sexta-feira, 21 de abril de 2017

Resenha | #Girlboss (Sophia Amoruso)



Título: #Girlboss
Autor: Sophia Amoruso
Editora: Seoman
Número de páginas: 248



Sinopse: Sophia Amoruso passou a adolescência viajando de carona, furtando em lojas e revirando caçambas de lixo. Aos 22 anos ela havia se conformado em ter um emprego, mas ainda estava sem grana, sem rumo e fazendo um trabalho medíocre que assumiu por causa do seguro-saúde. Foi aí que Sophia decidiu começar a vender roupas de brechó no eBay. Oito anos depois, ela é a fundadora, CEO e diretora criativa da Nasty Gal, uma loja virtual de mais de 100 milhões de dólares, com mais de 350 funcionários. Além da história de Sophia, o livro cobre vários outros assuntos e prova que ser bem-sucedido não tem nada a ver com a sua popularidade; o sucesso tem mais a ver com confiar nos seus instintos e seguir a sua intuição. Uma história inspiradora para qualquer pessoa em busca do seu próprio caminho para o sucesso.






Olá, tudo bem com você?

Há alguns dias, a Netflix liberou o trailer de uma série baseada na biografia best-seller da Sophia Amoruso. Com data marcada para ser liberada hoje, resolvi ler o livro antes da série, assim como tentei com "13 reasons why". Pra quem não sabe, tentei ler "Os 13 porquês" antes de embarcar na série, mas não consegui dar continuidade à leitura (e eu não tenho o hábito de abandonar livros, mas este não deu mesmo). 



Já com "#Girlboss", título do livro e, também, da série, foi diferente! A leitura fluiu, inclusive, melhor do que eu esperava! 

“Sou mau e isso é bom, nunca serei bom e isso não é mau. Não quero ser ninguém além de mim.” - Detona Ralph (#GirlBoss - "A Cronologia de uma GirlBoss?")

Com uma narrativa bem direcionada ao público jovem, divertida, mas sempre objetiva, Sophia não poupa seus leitores de conselhos nem sempre "simpáticos"! Terminei as 248 páginas em poucas horinhas. Um entretenimento ótimo para quem quer ler algo leve e, ainda, ser estimulado a focar no seu melhor, buscando conquistar seus objetivos, sem aquela pegada dos livros de autoajuda que, geralmente, tornam a leitura chata e cansativa. 

"Uma #Girlboss sabe quando dar o soco e como receber o golpe!"

"#Girlboss" não vem com o intuito de ditar regras para sua vida, no estilo "não-sei-quantos-passos-para-ser-feliz" e afins. Sophia conta a experiência real do curto espaço de sua vida, entre o Ensino Médio e a criação de sua atual empresa - milionária - a Nasty Gal, que recebeu esse nome em homenagem a uma música da cantora de Jazz,  Betty Davis.

A intenção da empresária é mostrar que todos somos capazes de alcançar o sucesso naquilo que desejamos. E, para isso, basta foco e trabalho! (Não é bem assim que as coisas acontecem e, nesse quesito, preciso discordar - e muito - de Sophia, mas vamos falar disso mais adiante.)

"A vida é curta. Não seja preguiçosa!"

Sophia Amoruso nunca foi uma aluna de destaque, muito pelo contrário. Indicada pela professora como tendo TDA (Transtorno de déficit de atenção) e Síndrome de Tourette, ela era aquela típica aluna que não encontra seu lugar no Colégio, que não entende o Sistema e sonha com o dia em que poderá deixá-lo. 
Mesmo estando em um país diferente do nosso, as impressões de indignação com o Sistema que Sophia nos passa é perfeitamente equiparada a nossa realidade. Com muita honestidade e clareza, ela fala das falhas da Educação e dos problemas que isso pode acarretar na vida de uma pessoa. 

Gostei, especialmente, do trecho seguinte:





A futura empreendedora, diz ter se sentido estranha durante toda a vida, em todos os trabalhos. Considerava o desconforto como sendo o lugar em que mais se sentia à vontade. Ela estava, progressivamente, desistindo de buscar "seu lugar ao sol"!

Podemos considerar que Sophia passou os últimos anos de sua adolescência vivendo uma vida anarquista. 

"As mulheres são anarquistas e revolucionárias por natureza!" - Kim Gordon (#Girlboss - "Por que você deveria me ouvir?"

