segunda-feira, 8 de maio de 2017

Livros são para ler, não para decorar estante!

Olá, tudo bem?

O assunto de hoje pode ser um pouquinho polêmico... Escrevo consciente que muitas pessoas que me leem irão discordar, principalmente aquelas que também possuem um Blog com nicho literário. Mas, quando foi que isso nos impediu de conversar por aqui, não é mesmo? 

Com muito respeito aos gostos, opiniões e posicionamentos de cada um, quero falar sobre livros! (ué, a gente já não faz isso na maior parte do tempo? hehe) 

Vem comigo!


Eu aprendi a ler bem novinha, antes de completar 4 anos, uma idade considerada bem precoce para os professores. Sou exemplo vivo de uma premissa bem básica que aprendemos na Faculdade: "a melhor maneira de incentivar a leitura, é lendo para a criança". 

Desde que eu nasci tive livros infantis (tanto herdados de um primo mais velho, quanto comprados pra mim mesmo). E minha avó sempre os leu pra mim. Sempre. 
Já minha mãe, sempre leu muito. De tudo. Ela trabalhava muito, tinha pouco tempo ocioso, mas quando o tinha, muitas vezes estava lendo alguma coisa. 



Ouvir histórias e ver pessoas lendo são as melhores, e mais naturais, formas de se incentivar a leitura. É por isso que, enquanto professores, devemos adotar a prática da leitura deleite, que nada mais é do que o ler para o aluno sem qualquer obrigação posterior. Nossos alunos nem sempre vêm de um ambiente letrado, nem ambientes em que têm a oportunidade de serem incentivados a lerem de alguma maneira... E a leitura deleite diária, desde a educação infantil, colabora para que ele tenha esse incentivo!

Pois bem... Eu fui crescendo rodeada de livros infantis, vendo os não-infantis guardados ou na mão de alguém e, rapidamente aprendi a ler. Decorei uma história que era minha preferida (da Coleção Cabe na Mala), bem pequenininha (fácil de decorar depois que te contam mil vezes, haha) e, por fim, quando não tinha ninguém disponível para ler para mim, já conhecendo as letrinhas, comecei a relacionar sons e assim fui aprendendo. 

Livros sempre fizeram parte da minha vida!

Lembro quando minha mãe me levou pela primeira vez na biblioteca municipal da minha cidade, me indicou o livro "Feliz Ano Velho" (que eu devorei na época), fez minha ficha lá e eu passei a ir sempre. Encantada com tantos livros novos que eu teria disponível! Ainda tinha a biblioteca da escola, que sempre frequentei.

Quando mudamos de cidade, por um período, e descobri a biblioteca de lá - muito maior e atualizada - quase morri de felicidade!

Só uns três anos depois disso que passei a comprar livros. 

E aqui, chegamos ao ponto em que eu quero com esta 'conversa'! Se eu comecei a comprar meus livros com uns 18 anos e hoje tenho 31, e mais: recebo vários livros em parceria com editoras e autores independentes, e ainda tive aquela fase que TODO LEITOR APAIXONADO passa, já passou ou vai passar: A LOKA DAS PROMOÇÕES! Pois é. Aquela fase que não importa se você tem referência do livro, se ele é do seu agrado, se você tá esperando por ele há um tempo... Enfim, não importa nada: apenas que ele esteja baratinho na sua loja virtual preferida e você que você tenha um cartão em mãos. E você vai lá e compra uma pilha! 
E põe na estante. Pois sabe-se lá quando irá conseguir lê-los. (Ou se irá)

Mas voltando à pergunta inicial do parágrafo acima, se eu comecei a comprá-los com 18 anos, tenho 31 e tive essas fases (longas e insanas) de compulsão, era pra eu ter uma quantidade que nem sei mensurar de livros, não é?

Acontece que isto não é o que acontece por aqui. 

Eu tenho muitos livros, sim. Muitos amigos, parentes, quando olham meus livros se surpreendem, acham que é muito, fazem piada, rs, mas não chega perto do que seria se eu tivesse guardado tudo o que adquiri nesses anos todos. 

Por quê? Porque eu doo. Simplesmente. Para bibliotecas escolares, municipais, para amigos, para familiares, até para Centro Espírita já doei. 

E como eu escolho o que vai e o que fica?

Bem simples, também:

Livros ganhados: ficam.
Livros autografados: ficam.
Livros que pretendo reler: ficam.
Livros que eu gostaria que o Arthur lesse (por agora ou um dia): ficam.
Livros que Rafael ainda não leu e está na fila dele: ficam.

