quarta-feira, 29 de março de 2017

Inês Brasil e o caso do microfone!

Ontem (27), viralizou nas redes sociais - assim como qualquer vídeo com temática próxima a essa - um vídeo de uma parte do show em que Inês Brasil (ícone da internet, famosa após vazar seu vídeo de inscrição para a edição do BBB 13) se masturba com o próprio microfone.

Não há nada de engraçado nesta notícia, nem em um vídeo com este teor. Mas quero começar falando sobre a reação das pessoas do lado "de cá" da notícia. Por várias vezes, ao longo do dia, entrei em uma e outra rede social e observei o que falavam a respeito do assunto. As opiniões eram diversas, mas a maioria justificava a ação da artista e dizia que "ela é assim em todos os shows e que talvez tenha só se excedido um pouco". Muitos ataques a quem criticava. Muitas criticas diretamente à Inês. Muitos dizendo que ela faz isso "porque quer", "porque é livre e escolheu fazer esse tipo de show".  Muito de tudo.

Eu gostaria de falar sobre muitos pontos nesse post também. Aliás, eu gostaria mesmo era de nem precisar falar. Assisti o vídeo, confesso. Ainda sem saber exatamente do que se tratava, um tanto confusa com os julgamentos e nenhuma explicação... Alguns davam a entender que havia vazado um "sex tape", outros diziam que era apenas um "nude" e por aí vai. Mandaram-me no whatsapp e eu abri. Não consegui assistir tudo (e era um vídeo de 40 segundos). Não sei explicar o que eu senti... Talvez angústia, impotência, raiva de como o ser humano pode ser tão vazio (e não estou me referindo à Inês aqui). Não terminei de ver o vídeo, fechei, apaguei e fim. 
Mas a avalanche de opiniões a respeito do caso corriam em todas as redes sociais. 

De tanto ler berinjelas, não resisti e resolvi vir aqui conversar um pouco sobre isso. Sou detentora da verdade? Não. Possuo todo conhecimento do mundo? Vish, nem uma gota disso. Mas tenho minha visão a respeito de algumas coisas que cercam todo esse episódio. Então, é sobre o meu ponto de vista e para pessoas que buscam opiniões diversas para formular a sua, ou que simplesmente me leem aqui por se identificarem: é para vocês que estou falando. 

Eu estou ciente do que pensa o libfem, já cansei de falar aqui. Vocês sabem minhas críticas a respeito dessa linha. Sabem também que sou contra apontar falha no "feminismo da coleguinha", mas tem se tornado impossível defender as liberais. E, este caso, só me confirmou esta ideia. 

Partiu de muitas feministas liberais o discurso de que Inês é livre para fazer o que quiser. A velha história de "meu corpo, minha regras". 

Mas, pense comigo: Será que Inês, de fato é muito livre e dona de si assim?


"... Estar aparentemente “em posse” de seu corpo e de sua sexualidade não faz de Inês Brasil uma mulher livre. Isso porque os meios que a exploram – a mídia, a TV e as redes – não consomem nada além de sua polêmica e de seu corpo, e não a pagam com respeito ou dignidade. Seu diálogo de liberalismo sexual é aproveitado com um safado disfarce de exaltação, e o produto que se extrai dela..." 


"Não, isso não é libertação sexual. Inês Brasil se masturbando com um microfone num palco, capturada por aqueles que a corroem e abertamente divulgada nos Trending Topics do Twitter não é, nem de longe, liberalização sexual. Nem que ela queira, nem que seja seu mais profundo desejo pessoal, isso não é um “grande favor” que as mídias estão prestando a Inês. E aqueles que se dizem seus fãs, que vibram a cada frase ou música que ela profere, que se fantasiam dela no carnaval e sabem dizer “Inês Rainha, resto Nadinha”, poderiam ser mais ativos em protegê-la do abuso físico e emocional."

"Sim, abuso. Já parou pra se perguntar qual criatura se vê feliz sendo explorada por todos os lados? Talvez esses fãs sejam mais perpetuadores do abuso e consumidores do escândalo, do que gente preocupada se Inês come, vive e dorme bem. Se Inês é feliz, se Inês é triste, se tem sonhos, se medos."
Como mulher, cabe a mim dizer que tanto Inês Brasil quanto eu, você e todas nós estamos suscetíveis ao abuso em nome do “era a vontade dela”. Se justificaram uma adolescente estuprada por trinta homens como sendo “a própria vontade dela”, se justificaram o assassinato de uma mulher por ser “a própria vontade dela de se meter com bandido”, e se justificaram o homicídio de uma mãe e seu filho pela “própria vontade dela de privá-lo do convívio do pai”, todas nós estamos sujeitas, mais cedo ou mais tarde, a cair no balaio do “mas era vontade dela”. Seja atravessando uma esquina no cair da noite, ou dançando nua num palco à mercê dos abutres, a grossa voz social, num claro tom masculino, sempre estará lá para ecoar “se não queria isso, que não estivesse lá”.


Desde o vídeo que fez com que Inês ficasse famosa e amada na internet, já era possível perceber que ela precisava de ajuda. O oposto foi feito... Endeusaram, fizeram dela a Inês Brasil, fizeram com que ela virasse um ícone da internet, sem ninguém nunca se importar com o desequilíbrio emocional que ela claramente demonstra. A mesma que esbarra na falta de entendimento do que fazem com ela, dos abusos, das chacotas, humilhações... 

E aí, você ainda acha que Inês Brasil é livre para fazer o que quiser? Ainda acha que a culpa pelo que aconteceu é dela? 

Conta pra mim! Vamos trocar ideia... Por enquanto, eu vou lidando com o que mais me desagradou/angustiou etc vocês sabem!


Beijinhos e até o próximo post!


Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!




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