quinta-feira, 27 de julho de 2017

Impressões sobre o filme "Deus não está morto"

Seguindo minha linha de fugir de todos os hypes possíveis e só assistir e ler qualquer coisa depois que passa "a onda", "a modinha" - não para firmar-me como hipster, longe disso. Apenas para não me deixar levar pela emoção e/ou frustração dos críticos internéticos - assisti um filme que já tem até a sequência.

Ouvi falar bastante de "Deus não está morto", mesmo não tendo sido este um filme que tenha tomado as salas do cinema. Foi um "hype" diferente, se é que faz sentido dizer isso. Acontece que quando esse filme saiu na Netflix muita gente tomou as redes sociais com frases e hashtags com a frase que leva o nome do filme. 

Assisti no mês passado, citei ele aqui no resumo do mês, mas resolvi falar um pouquinho sobre ele só agora! 

Bora lá!


Antes de qualquer coisa, vamos deixar um registro aqui: eu não sou uma pessoa religiosa. Já citei isso diversas vezes aqui no Blog (mesmo não entrando profundamente no assunto). Dito isto, é preciso que você saiba que o fato de eu ser ou não religiosa, de ter ou não uma ideia bem concebida sobre deus, conhecimento, crenças, dogmas e qualquer coisa assim, pode ser um fator de grande diferença aqui.

Como eu sempre digo, também, filmes, livros e qualquer outra representação artística, estão diretamente ligadas com a maneira como você as recebe. Com a forma como você sente, vivência a experiência. Um mesmo filme sempre vai tocar de diferentes maneiras as pessoas. 

Pois bem! 

Em "Deus não está morto" temos uma história toda pela perspectiva de cristãos e só por isso já é possível entender que, para a maioria deles, o saldo pode ser bem positivo. Cristãos (em maioria) vão, praticamente, sentar e assistir aquilo que já pensam.

Tudo parte da premissa do embate entre um professor (ateu) de filosofia e um de seus alunos. 
O professor, vivido por Kevin Sorbo, já no primeiro dia de aula do curso de Direito, Radisson, propõe que seus alunos escrevam em um papel em branco a frase: "Deus está morto". Desta forma, todos estariam de acordo com o óbvio - do ponto de vista do professor - e prontos para darem continuidade nas aulas. Porém, ao recolher as folhas, Radisson percebe que Josh não escreveu nada. Por ser cristão convicto, mesmo intimidado, Josh mantém sua postura e não faz o que foi pedido.



Em uma atitude extremamente austera, o professor diz que Josh não poderá continuar a assistir suas aulas se prosseguir com tal atitude e, após alguns minutos, faz uma proposta: se em três aulas Josh conseguir provar o contrário - que Deus está vivo - ele permanece nas aulas. 
Mesmo sabendo tratar-se de algo muito difícil, justamente por estar diante de um docente extremamente autoritário e intransigente, Josh aceita o desafio e faz disso sua meta de vida, praticamente. 

Enquanto as três aulas ocorrem, com debates que poderiam ter sido melhores aproveitados, mas não chegam a ser ruins (principalmente para pessoas que não tenham tanto conhecimento religioso, ou até mesmo o básico da Filosofia, Ciência...), outros núcleos vão acontecendo paralelamente. 

Desses núcleos, muitas reflexões podemos fazer. Tudo o que ocorre, até quase o final do filme, parece bastante aleatório. No entanto, as histórias vão se entrelaçando sutilmente, dando um sentido para cada uma das tramas. 

E é nesse ponto que deixo a pouca imparcialidade que tentei imprimir para falar exatamente o que o filme me transmitiu. Provavelmente por minha falta de religiosidade, foquei muito no papel que os personagens não-cristãos receberam: a maioria com caráter bastante duvidoso, atitudes grosseiras, ríspidas, maldosas, frias e por aí vai. Esse contraste é bem evidente durante todo o filme e gritante no final. 

Poderia ser um filme baseado em um debate bem construído de cristãos x ateus (mesmo que prevalecendo o cristianismo), mas optaram pela mesmice de "cristãos-melhores-pessoas-ateus-piores-pessoas" com o adendo de "perdão-remissão-só-jesus-salva".

Algumas representações bastante caricatas e algumas razões bastante superficiais.

A velha tática do "é ateu porque está ~em crise com deus~". Batido, né gente!?



Mas é aí que eu entro de novo e repito: cada pessoa percebe, sente, vive o filme de uma forma. 
Tenho amigos cristãos que amaram, tenho amigos cristãos que nem se sujeitaram a comentar... E eu... Bem, eu gostei! Surpreendentemente, eu gostei!

Não é de hoje que eu sou estranha com filme. Se eu tivesse que listar melhores filmes, claramente este não estaria na minha lista. Também está longe de ser um filme memorável, e ainda tem vários aspectos negativos (como os que citei e mais um monte). Porém, no conjunto de tudo, é um filme que me deixou um tempão refletindo. Refletindo sobre várias coisas, vários assuntos. Como, por exemplo, como é a visão da maioria das pessoas sobre os ateus. E, ainda, como um professor pode ser tão destrutivo em uma sala de aula.

Por mais exagerado que tenham feito o professor - afinal, esse era o ponto de partida do filme - ainda temos MUITOS professores que dentro de uma sala de aula sentem-se acima do bem e do mal. E isso acontece em qualquer série, fase. Da educação infantil à faculdade. 

Professores que por pura vaidade têm a necessidade de provar o poder que têm, o quanto dominam 30, 40 alunos, dentro de um quadrado que chamam de seu. E que, passe o tempo que for, continuam achando que são eles os donos reais do saber. Professores que por melhores que sejam na arte de ministrar sua disciplina, não são capazes de entender que na escola, ou universidade, o "cliente" é o aluno e sem ele, nada existiria. Não conseguem entender a diferença entre domínio de classe e abuso de poder. 

Infelizmente vejo isso todos os dias na minha profissão. Assim como, """"profissionais""" que não admitem que o aluno pense diferente. Principalmente se esse "diferente" colocar em risco o que ele pensa ser soberano. Triste!

Outra reflexão que considero bastante válida é a de quão longe as pessoas estão propícias a irem para provarem estarem certas de seus argumentos, pensamentos, fé!

Enfim... Divagações a parte, um filme é válido pra mim quando: 1 - eu assisto sem reclamar, com fluidez. 2 - me leva a refletir sobre o roteiro em si e/ou transferi-lo para realidades semelhantes. 

"Deus não está morto" conseguiu as duas coisas comigo e, por isso, gostei e deixo a dica para qualquer pessoa, de qualquer religião, credo... E, a partir daí, cada um tenha uma experiência diferente!


E se você já assistiu, me diz como foi sua experiência com este filme! 

Beijos e espero vê-los no próximo post!


Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!


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