26 de abril de 2018

Minhas Impressões | Me chame pelo seu nome

Hey, gente!

Como estão do lado daí?

Antes da cerimônia do Oscar 2018 me propus a ver a máximo de filmes que conseguisse por dois simples motivos: 1 - eu amo filmes e, consequentemente, tudo o que envolve esse cenário. 2 - eu queria acompanhar, ao menos as principais categorias, por dentro do que estava sendo indicado. 

Pois bem, assim o fiz. Na tabelinha que deixei fixada ali no Menu > Desafios > Oscar 2018 - Lista, é possível visualizar o que consegui assistir, o que já tem resenha aqui no Blog e tudo mais. 

Algumas coisas que eu assisti não trouxe para cá como resenha ainda. Apenas citei como visto. Mas prometi seguir fazendo mesmo após a entrega das famosas estatuetas. É o caso de "Call me by your Name" ou, simplesmente, "Me Chame pelo Seu Nome", o romance que quero conversar hoje com vocês. 


Me Chame Pelo Seu Nome - Poster / Capa / Cartaz - Oficial 1

Título Original: Call Me By Your Name

Ano de produção: 2017

Direção: Luca Guadagnino

Estreia no Brasil: 18 de Janeiro de 2018

Duração: 130 minutos

Nota: 4 /10



Esperei bastante para que esse filme saísse do hype para trazê-lo aqui, pois, acho que aconteceu com ele o que, infelizmente, vem acontecendo com muitas obras ultimamente. 

Antes de eu prosseguir aqui, gostaria de ressaltar que não sou crítica de cinema (mesmo que não haja uma faculdade específica para tal profissão, nunca trabalhei, tampouco me aprofundei afinco na atividade. A intenção não é essa. Não estou aqui tentando provar nada, tampouco um ponto de vista como verdade absoluta.) Trata-se apenas de uma - de milhares que você poderá encontrar por aí - perspectiva acerca de um filme assistido. 

"Call Me By Your Name" é um romance escrito pelo autor André Aciman que se identifica como heterossexual. Não sei você, mas eu acredito que qualquer escritor pode escrever sobre qualquer assunto. Pode viver qualquer personagem, em qualquer época, corpo, profissão, ambiente... Sendo assim, não vejo o menor problema em um ator hétero escrever um romance gay. 

No entanto, quando isso acontece, é necessário uma entrega ainda maior ao trabalho. Entregar-se de corpo e alma aos personagens em questão requer pesquisas, requer entrar na mente do personagem, mais do que qualquer outro, eu arriscaria, pois estamos tratando de individualidades muito peculiaridades e delicadas de cada um. 

Não li o livro. Apesar de ter visto excelentes dicas. Costumo esperar para ler antes mas, como estava com o projetinho do Oscar, quis ver logo. 

Veja a sinopse: 

O sensível e único filho da família americana com ascendência italiana e francesa Perlman, Elio (Timothée Chalamet), está enfrentando outro verão preguiçoso na casa de seus pais na bela e lânguida paisagem italiana. Mas tudo muda quando chega Oliver (Armie Hammer), um acadêmico que veio ajudar a pesquisa de seu pai.

Ponto super alto do filme são as atuações. O personagem Elio é ótimo e passa todas as sensações que precisamos sentir. E, Oliver, o rapaz por quem ele irá se descobrir apaixonado no decorrer do filme, está incrivelmente odioso. Sim. Irritantemente chato, arrogante, seco... Um abutre. 

A interpretação de Armie Hammer está impecável, não acredito ter sido um problema de interpretação... O personagem é que não me cativou em momento algum mesmo. 

E tudo bem!!! Esse não é o meu problema maior com o filme. Afinal, se tem uma coisa certeira neste filme, é a capacidade de recriar o cotidiano de forma leve e verossímil. 

Nada de amores teatrais, provas de amor públicas e serenatas. Apenas a descoberta do amor puro, simples e cru. 

Isso é bem retratado no filme inteiro. É bem evidente, também, o quão Elio tem o apoio, mesmo que silencioso durante a maior parte do filme, dos pais, em relação à sua sexualidade. Enquanto Elio se percebe interessado em Oliver, sendo esta uma novidade para ele mesmo, já que nunca se viu nesta situação antes, seus pais lhe dão liberdade e até estimulam a estar sozinho com a visita. 

Essa cumplicidade dos pais fica evidente logo no princípio do filme e ali já notamos que não teremos um filme sobre preconceito, homofobia, ou qualquer coisa neste estilo... Tópicos bastante comuns em filmes que abordem a temática LGBTQI+. Outro grande acerto do cineasta.

No entanto, passado isso, chegamos ao derradeiro. Não há mais o que se esperar do filme. Não há mais entrega, surpresas e, até mesmo as sutilezas de antes tornam-se maçantes e repetitivas. 

O filme é salvo por um diálogo belíssimo entre pai e filho já no finalzinho do filme. 

É claro que, como eu já mencionei, essa é só minha opinião. Lendo por aí vocês encontrarão milhares de opiniões positivas. O filme teve excelente crítica. 

Para mim, deixou a desejar na maioria do que se propôs. Moonlight, por exemplo, vencedor do Oscar do ano passado, deixando à parte todas as outras temáticas que aborda, também retrata a descoberta da sexualidade, da homossexualidade, com a mesma poesia que "Me chame pelo seu nome" tentou. A diferença é que Moonlight conseguiu. 

Precisamos de representatividade no Oscar e em todos os lugares possíveis. Mas precisamos representar além dos padrões hollywoodianos.  Chega de "Oliver"!!! 

E eu nem vou entrar na questão da bissexualidade ou "apenas uma experiência" abordada friamente no filme porque isso é papo para posts inteiros. 

