terça-feira, 13 de setembro de 2016

Desculpe o transtorno, Gregório, preciso falar da Natalia.

Conheci ela na escola. Essa frase não tem nada de romântico e não é para ter mesmo. Eu já estudava na escola em questão, estávamos na alfabetização e ela veio de outro colégio. Entrou já com as aulas começadas, o que fez com que a atenção de toda a turma fosse atraída. Nunca vou me esquecer: a saia azul-marinho pregueada, a camisa muito branca de botões e a menina mais branquinha que eu já havia visto. Branca de Neve em pessoa.

A empatia foi à primeira vista, Pelo menos pra mim.





Fomos moldando nossa personalidade juntas. Saindo de uma timidez que nos era semelhante, para irmos construindo nossa identidade pouco a pouco.
Algumas brigas ocorreram na infância/pré-adolescência. Nos deixamos influenciar – e isso é um fato, não uma desculpa. Mas tudo recuperou-se rápido.
Passamos vários e vários finais de semana juntas. Dançamos: eu, toda torta. Ela, com todo o molejo de uma carioca nata. Inúmeras tentativas frustradas de me ensinar a sambar... Não deu, mas ficou na memória: e como foi divertido!
“Exploramos” o morro detrás da escola, tivemos medo da casa abandonada, da loira do banheiro. Choramos com o incêndio no prédio da frente dessa mesma escola.

Juntas fomos ao Terra Encantada, ao Planeta Xuxa. Por ela, briguei com um Segurança que dava 30 de mim, e depois pedi delicadamente, fiz chantagem emocional (e deu certo!!!). Por mim, ela brigou com uma turma inteira de alunos, deu lição de moral.
Juntas aprendemos a fazer brigadeiro, vimos uma colega quase rasgar a mão tentando abrir uma lata de leite condensado pois não tínhamos abridor (ou tínhamos e não sabíamos usar? Não tínhamos, né? Pelamor.) Aprendemos a fazer macarrão (e jogá-lo na parede para ver se estava no ponto – QUEM INVENTOU ISSO? - imitar os pratos do RG para fazer em casa, e sempre protegendo a protegendo do fogo por conta do medo...

Dormimos em um quarto, com UMA cama de solteiro, e um monte de meninas por várias e várias vezes. O sonho de alguns rapazes, eu diria. Mas a gente só queria mesmo era se divertir num banho de espuma, chegar em casa molhada dos pés à cabeça, tomar um banho e comer pipoca com ketchup (ou essa última parte era só eu?).

Ela esteve comigo na primeira vez em que adoeci, e a única foto que consigo gostar desse momento, é a que ela está comigo.

Meu avô me fez Flamenguista, mas foi ela quem me ensinou cada regra do jogo, que me contagiou com sua paixão pelo futebol desde muito, muito novinha. E eu tenho sido uma aluna relapsa, eu sei, mas a paixão tá aqui.
Mesmo distantes pelos rumos que a vida nos leva, nunca saímos da vida uma da outra. Por ironia (ou não), escolhemos a Educação como profissão (e isso nem foi sob influência). Temos o mesmo amor pela Literatura. Já trocamos muitas confidências. Com o tempo, as cartinhas que escrevíamos para desabafar sobre os rapazinhos que gostávamos na escola, viraram problemas sérios, grandes... E, mesmo assim, estamos sempre aqui/ali uma para a outra.



Debatemos política, feminismo, futebol, educação, amores, desamores, literatura, amizades, ou qualquer outro tema que nos venha calhar. E se não quisermos conversar, nosso silêncio basta. Nos conhecemos pelo olhar. Temos nossas piadas internas. Completamos frases uma da outra, tal qual aqueles casais melosos e chatos de romance, rs.

Mais uma vez adoeci. Daquele jeito. Aquele que eu acho que não vai ter jeito. E mais uma vez ela está comigo. Sempre que pode, mesmo com a vida corrida que tem, louca, insana de toda semana Rio de Janeiro>Valença>Rio das Flores. Ela vem aos finais de semana que pode e, a cada vez, deixa um tantão dela aqui.

Sua energia positiva, sua alegria, sua amizade, sua lealdade, sua fé.

Resolveram problematizar o texto do Gregório. Não desmereço a problematização, apenas acho que estão gastando energia em cima de algo em que não possuem conhecimento (no caso, a relação deles).
Existem várias formas de amor, de amar.  Nós somos amigas, sempre fomos e, não vejo motivo para que isso mude. Lá se vão quase 25 anos de amizade. (Tá certa essa conta? Nunca sei... Sou MUITO de Humanas...)

Um relacionamento termina, o amor pode ficar. O amor que fica, transforma-se.

Gregório fez de seu espaço na Folha, uma oportunidade para fazer marketing para seu filme que estava estreando – Junto de Clarice. E aproveitou para dizer um pouco do que os dois viveram, e como ele tá feliz hoje, mesmo sem ela. Pessoas problematizaram, viram abuso, viram perseguição, viram muitas coisas. Viram até um pedido de “volta, Clarice”. Eu, sinceramente, não vi. Vi alguém em paz por ter tudo concluído.

Como disse em um post de um amigo: Quem garante que Clarice não sabia da coluna? Que ela levou um susto ao ler? Que sentiu-se mal? E blablabla? Só a mesma pode dizer... Ela disse?

Então, chamem-me de feminista de araque se assim quiserem, mas para mim, foi apenas: marketing e amor. Amor do que foi, e do que ficou. Espero eu o dia em que as pessoas entenderão que os relacionamentos acabam, o amor se transforma, outros relacionamentos se iniciam, o respeito permanece. Respeito, principalmente, pela história já vivida.

Há vida após os términos. Há relação social com os ex após términos - se for da vontade dos dois. E para opinar em algo tão íntimo assim, só conhecendo.
Amores, são muitos. Muitas formas.


“O que me dá uma felicidade profunda” é saber que tenho amores de vários tipos. Inclusive uma Natalia na vida, que é amor-amiga-irmã. 




Não existe jeito certo de amar. Se faz bem para as duas partes: é amor! 


Este texto é baseado no texto de Gregório Duvivier para a Folha de São Paulo, que foi assunto ontem nas redes sociais e gerou, inclusive, um outro texto, de Rafinha Bastos em sua Fanpage. ( Você pode conferir os textos originais clicando nos links)



Sobre o Autor: 


Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Layout: Equipe Epifania | Tecnologia do Blogger | All Rights Reserved ©