Não acabou ainda, mesmo depois daquilo tudo?" Pois é, não. Não acabou. 

No último post, eu concluí dizendo que faria uma punção lombar com manometria, para medir a pressão intracraniana no dia seguinte, e que depois contaria aqui como foi. Assim como, entraria na parte do fator psicológico. 

Pois bem, fui ao Rio na última terça-feira, 28, para realizar o exame. Uma ambulância pequena, cedida pela prefeitura, pegou eu e o namorido aqui em casa às 5h. O exame estava marcado para as 9h e, o motivo de irmos de ambulância, é porque precisaria voltar deitada. Caso fosse uma distância pequena, dentro da mesma cidade, o banco de um carro reclinado seria suficiente. Mas, como daqui até o local em que o exame seria realizado são uns 170 km, foi necessário a ambulância. 

Correu tudo bem na viagem. O exame é bem desconfortável e dolorido, mas também correu dentro do esperado.
Precisei tomar anestesia duas vezes, mas fora isso, tudo sob controle. 

Fiquei com as costas doendo praticamente uma semana. Isso não estava dentro do esperado. Como eu já havia feito esse exame aos 13 anos de idade, achei que fosse ser igual e a dor sumir dentro de 48h. Mas não... Tô velha, né? Outro corpo e tal....rs 
Senti bastante dor e, até hoje, o local em que é inserido a agulha para coleta do líquor, ainda está roxo. 

A pressão estava 22 e após a coleta ficou em 15. Amanhã irei ao Dr. Iluminado levar o campo visual, o Fundo de olho e relatar quanto estava a pressão. Dessa forma, ele decidirá pelo tratamento adequado. 

A pressão em 22 pode não ser considerada tão alta. Mas alguns fatores podem ter influenciado para que ela reduzisse. Tanto que as dores, antes diárias, também reduziram nos últimos meses. E isso pode ser explicado por eu estar praticamente na cama esse tempo todo, sem esforço físico e tudo que causa o aumento da PIC.

Acontece que, desde que recebi o diagnóstico definitivo, eu desenvolvi síndrome do pânico, transtorno de ansiedade generalizada e depressão (Isso tudo segundo a psiquiatra, ok? Ok.)

No mesmo dia em que recebi o diagnóstico, algumas horas depois, eu comecei a sentir uma dor muito forte no peito, dor seguida de dormência no braço, vômito, e tive uma crise de choro histérica: eu tinha certeza que estava infartando. Corremos para o hospital, fiz eletrocardiograma, tomei uma dipirona para as dores e, no final, recebi um encaminhamento para a psiquiatra. A médica de plantão insistiu muito para que eu não deixasse de ir, e explicou que o que tive foi uma crise de pânico

Mesmo um pouco desacreditada, decidi que iria à psiquiatra indicada. Mas, antes disso, as crises se repetiram duas vezes seguidas, em um mesmo dia. 

Fui à psiquiatra e com ela estou até hoje. As crises ficaram um tempo sendo diárias, eu não conseguia colocar o pé pra fora da porta sem ter uma crise. Com o tratamento adequado e as consultas, foram diminuindo. Já consigo ir ao médico sem achar que vou morrer no caminho. Já consigo passar o dia inteiro (em alguns, quase inteiro) sem achar que alguém vai morrer. 

Ainda não consigo ficar em lugares com muitas pessoas, principalmente desconhecidas e/ou 'falantes' demais. Ainda passo a maioria dos dias dentro do meu quarto, isolada, pois é aonde eu me sinto protegida. 

As pessoas "de fora" têm muita dificuldade de entender isso. Algumas acham que é frescura, outras acham que é falta de empenho meu para melhorar (e muitas vezes eu acredito nisso e tudo só piora), e tem sempre aquelas que acham que é falta de religião.

Respeitar o outro não é tarefa fácil. Eu me irrito, mas no fim, acabo por entendê-las. Eu também passei muito tempo achando que era fácil se livrar de doenças assim; que bastava querer. Eu também já estive do outro lado, do lado dos julgadores. E hoje entendo que só quem passa por qualquer um desses fatores que entende o que eu sinto, o que eu estou falando.

Já melhorei bastante em vista do início. Mas tenho muita coisa para melhorar. Tem muito chão ainda pela frente até eu poder olhar no espelho e enxergar a mim mesma de novo. 

Tenho ainda que me livrar dos pesadelos que tornaram-se frequentes e me fazem falar e gritar dormindo. Outra novidade, pois nunca tinha acontecido. 

Preciso me livrar da dermatilomania de uma vez por todas. "Mania" de coçar/cutucar alguma parte do corpo até feri-la, que adquiri em 2014, quando toda a parte neurológica começou a ser esclarecida pra mim, e que piorou este ano, com o diagnóstico recebido. De todos os problemas psíquicos, este é o que mais me incomoda e envergonha, pois faço sem perceber na maioria das vezes.
No meu caso, eu machuco minha cabeça e as mãos. Mas a dermatilomania pode ser vista em diferentes parte do corpo, dependendo do paciente.

Eu posso dizer que tenho MUITA sorte. Pois tenho um filho que compreende tudo que eu estou passando, apesar dos seus poucos 10 anos de vida. Que respeita minhas dores, meus dias mais difíceis e não questiona o fato de, mesmo eu estando em casa todos os dias, ele continuar passando as tardes na casa da avó.
Tenho o 'namorido' que é a pessoa mais especial que poderia entrar na minha vida. Que assumiu mais responsabilidades do que é justo com ele, para me apoiar nessa fase difícil. Ele que me leva aos médicos, que acorda cada vez que eu mexo na cama, pra saber se está tudo bem, que me entende, respeita, me da remédios, me abraça, me cuida, me ama, me ajuda a respirar... 
Tenho amigos que fazem o que podem para me apoiar, distrair, divertir... 
Minha mãe que, mesmo com os problemas que já tem, está sempre presente e ajudando de todas as formas possíveis. E meus tios, que nunca me abandonam.
E todos os demais que eu conheça e que estão fora daqueles que não respeitam, citados acima!

Isso tudo faz muita diferença! Se eu fosse sozinha, não sei como passaria por tudo isso!

Bem, por enquanto, vou parar a série aqui. Se qualquer dia eu sentir vontade de retomar para contar qualquer alteração ou novidade, retomo. 

E vocês, já sabem, podem me perguntar o que quiserem, seja nos comentários, ou como muitos têm feito, de forma privada por inbox, DM ou Direct. Continuarei respondendo a todos, sem problemas! 

Um beijo a todos, e obrigada pela companhia!


Sobre o Autor: 


Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!




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