Livros que li, não gostei, sei que não é do gosto de Rafael e não faço questão que Arthur leia (se ele quiser ler um dia, adquira): Vão-se.
Livros que não li, comprei em algum momento insano da minha vida (aqueles das promoções), e hoje sei que encaixam-se nos perfis de livros que não lerei nunca e todos os itens do item acima: Vão-se.
Livros que li, gostei, mas não pretendo ler de novo, nem Rafael, nem Arthur: Vão-se.

E por aí vai... 

Tem me assustado o quanto as pessoas têm valorizado mais os livros enquanto objetos, do que seus conteúdos. São inúmeros memes que rolam pelo instagram do tipo: "Morro, mas não empresto meus livros", "Não toque nos meus livros e blábláblá"... E coisas do tipo. 



Eu entendo o cuidado, afinal, tudo o que a gente gosta muito a gente toma cuidado e espera o mesmo dos outros... Mas chegar ao ponto de negar um empréstimo? Não quero meter a louca da problematização aqui, a intenção passa longe disso mas, em um país em que livros custam caríssimo (sim, nosso país enfia a mão nos nossos dois olhos na venda de livros e nem sempre são tão caprichados quanto seus originais, por exemplo), país em que o percentual de leitores ainda é baixíssimo, o analfabetismo é super alto... É sério que vocês acham legal ter um blog/vlog para "incentivar a leitura", enquanto propagam a ideia de negar-se a SEQUER emprestar um livro?



Acho LINDA uma estante lotada de livro. Linda! Vejo cada uma que fico aqui babando. Aí para um instante no Youtube e vai assistir alguns bookshelf tour... A MAIORIA não leu a maior parte dos livros que ali estão.

E, se a intenção é tê-la para não ler nem metade dos livros ali expostos e nem sequer emprestá-los, de que adianta? 

Por que livros viraram enfeites? Por que estamos propagando essas ideias? 



Esses dias assisti um vídeo da Youtuber Pam Gonçalves, que fez vídeos em frente às suas (lindíssimas e abarrotadas) estantes de livros durante alguns anos. Agora ela se mudou, não sei se as estantes foram com ela, mas ela fez um vídeo dizendo que não fará mais vídeos em frente às estantes. Que ela repensou algumas coisas em sua vida e achou que estava incentivando o consumismo quando fazia aquilo. Seus vídeos agora são feitos em um sofá, na sala, tudo bem simples, mas com o mesmo conteúdo de sempre.



Passei o olho pelos comentários do vídeo e, entre alguns apoios e reclamações, um foi bem específico e me chamou atenção. Ele dizia:

"Não pare de fazer vídeos na frente de sua estante. Eu só comecei a ver seu canal por causa dela, que é linda"

Eu sei que pra se aventurar por esse mundo de Youtube você tem que estar ciente da qualidade de seus vídeos, e isso inclui o cenário como um todo. Mas, se a Pam tinha dúvidas quanto voltar ou não a fazer os vídeos com a estante, acredito que esse comentário sanaria todas elas, não é mesmo?

Como assim você SÓ começa a acompanhar um canal por causa de uma estante cheia de livros e não pelo conteúdo que ele está te passando?




Percebem o problema? Livros passaram mesmo a ser objeto de decoração. Daqueles que você para para admirar por alguns minutos, ou horas, se achar bonito compra e coloca de enfeite na sua estante. E lá ele fica. 

Eu, sinceramente, nem sei que termo usar pra resumir tudo isso. Não sei se preocupante é a palavra ideal. Mas fica aí meu pensamento pra vocês e, fiquem a vontade para discordarem, opinarem, ou concordarem, né!? rs 

Um beijo e até o próximo post!


Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!

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10 comentários:

  1. Olá,
    Que postagem surpreendente. Claro que gostamos de ter vários livros, mas se não for para lê-los para que ter?
    Fiquei pensativa quanto aos memes, afinal sou blogueira e incentivo a leitura. Porém, já fiz várias publicações do tipo pelo fato de achar engraçada e não havia me ligado à contradição disso.
    Já emprestei vários livros e não me nego a fazê-lo, já perdi livros e não me arrependo porque o livro é maravilhoso e só desejo que a pessoa não o tenha esquecido por um canto e sim tenha lido!

    LEITURA DESCONTROLADA

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    1. É isso aí, Michele!!! Se estamos aqui incentivando a leitura, vamos seguir fazendo isso no nosso dia-a-dia também, né!?
      Que bom que você também pensa assim! Vamos seguir fazendo nossa parte! <3

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  2. Minha mãe é professora, então desde pequena tenho esse universo dos livros perto de mim. E gosto muito.

    Eu também sou bem desapegada, quando leio, mesmo que eu goste, se não é um livro que amei, passo adiante também. Um pouco pois não tenho espaço para uma estante assim, e outra porque penso que nem você.. se não gostei, nem vou ficar acumulando, e já fiz trocas ou mandei embora até livros que gostei, mas não faziam o estilo dos livros que guardo.

