quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Existe vida "após" a depressão? - Parte 3

Olá, tudo bem com vocês?

Chegamos à terceira parte da nossa minúscula contribuição com a campanha do Setembro Amarelo. Se você não acompanhou os posts anteriores e gostaria de conferir, basta clicar nos números a seguir:  1 - 2

Em breve encerraremos, mas gostaríamos que soubessem que este Blog sempre estará aberto para quem quiser compartilhar com outras pessoas seus relatos sobre depressão, transtorno de pânico ou qualquer que seja o que lhes impede e/ou dificulta qualquer passo na vida! 

Estamos aqui! Seja para lhes dar espaço, voz, ou simplesmente emprestar nossos ouvidos fora daqui, por que, não!? Mas não esqueçam o primordial: Procurar apoio de um especialista - Psicólogos e psiquiatras! 
Eles nos ajudam a nos reencontramos quando tudo está perdido... 

Sem mais, vamos ao relato do Rodrigo e da Mara!




Em 2007, comecei a ter dificuldades em minha mão direita. Deixava as coisas caírem e nem sentia. Os dedos começaram a ficar dormente. Exames foram feitos e o diagnóstico foi de Síndrome do Túnel do Carpo, um tipo de esmagamento de nervo que leva à insensibilidade e perda de força, controle e movimentos nos dedos. O tratamento era cirúrgico. Mas mesmo assim, pós-cirurgia, a previsão era de meses e mais meses até eu voltar a ter 100% de cura. Tal fato e a demora em ver resultados me levou a uma profunda depressão. Como a única coisa que sei fazer na vida é ser músico e a segunda coisa que eu penso em fazer e tento fazer é escrever, eu estava acabado. Sem poder trabalhar, sem poder me divertir, fui me afundando cada vez mais. Só pensava que era o meu fim. Só me isolava. Nisto, meu corpo começou a sofrer grandes consequências. Perdi o controle sobre meu peso, perdi a capacidade de dormir, perdi qualquer vestígio de humor. Foram meses e meses de tratamento médico psiquiátrico, regado a remédios fortíssimos, muitos dos quais só me faziam piorar, até que consegui começar a movimentar a mão de forma natural novamente. Fiquei um ano e alguns meses sem trabalhar. Ainda hoje tenho dormências após tocar muito tempo ou escrever – com caneta – durante um período médio. Mas retomei as atividades. Porém, a luta ainda é diária, porque a mente se acostumou a estar isolada. Hoje não digo que poderia ser diagnosticado como depressivo. Mas, invariavelmente, tenho que fazer muita força para não voltar para lá. Não tomo remédios há um ano. Me sinto bem. Mas nunca duvide da seriedade desta doença. Isso acontece muito em nossa volta. Somos sempre culpados. Não caia nessa.

Rodrigo Magalhães Músico, professor de Música, produção musical e direção de Corais e autor do Blog que leva seu nome: Rodrigo Magalhães - Tentando Sobreviver - relato pessoal. 




Tudo começou, com um pequeno incômodo, uma certa tristeza... Que ia e vinha sem que eu me preocupasse... O intervalo entre uma tristeza e outra começou a diminuir e eu comecei a me sentir sufocada, e cada gotinha de tristeza foi enchendo o copo, até o dia que ele transbordou e a dor que senti foi imensurável, eu não sofria só por aquela gotinha, mas por todas as outras que encheram o copo e eu não percebi.
Minha sorte, se é que dá para falar de sorte, foi que queria me livrar dessa dor e para isso seria capaz de tudo, fingir sorrisos, dizer que estava tudo bem, mas eu sabia que não estava, eu sentia que precisava de ajuda e foi exatamente o que fiz... Foram dias tortuosos, difíceis, onde abrir cada camada do que acreditava estar cicatrizado, foi mais doloroso do que eu esperava... Mas por mais doloroso que fosse, acreditava que iria sarar e cicatrizar de verdade... Me baguncei, desorganizei tudo, só assim fui capaz de colocar tudo no lugar novamente... Hoje? Sou uma pessoa que colou pedaço por pedaço e se tornou um remendo perfeito... Conheço minhas dores, perdoei o que foi necessário, respeito e admiro as minhas alegrias e conquistas e o principal me orgulho do que sou...


Mara Santos - autora no Blog Devaneios da Mara - relato pessoal. 





Sobre o Autor: 


Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!


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6 comentários:

  1. Eliza! Desculpe o comentário nada a ver com o post, mas... QUE BLOG MARAVILHOSO!!!
    Como eu não sabia que você tinha algo assim? *_*

    Com relação ao Setembro Amarelo, eu tenho seguido algumas postagens e tenho achado muito interessante. Eu tenho TAG e várias pessoas na minha família já foram diagnosticadas com a depressão. É uma situação muito complicada, e algo que eu sempre insisto é que familiares e pessoas próximas PRECISAM ir ao psicólogo/psiquiatra também, porque a compreensão dessas pessoas é essencial para o tratamento. Só a gente sabe o quanto é difícil se recuperar de uma depressão quando uma pessoa querida te olha com desdém e, embora ela não diga, você sabe que o pensamento é "Que saco! Que frescura!". =(
    Todos deveriam procurar profissionais para aprender a lidar com pessoas na depressão. Todos.

