quinta-feira, 13 de abril de 2017

"13 Reasons Why" | Pontos Negativos e Positivos

Olá, tudo bem com vocês? 

Dia 31 de março, a Netflix lançou os 13 episódios de sua última série: "13 Reasons Why". Assisti com calma, sem maratonar (como costumo fazer), por dois motivos: 1 - Assisti com o namorido e ele não tem tempo para engolir tudo de uma só vez =D, 2 - A série merecia um cuidado e atenção redobrada por conta do imenso número de gatilhos que contém. 

Assim que eu terminei de assistir, fiz um breve comentário lá no instagram (se ainda não nos segue, aproveita: @aquelaepifania ), mas precisei de mais um tempinho para conseguir colocar em ordem tudo o que eu estava pensando e poder vir até aqui, com responsabilidade, conversar com vocês. 

E acho que chegou a hora! Vamos lá!

ATENÇÃO: Esse post poderá conter spoiler!
[ALERTA DE GATILHO: suicídio, estupro, bullying, abuso psicológico]


A série original da Netflix, "13 Reasons Why" foi inspirada no livro do autor Jay Asher que leva o mesmo título e foi traduzido como "Os 13 porquês". Lançado pela primeira vez em 2007, o livro Jovem Adulto não teve grande repercussão na época, vindo a ficar mais conhecido há poucos anos, até mesmo com apoio de booktubers e blogs literários. 

Aqui, no Aquela Epifania, falamos sobre ele em 2015, através de nossa antiga colaboradora, e você pode conferir clicando > aqui

Quando eu soube que a Netflix iria lançar uma série inspirada no livro, resolvi lê-lo antes da estreia. Mas confesso que não consegui levar a leitura adiante. Mesmo assim, não desisti da ideia de acompanhar a série. Vi o primeiro o episódio e gostei!

O hype em cima da série foi imenso. Se você der um google encontrará posts de todos os tipos falando sobre ela: críticas positivas, resenhas, reviews, "13 razões para ver..." etc. Não vou fazer mais um desses porque não tem necessidade. Mas a série mexeu comigo em vários sentidos e não vou deixá-la passar despercebida. Por isso, vou citar os pontos negativos e positivos que achei dela! 



NEGATIVOS:

1 - Muitos assuntos importantes são citados na série, no entanto, nenhum deles é tratado com a importância que merecia: homossexualidade, instabilidade familiar, alcoolismo e muitos outros. 

2 - A série poderia ser melhor explorada, ou, ter apenas uns 6/7 episódios. Acabou sendo bastante arrastada, com muitos assuntos superficiais e outros tantos desnecessários.

3 - Como toda a história é contada a partir das fitas que Hannah deixa e que Clay passa a ouvir, não há uma exploração profunda dos sentimentos dela. Os fatos apenas são narrados, sentimos suas dores pelas cenas, mas não temos percepção de uma evolução de sofrimento e depressão até o suicídio. 

4 - Os personagens da série não demonstram estarem sentidos com a perda de Hannah (apenas Clay) e, sim, preocupados com o que poderá ser descoberto deles mesmos. Isso gera um incômodo em relação ao propósito da série e para quem ela fala. Como é uma obra direcionada para um público jovem, as entrelinhas são muito importantes, e essa frieza, mesmo que demonstre uma possível realidade, quando pouco trabalhada, pode não atingi-los da maneira que deveria.

5 - Os alertas de gatilho só aparecem nos episódios que possuem cenas de estupro e violência física, já passado metade da série. Alertas como esses deveriam aparecer no primeiro episódio para que a pessoa decidisse ir em frente ou não.





POSITIVOS:

1 - As ótimas atuações de: Kate Walsh, com todo o sofrimento da mãe de Hannah; Dylan Minnette, como Clay, o garoto legal e que não se encaixa entre os demais e Christian Navarro, como Tony, personagem que tem um papel importante na trama, apesar de não estar presente em nenhuma fita.

2 - O fato da maioria dos personagens não serem estereotipados, como a maioria dos filmes e séries Hollywoodianos. Alisha BoeAjiona Alexus, por exemplo, são líderes de torcida, contrariando o padrão Hollywood que, na maioria das vezes, traz atrizes loiras, olhos azuis, cabelo liso... A diversidade do elenco é bem grande e poucos prenderam-se a estereótipos. 

3 - A série consegue mostrar que atitudes do dia-a-dia, que muitas vezes são negligenciadas e julgadas como "pequenas", "bobagens", podem atingir verdadeiramente alguém e fazer um verdadeiro estrago. 

