quarta-feira, 6 de julho de 2016

Resenha | Carta ao pai (Franz Kafka)

Título: Carta ao pai
Autor: Franz Kafka
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 88



Sinopse: A Carta ao pai é uma peça fascinante da obra de Franz Kafka. Dificilmente algum filho pôde escrever ao pai carta mais pungente do que esta. Nela o grande escritor realiza um ajuste de contas memorável com o tirano familiar Hermann Kafka. O móvel do confronto é uma tentativa de casamento do filho que o pai desaprova, mas o texto abrange toda a relação entre ambos, num ritmo dolorosamente ágil. Como sempre, a capacidade de análise e argumentação do escritor surpreende. Aqui ela transforma uma carta em documento perene da literatura universal.






Oi, gente, tudo bem com vocês? 

Hoje vou falar um pouquinho sobre um livro que me tocou bastante. E isso aconteceu, principalmente, por eu me identificar em tantos pontos da obra. Trata-se, como já visto na introdução, do livro "Carta ao Pai", de Franz Kafka. 

Eu já falei um pouquinho aqui sobre o livro "A Metamorfose" do mesmo autor (se quiser conferir clica aqui ). Foi através d'A Metamorfose que comecei a conhecer a obra de Kafka. Tanto ele, quanto 'A carta" me fascinaram. Certamente irei continuar pesquisando a vida e obra deste autor. 

Como o próprio título já nos escancara, esta obra, diferente do outro lido por mim, não trata-se de uma ficção. Não contém as metáforas "Kafkianas" tão emblemáticas. É uma dura e sincera carta a seu pai, num desabafo que dói em quem se identifica em alguma parte (como aconteceu comigo). 

Eu não tive um pai "opressor e abusivo", como o de Kafka. Eu nem sequer tive convívio com meu pai mas, transferindo para outras situações da vida, com outras pessoas, muitas coisas me tocaram de uma forma muito íntima e pessoal. Algumas partes eu li e poderia ter sido eu a escrever (sem a genialidade dele, claro =p ). 

Neste livro, Kafka faz praticamente uma catarse. Coloca em papel, tudo aquilo que sempre lhe incomodou, oprimiu, e fez com que ele se transformasse na criança tímida, cheia de medos e bastante introvertida que foi. Temendo, sempre, contrariar o pai no que quer que fosse.

Eu sempre uso um exemplo quando vou falar de crianças, no qual confio muito: Crianças nascem "puras", como um 'quadro em branco', pronto a ser pintado da forma como o pintor quiser. No caso de crianças criadas por pais, são eles o responsável por essa pintura e qualquer erro pode ser destruidor!

A "pintura" que o pai de Kafka lhe fez, não só foi destruidora, deixando reflexos durante toda a sua vida, em toda relação que tentou construir, como foi fatal, visto que o autor morreu sozinho, aos 41 anos de idade, em um sanatório.

Em alguns trechos, o pai do autor é citado como "tirano" e até "Deus". Era assim que ele se portava, assim que transmitia qualquer energia para seu filho mais velho: Franz Kafka. Um pai duro, que não aceitava a opinião de ninguém além da sua, que criou o filho com silenciamento e opressão.

Kafka deixa claro o quanto o pai lhe tratava com insignificância. O quanto lhe gerava medo. 

Esta carta nunca chegou a ser enviada. O motivo não se sabe ao certo. A carta apenas foi publicada em forma de livro após a morte de pai e filho. 

O livro é curtinho, apenas 88 páginas, mas de uma intensidade imensa! Vale super a pena e é daqueles que eu recomendo com força! Lendo-o, foi possível perceber que, em seu núcleo familiar, Kafka é exatamente aquele inseto descrito em "A Metamorfose". 

Tendo vivido, ou não, alguma situação familiar de identificação com os problemas relatados neste livro, penso que a leitura é válida e irá reflexiva para qualquer possa. Kafka tem esse poder de mexer com a gente e nos deixar dias refletindo e digerindo suas palavras!

Leiam, e me contem depois! 
Beijos, e até o próximo post!!!


Sobre o Autor: 


Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!






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