    Adorei seu post, pois faz refletirmos sobre o assunto.

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    1. Esqueci de mencionar as trocas, sempre válidas também! Bem lembrado, Monique! <3

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  3. Oi Eliza!
    Achei muito fofa a sua história de quando começou seu amor por leitura, seus incentivos e sua vontade de conhecer histórias. Nunca tinha esse incentivo, meus pais vezes ou outra liam livros, mas nunca compraram nenhum pra mim ou leram pra mim. Então fui pegar o gosto já quando estava mais velha.
    Sobre a fase da Loka das promoções, quem nunca passou? É real e tenho muitos livros da época dessa loucura que nunca li e nem tenho mais vontade de ler. Já me desfiz de muitos deles, e faço como você, deixo os que gosto, que quero reler. Diferente de você já dei livros autografados que não curti a história. Olha, que antes eu era a louca... não conseguia me desapegar de jeito nenhum, mas entrei numa fase que nem me estresso mais. Não vai me fazer falta, porque vou guardar? Não curti, mas vai ter gente que sim. Eles farão melhor aproveito, não é mesmo?
    Sobre empréstimo ~polêmicas~. Não consigo fazê-lo, mas por um trauma, sabe? Não sou de muitas amizades e as poucas que tenho não curtem muito ler. Uma vez emprestei e o livro voltou, mas em estado deplorável. E a justificativa foi: "Estava brincando com um amigo e ele rasgou", tipo oi? Não consigo confiar, sabe?! hahaha

    Assim como você fico babando pelas estantes e no começo tinha essa imaginação em ter uma biblioteca recheada, linda, de dar invejas. Mas hoje nem tanto, sabe?! Quero ela recheada, mas com livros que eu adorei e que quero um dia reler ou partilhar com meus ~futuros~ filhos. rs

    Gostei bastante da sua postagem! Foi bem bacana. De fato muita gente usa livros como meros detalhes para decoração e isso não vem de agora, mas parece que está tendo uma proporção maior, né? De fato acho que olhar para a estante da Pam, por exemplo, dá uma vontade de ter uma estante como a dela. Mas pra quê? se não tem intenção de ler aqueles livros ou não gosta da maioria? São várias coisas a se pensar. Já disse que gostei da postagem? hahaha

    Beijos

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    1. Oi, Kamilla!!! <3 Sempre bom vê-la por aqui! Você não empresta, mas passa pra frente até os autografados, tá vendo!? Um passo de cada vez e assim vamos deixando nossa estante cada vez mais ao nosso agrado e, consequentemente, fazendo a alegria de outras pessoas!
      Obrigada pela opinião!
      Beijos

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  4. Oi Eliza
    Eu concordo que o consumismo fala mais alto pra muitos leitores. Eu tenho orgulho em dizer que não compro nenhum livro pra mim a mais de 3 anos. E ainda tenho inúmeros livros pra ler. Não tive faze de compras desenfreadas. Sempre comprei livros pelos quais me interessava.
    Eu empresto meus livros, contanto que eu já os tenha lido e conheça a pessoa e sei que ela tomara cuidado. Ano passado decidi me desapegar de livros que eu não tinha interesse em reler e trocar por outros que queria e foi incrível.

    Vidas em Preto e Branco

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    1. Oi, Lary! Caramba, 3 anos já!? Que incrível!!! Eu ainda compro de vez em quando um ou outro que quero muito ter porque sei que vou ler, reler, e quero que Arthur leia etc. Como expliquei no post. E tem os que recebo das parcerias, né!? Mas até as parcerias eu diminuí muito (vou falar disso em um outro post também). E os leitores digitais ajudaram MUITO, né!? o/ Vamos praticando o desapego, aos poucos, que um peso vai saindo das nossas costas! Beijinhos

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  5. Adoro a Pam e concordo com a mudança de cenário dela. Achei super justo. Mas, acho que ela devia ficar alternando o cenário e trazendo novidades.
    No quesito emprestar livros, eu tenho muito trauma. Os que eu emprestei ou nunca voltaram ou voltaram amassados. Triste. No mais concordo com tudo que você disse! Assino embaixo.
    Abçs

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    1. A maioria das pessoas que me deram retorno sobre o porquê de não emprestarem livros, disseram a mesma coisa que você. Eu entendo o trauma. A gente também não trabalha, gasta dinheiro comprando os livros, os trata bem para, simplesmente, nos devolverem amassados, rasgados e - muitas vezes - sem nem terem lido, né!? Entendi o ponto de todos vocês. Equilíbrio é tudo nessa vida, né!? Acho que dá pra selecionar aqueles que a gente sabe que vai tratar bem e os que não vão. hahaha

      Beijos e obrigada pela visita <3

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