"A quantidade de liberdade que uma pessoa alcança é proporcional à inteligência que ela tem para querê-la e a coragem que emprega para conquistá-la." - Emma Goldman (#Girlboss - "Sobre anarquismo, por um instante")

No ano de 2000, com diagnósticos de depressão e TDA concluídos e pílulas medicadas, decide ignorá-las, abandonar os estudos e estudar em casa. No ano seguinte deixa a casa dos pais para ir dividir um apartamento com vários músicos e viajar pegando caronas com estranhos.

Sua primeira venda aconteceu no ano de 2002 e era um livro roubado! Siiim, além de tudo descrito, a Girlboss viveu muitas aventuras num curto espaço de tempo. 

Em dado momento, a autora vai se posicionar dizendo que este é um livro feminista e sua empresa, também. Não discordo! 
Sophia Amoruso conquistou seu espaço sozinha, aprendendo sozinha sobre empreendedorismo e conseguiu transformar uma simples ideia de vender roupas vintage encontradas em brechós, em uma empresa milionária. Hoje, ocupa um lugar de poder, administrando a Nasty Gal com seus braços e mente feminina! 

Ela também faz questão de frisar que o intuito da empresa é encorajar meninas/mulheres a ser e fazer o que quiser! 

E também faz bastante questão de enfatizar o fato de ter começado com uma situação bancária como a de muitos nós: zerada! Após aprender a lição com os furtos, investiu pesado nas pechinchas nos brechós, encontrando, reformando e vendendo MUITO, suas peças no EBay.

Em vários pontos do livro, Sophia tenta nos convencer que "tudo é possível"! É claro que não estamos esperando um príncipe encantado e, muito menos, que milhões entrem em nossa conta mesmo se permanecermos aqui deitados. Porém, na maioria das vezes em que ela tenta imprimir um viés feminista no livro, soa um tanto dentro do ideal liberal e, inclusive, acontece de rolar alguns trechinhos desnecessários.

Nós sabemos bem que trabalho, serviço e, principalmente, um grande negócio como esse, necessita de um grande investimento."Sim, eu sei que Sophia não era rica, nem teve os famosos "Q.I" para ser famosa e bem-sucedida. Pelo contrário, a própria faz questão de nos contar que teve, sim, boas pintadas de sorte em tudo o que aconteceu!

Acho bacana, e bem colocado, quando ela enfatiza que não é uma roupa, um salto e maquiagem (ou falta deles) que vai dizer quem você é. E, sim, que o conjunto de tudo isso pode ser, sim, importante para alguém, em algum lugar, que está precisando melhorar a autoestima. Lutamos contra os padrões de beleza que a mídia e a moda nos impõe, mas enquanto não temos isso muito bem resolvido, uma roupa nova pode, sim, fazer uma mulher mais feliz em um dia ruim. Infelizmente. Pois, isso deveria ser o menos importante. Mas, enquanto não é, encontrar um equilíbrio é importante e consegui ver isso por parte de Sophia, mesmo ela sendo quem é. As críticas que ela faz ao mundo "fashionista" e toda futilidade dos "Fashions Weeks", por exemplo, são ótimas. 

Eu já falei por aqui muitas vezes que não é o fato de usar maquiagem, batom vermelho, que irá fazê-la "empoderada". Mas também não há NADA que lhe impeça de usar, de sentir-se bem quando no alto de um salto 15, por exemplo!

Já o ponto negativo fica por conta do parêntese que mencionei lá em cima. Ok, que Amoruso venceu na vida, encontrou seu lugar no mundo, fazendo o que mais ama. É verdade, também, que se você ficar sentado/deitado em casa, nada cairá em seu colo. Mas é necessário relatar que, nesse ponto, ao menos por aqui, não podemos relacionar o que ela diz, com nossa realidade. 

Para entender o feminismo, o que ele busca e, principalmente, a união crescente das mulheres, é preciso - também - compreender nosso desvio educacional, a desigualdade social e econômica que nos envolve e, assim, fazer o recorte de etnia, classe social e gênero e, sobretudo, compreender as diferenças entre uma e outra!

A autora soube resumir todo o conceito, quando diz que o ideal de sua empresa é fazer com que você se vista para você mesma!

Do Ebay, Sophia viu-se na necessidade de criar seu próprio site. Com ajuda de dois amigos, o trabalho crescia cada vez mais, seu quarto já não os comportava. A empresa estava crescendo absurdamente.



