quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Resenha | Mãos Livres (Francine S.C.Camargo)

Título: Mãos Livres
Autor: Francine S. C. Camargo
Editora: Chiado
Número de páginas: 70



Sinopse: Sou do tipo mãos vazias. Prefiro nada carregar e ter os braços livres. Mesmo que seja para travá-los na cintura em espera, cruzá-los em desaprovação. Fico, assim, pronta para um adeus inesperado ou um abraço loucamente necessário em quem acaba de chegar.”

Mãos livres reúnem contos e crônicas da autora, com uma escrita poética e fabulizada. As palavras surgem de forma a realçar e tecer a realidade em uma sequência de emoções, narrando eventos inusitados como o encontro com um cão desordeiro, o diálogo de livros à estante e um lugar chamado Aboborolândia, ou passando por temas universais como o amor, a amizade, a maternidade, a morte, a rotina e a timidez, sempre fugindo das explicações comuns; com as mãos desimpedidas, “como se nada pudesse me fazer parar, como se fossem criar garras para lutar. Decerto, deparo com um abismo e aí, estou pronta, prontinha para voar.




Oi, gente! Tudo bem com vocês? 

Hoje venho falar de mais um livro de autora parceira... 

Ah! Contos! Adoro contos. Adoro como podem representar realidades, fantasias, sentimentos e nossas vidas. Tive a sorte de ter lido esse livro. Muita sorte. Foi tão intenso para mim, que até li alguns textos para meus alunos (para quem não sabe sou professora de Redação), o que fez com que falássemos um pouquinho de nós, de como é nossa vida, do que sentimos. Foi muito especial. Até porque é um livro cheio de reflexões, a gente pensa na nossa vida, no mundo, nas pessoas, na liberdade e no que é ser livre.

E como Mãos Livres é composto por vinte e seis contos, vou falar um pouquinho de cada, o que senti ao lê-los e como entendi cada um. Desde já peço desculpas à autora se caso tenha entendido algo errado, foi só a minha forma mesmo de sentir e interiorizar suas lindas palavras.

Chega de Fadas:  mostra a relação entre pais e filhos, e como é romantizada a nossa educação. As crianças são muito mais atentas e espertas do que imaginamos ou do que queremos enxergar.

Balanço:  parece um horóscopo, mas, na verdade, retrata o dia a dia de alguém que lida com as emoções, burocracias e rotinas diárias.

A história da Aboborolândia: usa um lugar, uma casa para representar uma pessoa. O lar que nós somos para nós mesmos e o quanto permitimos ou não que invadam este espaço tão nosso, tão particular. Retrata também do quanto podemos nos perdermos de nós mesmos.

O fim: fala do fim de um relacionamento e o quanto é preciso aceitar o adeus e seguir em frente, mesmo que seja muito difícil de fazê-lo.

A dona do verbo: mostra o quanto tentamos falar de muitos assuntos e muitas pessoas não compreendem, mas quando nos calamos, achamos que ao não falar estamos contribuindo, podemos estar deixando de debater e passar informações para quem está pronto para nos entender e quem quer ter as muitas “verdades” que compõem o mundo.

Ritual: retrata a maneira como lidamos com os problemas, como encaramos as perdas e dificuldades, o que fazemos nesses momentos conturbados e de caos.

Dia do Pai: fala da perda do pai (que pode ser de qualquer pessoa querida), da saudade e lembranças da pessoa que se foi e do que perdemos com essa partida. Principalmente, nos faz pensar o que queríamos ter vivido com ela.

Recado: retrata as pessoas que desejam tantas coisas, mas não sabem expressar ou não percebem a hora certa de realizar esses desejos.

O sorriso da lua: a vontade de ter o lado bom da lua, de poder ser para o outro um motivo de beleza, esperança, amor, alegria, fé e recomeço.

Fuga...fugaz...fullgas: mostra o quanto a música pode ser nosso refúgio, nossa forma de passar por momentos desagradáveis e nada animadores. A música nos liberta, nos mostra caminhos que não tínhamos percebido antes.

Diálogo: a importância de se viver e não deixar de aproveitar nada é enorme. O tempo passa para todos nós e a velhice também chega para todos. É necessário sabermos viver e aproveitar o que melhor a vida nos dá, sem medo e sem cobranças.

O encontro de almas errantes: mostra o quanto ter a pessoa certa por perto pode ser um grande suporte para viver. Não dá para viver sozinho no mundo, mas podemos encontrar alívio com o carinho de outra pessoa e isso pode fazer tudo valer a pena.

O paciente: a gente pode ter muitos pressupostos, ideias, conhecimentos, julgamentos, relacionamentos; mas a verdade é que não sabemos exatamente quem é o outro porque não somos o outro. Isso não significa que não possamos conhecê-lo, significa que o que o outro passa é algo infinitamente particular.