4 - A ficção, além de ser um entretenimento é, também, uma forma mais rápida e menos dolorosa de experienciarmos situações que contribuem para refletirmos e entendermos a realidade que nos cerca. A partir disto, é possível modificar de forma significativa nossas relações sociais e intrapessoais!

Sabe aquela piadinha que você fez na sua rede social hoje? Sabe aquele comentário que eu fiz ontem? A gente não sabe como o outro a recebe, como isso age dentro dele. O emocional de cada pessoa é um e nós não temos o direito de julgá-lo a partir de nossos próprios sentimentos. O que cada um sente e como sente só ele/a sabe, mas nós podemos tomar cuidado com o que falamos e fazemos para não sermos um "porquê" na vida de alguém. 

É importante assistir a série e conseguir entender, tanto a importância de buscar ajuda com pessoas de confiança, sabendo que suicídio NÃO É A SOLUÇÃO, como também, nos colocando no lugar de cada um dos demais personagens para repensar como estamos vivendo e se não estamos, sem perceber, sendo um "porquê".

Crianças e Adolescentes estão formando seu caráter e são eles o público-alvo da série... Acompanhá-los durante a exibição desta série, fazendo interferências e colocações diversas, podem fazer a diferença na vida de muitos. E isso não precisa ser feito apenas em sala de aula. Você que é mãe, em casa, pode fazer. Ou com seu irmão, sobrinho... Ou até mesmo com aquele amigo que você percebe ter um emocional mais instável! Assista com ele, apoie, converse, mostre o lado positivo de tudo e o que é realmente importante em toda a série. 

Não seja um porquê. Ajude alguém a não ser uma Hannah!




Obs: 

  • A OMS (organização Mundial de Saúde) não recomenda "13 reasons why" por considerar que a série pode causar o Efeito Werther (quando um suicídio pode inspirar pessoas fragilizadas a fazerem o mesmo)

  • CVV (Centro de Valorização À Vida) teve o número de pedidos de ajuda por parte de Jovens dobrado.





Por hoje é só! Um beijo e até o próximo post...



Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!





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2 comentários:

  1. Oi Elisa
    Não sei se concordo com seus pontos negativos.
    A série é bem pesada e complicada. Eu levei mais de uma semana pra ver tudo. Acho que ela trata bem os temas e, ao menos eu, consegui ver o que foi responsável por levar Hannah a cometer suicídio.

    Vidas em Preto e Branco

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Lary! Sempre bom tê-la por aqui!
      Fui até seu blog pra conferir sua idade antes de respondê-la porque considero que isso faz toda a diferença quanto ao meu julgamento da série... Você tem 23 anos, eu tenho 31, somos adultas, (mesmo que você ainda seja uma jovem-adulta, rs)... É claro que temos MUITOS adolescentes muito mais maduros que tantos adultos. Idade não define maturidade, e sim, suas vivências, na maioria das vezes!
      Mas, acredito, que quando nós (adultos) vemos a série, conseguimos alcançar o que ela pretendia e entender tudo o que tinha por trás de cada sensação de Hannah que a levou até seu ato final. Mas, quando fazemos algo direcionado ao público teen, todo cuidado é pouco. É necessário ser bem explícito quanto toda intenção, porque não é todo mundo que tem condições,principalmente emocionais, de compreender tudo que está sendo passado.
      As interpretações são diversas, tanto quando escritas, quanto em filme/série.
      Uma pessoa que comete suicídio, geralmente o faz por não aguentar mais, por estar em seu limite, seja ele qual for. Muitos adolescentes interpretaram a série como se Hannah tivesse tirado sua vida pra acabar com o sofrimento dela, de uma forma como se isso fosse "solução", e não como se fosse um esgotamento de forças emocionais e físicas. E, colocando-me no lugar de adolescentes, olhando pelo ponto de vista deles, eu consegui enxergar onde a série falhou neste sentido, que levou com que tantos jovens tivessem essa conclusão.
      E, sendo uma temática tão complexa, considero ser bastante delicado e necessário todo o cuidado ao abordar.
      Público infantil e teen não devem ser subestimados, mas devem ser olhados com cuidado.Um jovem em um momento fragilizado, pode assistir a série e entender que fazendo o mesmo que Hannah, ficará em "paz".
      Esse foi meu ponto! Mas estou ansiosa pela 2ª temporada, já confirmada, e acho que vem coisa boa aí! ;)

      beijos e obrigada por sua visão, por enriquecer o post com seu ponto de vista!

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