segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Existe vida durante a depressão? - Parte 2

Olá, tudo bem com vocês?

Como eu disse no post anterior, onde dei meu relato sobre como venho (sobre)vivendo com a depressão nos últimos meses - e se você não viu, basta clicar AQUI - algumas pessoas abriram seus corações também. Postarei dia a dia, aproveitando o Setembro amarelo.

Se você quiser compartilhar conosco sua experiência, mande seu relato para qualquer um de nossos contatos. E pode escolher se quer que seja postado de forma anônima, ou não.

Hoje trazemos o relato pessoal da Amanda, e o relado do Rodrigo, que apoia o irmão nessa luta contra a depressão.



"É besteira, é TPM, isso passa, larga de frescura."

Essas são as frases que mais escuto quando digo que não estou bem. Mas não é simplesmente um mal-estar ou algo que você sabe que logo vai passar, é muito além disso. Trata-se de olhar no espelho e desejar desaparecer, é planejar mentalmente e silenciosamente maneiras de terminar com a própria vida e trazer a tal paz eterna, é não querer falar com absolutamente ninguém e ao mesmo tempo querer gritar pedindo ajuda, mas não conseguir, é chorar escondida todas as noites até doer o peito e a cabeça, é ter picos de alegrias que duram alguns poucos dias e voltar à tristeza profunda, é passar dias sem sair de casa ou até mesmo da cama e sentir uma melancolia tão densa que a única saída é dormir pra ver se passa. É não saber o que fazer, pedir ajuda e se sentir a pior pessoa do mundo por incomodar alguém. Não é besteira, não é só uma TPM passageira. Isso não é frescura.


Amanda Lira - autora do Blog Cute and Rude - relato pessoal.


Eu não sei como começar e nem ele sabe dizer exatamente a partir de que momento começou a se sentir assim. Nós (família) deduzimos que foi logo depois de um concurso/desfile de moda promovido na escola. Onde ele foi chamado pra participar, o vencedor levaria uma grana e ele se agarrou nisso, pois queria ganhar e dar essa grana para ajudar meu pai em casa. 
O Organizador do desfile colocou todas as expectativas nele e ele acabou apostando o máximo em si também. O desfile aconteceu e ele não ficou nem entre os 5. A partir daí o seu comportamento veio a mudar... Começou a ficar mais isolado no quarto, já não estava mais sorridente e fazendo piadas de tudo , alguns meses se passaram e ele teve sua primeira crise, que descreveu como: Um sufocamento, um desespero, um medo imenso , uma angústia sem explicação. Seu corpo gelava, e ele tremia muito, a boca ficou branca. 
Corremos com ele ao hospital nos decorrentes meses que viriam, pois as crises ficavam mais constantes , até que foi diagnosticado com depressão, transtorno de pânico e ansiedade. Já se vai uns dois anos que ele ainda está batendo de frente com o problema, mas durante esses dois anos muitas coisas aconteceram, inclusive 3 tentativas de suicídio. Os amigos de antes... bem esses sumiram. Tinham dado um certo apoio ainda no começo, quando ele se afastou dos estudos pra se cuidar, mas agora praticamente nenhum deles mantêm contato com meu irmão. 
Com exceção de um, mas meu irmão se recusa a sair com ele, por ele andar com uma turma de garotos que meu irmão não vai muito com a cara deles, enfim. 
Ele faz tratamento com psicóloga e com um psiquiatra, teve uma melhora que notamos, não tem crises há bastante tempo, mas a angústia, a necessidade de ter pessoas com quem conversar, de sair para se distrair continua. Oscilações de humor acontece também. Há momentos em que ele prefere ficar no quarto e não falar com ninguém, como há momentos em que ele fica deliberadamente com vontade de não estar em casa, nem mesmo na própria cidade. Ele constrói planos para o futuro, sorri algumas vezes, mas depois o sorriso se desfaz e tudo o que pensou vai embora também. É uma luta constante, ele sabe o que sente e o que passa com ele, mesmo que no meio desse sentimento todo há coisas que ele não consiga explicar. 
Assim tem sido recentemente, tudo ainda está ali e ele está buscando formas de acabar com tudo e voltar a ser como era antes!

Rodrigo Bhenny - músico - relato a respeito do irmão.




Sobre o Autor: 


Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!



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3 comentários:

  1. Muito, muito legal a iniciativa de falar sobre isso! Na maioria das vezes, as pessoas falam as besteiras que falam por ignorância, por não conhecerem, por não saberem que a depressão é uma doença, que precisa de remédio, de tratamento, de atenção, de paciência, de amor. Tomara que essa atitude ajude todos que sofrem - direta ou indiretamente - a lidar melhor com a situação, a entender melhor, para que o preconceito diminua cada vez mais. E parabéns, Eliza, por ajudar outras pessoas que, como você, estão lidando com esse mal diariamente! Como dizem, dividir a dor pode ajudar a diminui-la. <3

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    Respostas
    1. Obrigada, Ludmila! <3 A gente tenta como pode! Cada um fazendo um tantinho e assim vamos melhorando e tocando a vida de quem precisa de apoio, né!?

      Beijos

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  2. Estou passando por isso a alguns messes,me sinto tão mal as vezes porque estar assim que prefiro mentir que estou bem,pra não incomodar as pessoas

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