2 de abril de 2018

Resenha | Coragem (Rose McGowan)


Coragem 



Título: Coragem
Autoras: Rose McGowan
Número de páginas: 288

Sinopse: ROSE McGOWAN nasceu em um culto e o trocou por outro, mais visível: Hollywood.Rose McGowan se tornou uma das atrizes mais desejadas de Hollywood da noite para o dia quando foi "descoberta" nas ruas de Los Angeles. O estrelato logo se tornou um pesadelo de exposição constante e sexualização. Todos os detalhes de sua vida pessoal se tornaram públicos, e as realidades de uma indústria inerentemente machista emergiam a cada roteiro, papel, aparição pública e capa de revista.Hollywood esperava que Rose ficasse quieta e cooperasse. Em vez disso, ela se rebelou e impôs sua verdadeira identidade e voz.
Ela reemergiu sem roteiros nem desculpas, corajosa, controversa e sempre verdadeira. Liderando o movimento de denúncias de assédio sexual na indústria de entretenimento ao expor os crimes de Harvey Weinstein, Rose é hoje um dos rostos do movimento feminista e não hesita ao disparar verdades inconvenientes e exigir mudanças.CORAGEM é seu livro de memórias em forma de manifesto - um relato sem censura nem piedade da ascensão de um ícone millennial, uma ativista sem medo e uma força de mudança imparável determinada a expor a verdade sobre a indústria do entretenimento, trazer à luz uma indústria multibilionária construída sobre a misoginia sistêmica e empoderar pessoas ao redor do mundo a acordarem e terem CORAGEM.


Olá, pessoas!


No dia 20 de março eu recebi o livro Coragem, da atriz norte-americana, nascida na Itália, Rose Mcgowan. Como vocês podem ver no meu resumo do mês, eu consegui efetuar 7 leituras no "mês das mulheres" e, justamente, o relato autobiográfico de Rose, foi meu destaque de melhor leitura. 

Em outubro passado, sem saber sequer da possibilidade de existência deste livro, eu fiz um pequeno post sobre o que vinha acontecendo em Hollywood e que já mexia com todas nós. Nele, mencionei Rose e o fato dela ter sido a grande responsável por encorajar diversas atrizes e outras funcionárias a romperem com o silêncio e contarem os abusos que sofreram - e sofrem - nos bastidores da maior indústria do entretenimento do mundo: a Hollywoodiana. 

"Acredito muito que a vitória para uma de nós é uma vitória para todas nós" - pág. 9

Em, "Coragem", McGowan descreve suas memórias com uma fluidez que torna a narrativa impossível de ser largada até lermos a última palavra do livro. 

Não são memórias de fácil degustação. São verdades duras jogadas em nossa cara e, se alguém ainda se ilude com os tapetes vermelhos, os mocinhos criados, moldados, praticamente esculpidos pelos filmes americanos para que sejam vendidos como verdadeiros príncipes encantados, essa leitura faz-se ainda mais necessária. 

Rose foi criada em uma seita na Itália onde pôde vivenciar, desde bem nova, a crueldade humana imersa em uma realidade de extremismos religiosos, fanatismos e, claro, todas as características do patriarcado. No entanto, desde então, ela já demonstrava traços fortes de sua personalidade e, mesmo sendo duramente punida, mantinha suas opiniões e questionamentos acerca do que acreditava e duvidava. 

Em tal seita, seu pai dormia com diferentes mulheres, tinha grande poder nas tomadas de decisões e, ainda, a prática de pedofilia era aprovada entre os adeptos. 

Entre absurdos e divergências, seus pais se separam, mudam-se para os Estados Unidos e Rose passa por um período de instabilidade: ora com um pai agressivo e opressor, ora com a mãe, e até na rua.

O caminho até os primeiros filmes é longo e árduo. Como a vida de muitas garotas, eu diria. Quando se nasce mulher, sobreviver já se torna uma tarefa habitual desde muito cedo. E Rose descobriu isso precocemente. 

Já nos estúdios hollywoodianos, a atriz percebeu que havia se libertado da antiga seita em que crescera mas, como não havia suposto até então, caíra em outra tão cruel quanto. 