O restante, vou deixar pra vocês aproveitarem a leitura. Há dicas incríveis de empreendimentos, desde o que não fazer em sua carta de apresentação, passando pelas posturas esperadas em uma entrevista de emprego, até o que você precisa para ser uma GirlBoss: Ou, simplesmente, uma chefe de sua própria vida!

Este é um verdadeiro relato sobre como uma garota foi do lixo ao luxo em 7 anos, tornando-se muito poderosa e bem-sucedida, sabendo colocar-se no papel de líder que uma grande empresa necessita!

Sophia Amoruso não foi atrás de uma empresa que coubesse seu sonho, ela criou a sua! Entre tudo o que falei e muitas outras coisas, 
vale MUITO a leitura! A gente começa a ler sentindo-se como ela mesma no início do livro: derrotada. E termina querendo sair pro mundo concretizando nossos sonhos! 

"O caminho reto e estreito não é o único para se chegar ao sucesso!"





E, aí? Estão ansiosos pra série?
Depois eu volto aqui pra dizer o que achei dela, ok?
Por hoje é spi! Beijooos




Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!





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6 comentários:

  1. Oie! Eu vi uma propaganda dessa série ontem e nunca iria imaginar que ela é baseada em um livro. Confesso que se tivesse lido apenas a sinopse, descartaria a leitura facilmente, não é qualquer biografia que me interesse, ainda mais quando se fala sobre empreendedorismo. Pois, muitas vezes se pinta um quadro maravilhoso do assunto e as pessoas só conseguem pensar no: "vendia roupas no ebay e agora, pah, estou milionária" e não se atentam a todo o trabalho duro, vontade de desistir e falta de dinheiro que esse processo envolveu. Foram sete anos, conheço poucas pessoas que insistiriam por sete anos em um negócio até que ele desse resultado. Até porque, ele pode não dar. É um risco que pede por muita frieza e paciência. Entretanto, fico feliz que o livro não tenha aquela pegada de livros de auto ajuda e que a autora questione os padrões sociais da moda e da educação. Esses pontos me fizeram reconsiderar a leitura da obra. Beijos
    www.sigolendo.com.br

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    1. Oi, Isabela! Espero que você goste, assim como eu! Depois me conta sua opinião! Beijoos

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  2. Oii! A série está mesmo incrível, mas ainda não consegui ler o livro. Lendo sua resenha percebi que muitas coisas ficaram de fora da série, como os diagnósticos da protagonista, mas acho que num geral tá bem fiel, né? Pretendo ler o livro logo para poder comparar!
    Mesmo com os pontos negativos que você citou, creio que num geral seja uma leitura muito proveitosa. A série me inspirou bastante, acredito que o livro será ainda melhor para eu me tornar uma Girlboss :p

    Duas Leitoras - no Top Comentarista de Abril você pode escolher entre 4 livros!

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    1. Algumas coisas ficaram de fora, outras tiveram um andamento diferente e muitas foram introduzidas para dar aquele tom de humor à série (mesmo o livro já tendo essa pegada, a série aumentou). De toda forma, gostei muito dos dois! Devorei os dois igualmente!!! hahaha
      Quando assistir, me conta!
      Beijos, Kemmy!

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  3. Olá!
    Eu não sabia do que se tratava esse livro, mas comecei a ouvir uns murmurinhos sobre por causa da série na Netflix. Bendita hora que encontrei sua resenha! hahaha
    Não sabia, por exemplo, que era um livro de não-ficção. Sim, estou bem por foro, né? :x Achei legal como ela desenvolveu pra contar as conquistas e um pouco mais da vida dela, pra não se tornar monótono e chata, como os de autoajuda, como você mesma mencionou. Dever ser bem bacana conhecer a história dela, que em sete anos mudou completamente sua vida... mas não sei se eu iria gostar do livro. Vou tentar ver o primeiro episódio da série pra vê se curto! rs

    PS: E caramba, não conseguiu terminar Os treze porquês? :o kk

    Beijos
    www.lendoeapreciando.com

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    1. Não consegui terminar, Kamilla!!! X= Mas pretendo retomar, qualquer hora. Vou tentar mais uma vez,agora que já vi a série. Particularmente, eu não tenho o menor problema com adaptações, considero artes diferentes e, por assim serem, não vejo problemas em terem modificações... Acredito - pelo pouquíssimo que li - que "Os 13 porquês" foi um caso positivo de adaptação para série. Mas insistirei na leitura para não ser injusta...rs
      Já, em relação à Girlboss, adorei as duas obras, incluindo as mudanças feitas! <3

      Beijoos

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