E quem sair comigo, ômi ou mulé, tem q me chamar é pelo MEU nome! Eu, hein! =P
(No máximo um apelido carinhoso daqueles breguinhas que a gente sempre arranja um...)


Beijos e espero vê-los no próximo post!



Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!

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12 comentários:

  1. O filme de Luca Guadagnino demora quase uma hora para engrenar mas, quando finalmente acontece ele deslancha, um dos filmes mais elogiados de 2017 mereceu todas as menções por ser um filme sensível e que conta a descoberta não só da sexualidade, como do amor de uma forma muito tocante , é de uma delicadeza impar, Timotheé Chalament é um monstrinho em cena, não só nos seus olhares como em sua atuação corporal que deixa a personagem em evidência, o diálogo de Elio com seu pai é sem dúvida uma das cenas mais tocantes do ano, lindo e sem dúvida um dos melhores de 2017.

    https://clebereldridge.blogspot.com.br/

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    1. Olá, Cleber! Obrigada pelo comentário. Sobre o ritmo do filme, não me incomoda. A "quase uma hora para engrenar" que você menciona não é, nem de longe, um problema pra mim. Como tentei deixar explícito no meu texto, meus problemas ficaram por conta da falta de empatia com o personagem Oliver e a representatividade "para hétero ver", como eu costumo chamar esse tipo de casal que o filme abordou. Penso que já passamos da hora de entrar com os pés na porta e rompermos de vez com os padrões Hollywoodianos. Precisamos de representatividade que REPRESENTA. E, não, que agrada.
      Mas, não deixa de ser bacana saber que o filme agradou tantas pessoas. O melhor do cinema, teatro, literatura... sempre será isso: despertar diferentes interesses e sentimentos nas pessoas!

      Abraço e volte mais vezes! <3

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  2. Ainda não pude assistir o filme mas estou bem curiosa para conferir, a maioria das críticas que conferi são realmente positivas.

    www.estante450.blogspot.com.br

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    1. Sim, Cassia! Ele teve ótima repercussão! Veja!! Vou adorar ler suas impressões. <3

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  3. Não cheguei a assistir esse filme ainda, mas parece interessante mesmo sendo meio chato quando o começo é devagar..

    www.vivendosentimentos.com.br

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    1. Só assistindo mesmo pra ter uma opinião... Se você tem problema com ritmo de filme, talvez não vá gostar. Se assistir, me conta!

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  4. Oie,

    Já ouvi falar bem e mal desse filme, ainda estou em duvida se assisto o filme.
    Bjs e um bom Domingo!
    Diário dos Livros
    Siga o Instagram

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    1. Assiste!! Depois conta pra gente o que VOCÊ achou!

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  5. Oi! Tudo bem?

    Eu tentei também assistir os filmes do Oscar e como todos os anos, falhei. Esse foi um dos que eu não assisti e sinceramente, não tenho muita vontade porque sempre penso que os trailer já entregou tudo do filme, como ele não tivesse mais nada a oferecer.

    Você ressaltou a questão do hétero escrevendo um romance homossexual. Também acho isso normal e até interessante que nos mostrando que mesmo aos poucos, estamos derrubando preconceitos. A minha crítica é que muitas histórias homossexuais boas escritas por homossexuais não fazem o mesmo sucesso e isso é com certeza algo, pelo menos para mim, a se pensar.

    Mesmo que eu não tenha assistido o filme, vi muitas críticas que assim como você falou que o romance é bom porque ele é verdadeiro e real. Não é aquela fantasia de serenatas e tudo para deixar mais bonitinho e aceitável pelo público. É algo verdadeiro.

    Enfim, mesmo que ainda não tenha assistido, vou acabar assistindo uma hora ou outra.

    Adorei suas impressões sobre ele.
    Beijos,
    Magia é Sonhar

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    1. Oiê!!! <3

      Queria MUITO que você visse e contasse o que achou. Ia adorar ler suas impressões, sua visão sobre tudo.

      Você tocou em um ponto tão importante!!! Pois é, querem falar de representatividade... Mas cadê os cineastas gays? Atores negros, gays, trans... Cadê todo mundo na mesma proporção? Trabalho de qualidade não falta. Inclusive, "Me Chame pelo seu nome" tem cenas inspiradas em um romance gay, escrito e produzido por gays, que não são sequer mencionados... Enfim.. Papo pra muitos posts, né!?

      <3 Sempre bom te ver aqui!

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  6. Oi, Eliza! Tudo bem?!

    Apesar desse filme e livro estarem tendo um hype gigantesco, eu ainda não senti interesse em me aprofundar mais no universo de 'Me chame pelo seu nome'. Aliás, esse foi o primeiro post que eu li a respeito da adaptação e eu achei que os pontos que você destacou foram super válidos - e a maneira como você escreveu também, porque você escreve para "pessoas normais" que precisam entender de forma clara e objetiva o que você sentiu ao assistir determinada obra.

    Enfim, também concordo que precisa existir mais representatividade (não só no Oscar), mas é necessário fazer de maneira "certa" pra que as coisas não fiquem perdidas durante as obras.

    Beijos
    www.procurei-em-sonhos.com

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    Respostas
    1. Oi, Cássia! Tudo bem.

      Eu acho bem importante deixarmos a formalidade de lado e falarmos o mais natural possível. Dessa forma, atingimos todas as pessoas de forma clara e objetiva.

      Infelizmente, algumas pessoas estão confundindo algumas coisas ultimamente. Precisamos de representatividade, sim. Mas não podemos perder o senso crítico por isso.

      Obrigada pelo comentário e por entender minha intenção tão bem! <3

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