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    1. Oi, Carla!!! Que bom que gostou!! *_* Fico muito feliz!
      Espero tê-la mais vezes por aqui! E, SIM, só a gente sabe o quanto é difícil lidar com a TAG e com tudo que ela nos traz. Mas vamos lutando, seguindo, um passo por vez e, com apoio da terapia tentando seguir em frente.
      Sua última frase é uma das que eu mais repito na vida ultimamente!

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  2. Oi Eliza,
    Estou solidária com você e com todos que sofrem de depressão. Na minha família materna quase todos tiveram depressão. Minha mãe, minhas tias, primos e por aí vai...eu também fui diagnosticada, faço tratamento com psiquiatra, já fiz terapia e às vezes, grupos de apoio. Mas já cansei e vou levando, principalmente me reinventando a minha história nas postagens do blog. Não passo um dia sem medicamento controlado desde que minha mãe faleceu em 1998, mas desde a infância que tenho problemas como TOC, Síndrome do pânico e ansiedade. Foi bom ler os relatos e o comentário da Carla...é assim mesmo, dizem que é frescura. Eu também já disse, infelizmente! Gostei da sua disponibilidade em dar voz aos que precisam.
    Bjs

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    Respostas
    1. Olá, Sandra! Muito bom vê-la aqui também!
      Estamos juntas! E juntas sairemos dessa. Confie!
      Escrever é uma grande forma de terapia! Nosso Blog nos ajuda nisso também!
      beijos querida!

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  3. Oi Eliza .Que bom ter um espaço para desabafar ,contar o que se sente quando temos depressão .Aos 18 anos comecei a ter visões e eram sempre a noite ,eu gritava feito louca e minha mãe ia já sabendo que mais uma vez eu ia relatar ter visto alguém na janela do quarto , eu morava no terceiro andar de um prédio .Carregava muita coisa ruim dentro de mim ,muita mágoa , muita dor ,por várias vezes não sentir que era querida ,amada ,e isso me destruía .Em momento algum ,eu pensava ,imaginava que o que eu tinha era depressão ,aqueles longos períodos que eu só queria ficar num quarto ,quieta ,sozinha , eu tinha que trabalhar e estudar.Mais faltava que ia ,cegava ao portão do colégio , e ficava sentada na escada ,também não tinha vontade de voltar para casa .Foi quando eu descobri uma turma que bebia ,da minha sala , e em pouco tempo eu já fazia parte daquela turma ,era tudo que eu precisava ,algo que me tirava aquela dor por algum tempo , e fui aumentando as doses, até não ver mais graça em nada se eu não estivesse bêbada ,Não entendia também porque no dia seguinte eu me sentia vazia ,mais triste ,eu não sabia que o álcool funcionava como depressor ,descobri a pouco tempo.já fazem 10 anos que tomo remédios controlados , que vou a psiquiatra toda semana ,faço terapia , e ainda continuo vendo tudo muito cinza ,poucos são os momentos que realmente me sinto bem ,já escutei muito "reage","você gosta de ser doente","quer chamar atenção",e "isso é falta de DEUS".Aprendi a duras penas engolir isso tudo e falar para mim mesma ,eles estão equivocados ,eles são equivocados .Outra coisa que não entendem é que você não passa 365 dias em crise ,elas nos deixam em paz as vezes .Mas ela conseguiu fazer a façanha de trazer com ela várias síndromes, ela vem acompanhada ,e você escuta coisas como ,você tem que ter fé ,pensa em sua filha ,em seu neto ,eu nunca esqueço deles ,mas isso não impede que eu converse com Jesus ,que é um irmão e peça muitas vezes para ir embora ,porque dentro de mim ,eu não faço falta ,eu sou um entulho na vida de muitos .Outras vezes penso em sair por aí , e não voltar mais .Algumas coisas estão mudando dentro de mim ,sinto falta de ter um canto só meu e isso é para mim um fracasso ,quando falavam de uma maneira mais rude comigo ,ignoro.As vezes acordo com o verão em alta , resolvo que vou fazer e acontecer ,mas incrivelmente , vira inverno com neve e tudo fica cinza ,aí tudo que planejei vão sendo adiadas , até ficarem completamente esquecias o que também não é difícil ,os remédios tem como efeito colateral a maior parte deles é vc esquecer .Não desejo ser a coitadinha ,até porque não ia ter ninguém para me dar um dengo ,o depressivo é um chato ,que incomoda e muito ,mas ,não pedimos ,eu pelo menos não pedi para ter,isso e ver que segundo alguns muito entendidos "eu não tenho motivos para ter depressão"e eu termino com a pergunta ,você tem certeza ,então me passe a receita ,porque é terrível,dói ,tira a respiração ,vc tem vontade de morrer .Obrigada pelo espaço!

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    Respostas
    1. Olá, Celí! Realmente é muito difícil para as pessoas entenderem o que a gente passa, justamente por não ser uma doença física, que elas podem ver. Alguns não sabem enxergar com os olhos do coração.
      O que mais ouço é que eu deveria procurar uma religião, que isso é falta de Deus. E isso é muito ruim.
      Mas nada, NADA me faz melhor do que minha terapia. Espero que você encontre um bom profissional, pois eles são os melhores e mais adequados para nos auxiliar nessa luta! E, acredite, venceremos!
      Beijos e obrigada pela confiança nesse desabafo tão honesto! Fique bem. O que podemos te dizer, o que nos cabe, é: tente encontrar prazer em qualquer coisa e se apegue a ela até encontrar o terapeuta ideal. Isso ajuda muito!
      Abraço, e força!

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