Eu te amo: mostra o quanto, muitas vezes, é difícil dizer “Eu te amo”. A frase está tão enraizada na nossa vida e no nosso cotidiano e, mesmo assim, há ainda muita dificuldade em falar para quem amamos por muitos motivos bobos.

Três anos ou os ensinamentos de uma alma antiga: as crianças têm muito que nos ensinar e nos fazer crescer. Tem muito a nos oferecer e a nos emocionar. Damos pouca importância ao potencial de uma criança e o quanto ela é humana.

Mãos livres: o texto que dá nome ao livro mostra o quanto precisamos estar “livres” para as situações da vida. Muitas vezes estamos ocupados, cheios, pesados. Isso é necessário. Entretanto não podemos ser sempre assim. Estar livres é necessário para conquistarmos muitas coisas na vida e para deixarmos outras também.

Todos temos aquele amigo: eu costumo dizer que a forma mais bonita de amor se chama amizade. Este texto retrata muito bem muitas situações que amigos passam e o quanto ter um é muito importante. O texto me emocionou e me fez lembrar a Eliza, do quanto já passamos por muitos desses momentos muitas vezes.

A uma criança: muitas pessoas passam por nossas vidas e nos deixam grandes lições e muito amor. Nem sempre é fácil lidar com a dor e sofrimento do outro, mas esse amor deixado supera tudo. E marca a gente. Marca tanto que por mais que o tempo passe, sempre estará na nossa memória e nosso coração.

Quando eu era: nem sempre realmente sabemos quem somos nas fases das nossas vidas e nem sempre o meio mostra para gente como serão essas fases. É importante não criar visões que possam interferir em quem podemos ou queremos ser.

Visita inesperada: quem tem animal de estimação sabe as delícias que é passar por momentos de profundo amor e satisfação. Eu tenho cachorros e me identifiquei com esse texto por também ver a beleza de uma ação assim retratada. É como se ele fosse um pouco a gente e também algo singular. É sempre uma visita gostosa e um ente querido.

Pequena menina: a gente precisa passar por situações nas nossas vidas que contribuem para a construção do que nós somos. Não podemos e não devemos abrir mão disso. Assim iremos nos conhecermos, nos orgulharmos de nós mesmas e todas nós, que fomos um dia, seguirá conosco.

Colo de mãe: o amor de mãe é algo insuperável. Não importa o tempo que estará com seus filhos, não importa as dificuldades que terá que passar, não importa nada. Amor de mãe é incomparável, é único.

Sangue: texto forte e cheio de metáforas marcantes, que nos fazem refletir sobre a vida e o quanto temos dela.

Segunda estrela: fala de como é a chegada de um filho, me atrevo a dizer, um segundo filho. Como a vida de mãe muda, mas como ela é segurança e fortaleza com e apesar das mudanças. Um amor tão grande que só pequenos detalhes são capazes de mostrá-lo realmente.

Mulher, mulher: texto lindo que mostra uma mulher forte, decidida, que sabe as suas facetas. Quer o mundo, mas sabe que não é possível. Aceita, mas nunca perde a esperança de conquistar mais do que pode.

A revolução dos livros: fala da importância do livro e como suas histórias têm suas próprias vidas, donas de si e completas por sentimentos. Nós somos apenas espectadores dessas viagens, desses conhecimentos, dessas vidas. Apenas!

Quero pedir desculpas à autora pela enorme demora da resenha. Ocorreram alguns contratempos pessoais que fizeram com que eu demorasse a divulgar o texto. Não é uma conduta do blog, foi um problema meu mesmo, que foi uma exceção. Mas quero que saiba que seu livro me emocionou muito e que desejo que possa fazer bem a outras pessoas como fez a mim.

Vale muito a leitura!

Até a próxima! 


Sobre o Autor:
Natalia MenezesNatalia Menezes |  Twitter  |  Todos os posts do autor
Amante de futebol, música, filmes e livros, sempre foi apaixonada por histórias, seja lá de qual maneira forem contadas. Ama tanto lidar com o abecedário em forma de frases e parágrafos, que acabou se formando em Letras.


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3 comentários:

  1. Natália querida, não acho que existam interpretações corretas ou não, tudo depende do que a leitura desperta em você. Particularmente a sua resenha me deixou encantada e com uma sensação de missão cumprida. O objetivo é fazer refletir e que o leitor entre em contato com suas próprias emoções e quando você diz que levou essa proposta para a sala de aula, fico emocionada e passo a acreditar ainda mais. Obrigada pelo carinho e cuidado e parabéns por ser assim. Beijo no coração a vocês.

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  2. Francine, seu comentário me emocionou tanto quanto seu livro. Obrigada por essa oportunidade de lê-lo! Que você possa brindar o mundo com mais palavras de carinho. Um beijo!

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  3. Francine, obrigada pela parceria! Foi muito gratificante conhecer sua obra. Em breve lançaremos um sorteio bem bacana para que nossos leitores possam conhecê-lo também! <3 Beijos e obrigada pela confiança!

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