Nesta, produtores, diretores e atores de renome usam de suas posições para abusarem de atrizes iniciantes, de funcionárias com baixos salários - que dependem do trabalho de alguma forma. 
Aproveitam do sonho de aspirantes à atrizes para estuprá-las: quantas vezes quiserem, como quiserem, onde quiserem. 

E, tudo isso já é feito há tanto tempo, que foi de certa forma naturalizada por todos os que estão ao redor. 



Em certa ocasião, após ser estuprada por um poderoso diretor de estúdio, Rose tenta desabafar com o ator Ben Affleck, queridinho nos anos 90, e ainda em atuação, como no filme "Garota Exemplar", por exemplo. Mas, a resposta que recebeu do "amigo" foi: "Eu falei pra ele parar com isso".

Sério, cara?

Além desses casos extremos, Rose também sofreu todo o tipo de abuso que possamos imaginar na mão de seus assessores. Afinal, uma estrela de Hollywood tem padrões a seguir: Manter-se magra, cabelo de jeito tal, cor "x"... Seu corpo não pertence mais a você. Você agora pertence à uma indústria e essa indústria vende essas mulheres para nós. Nós somos os consumidores. Nós adquirimos esses produtos e passamos a idealizá-los cada vez mais como perfeitos. Não tolerando nada que fuja desse ideal.

Mas, por qual motivo?

E se for diferente?

Depois de sua infância, dos abusos que viu na seita em que passou a infância, nas agressões de seu pai, de seus primeiros namorados - sendo um, extremamente machista e controlador -, de um relacionamento com final devastador com Marilyn Manson que a princípio parecia ser incrível e depois apenas mostrou-se mais um relacionamento abusivo para sua coleção. Onde ela deixou-se de lado e viveu a vida de outra pessoa e ainda foi humilhada publicamente no fim. Depois disso tudo, os abusos de Hollywood foram ficando cada vez mais nítidos e de fácil compreensão para Rose. Era hora de romper com o silêncio. Era hora de impedir que mais e mais mulheres passassem por tudo o que ela havia passado, ao menos com as pessoas públicas. 

E foi o que Rose fez. Falou. E falando ela deu voz a muitas outras mulheres também!

E, em seu livro, tudo isso é relatado corajosamente. 

"Coragem" é um livro que coloca o dedo na ferida, que desperta para muitas verdades veladas, que passa por cima de qualquer intenção de dúvida. "Coragem" é muita honestidade, sororidade e luta. Luta por sobrevivência. Luta por equidade. 

Que esse seja apenas o começo do fim de muitas mazelas. Que a gente aprenda, de uma vez por todas, a não se calar!

Tenho muito prazer em recomendar esse livro! Muito. 

À liberdade, sua e minha.

Agora vamos cuspir fogo.- pág. 10




E aí, já leram? Pretendem? Contem-me!!!

Beijinhos



Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!

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6 comentários:

  1. Com certeza esse é o tipo de livro que eu leria. Amei a temática e principalmente por ser auto-biográfico. É importante que as mulheres deixem sua voz ecoar, principalmente por meio de livros, que podem ser passados de geração em geração. As pessoas precisam saber o que realmente acontece em Hollywood.
    Amei sua resenha.
    Beijo, www.apenasleiteepimenta.com.br

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    Respostas
    1. Oi, Leslie!

      Obrigada pelo comentário que só veio a somar na resenha. Vamos deixar nossas vozes ecoar, e vamos ouvir tudo o que todas as outras têm a dizer e contar!!! <3

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  2. Oi, Eliza
    Tem várias pessoas comentando sobre esse livro e eu achei o tema dele muito legal, apesar de não gostar do gênero. É importante ver que nem sempre Hollywood é aquilo que aparenta, que coisas não vem de mão beijada e ver o sofrimento de Rose é exatamente isso. Praticamente uma mulher tentando sobreviver ao grande sofrimento que é o mundo. Adoraria ler a história dela!
    Beijos
    http://www.suddenlythings.com

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  3. Oi, Eliza!
    Eu não tinha lido nada sobre esse livro ainda e tô bem feliz por você ter resenhado ele. É uma leitura que parece ser bem difícil, mas muito necessária. Eu tenho certeza que ou ler!
    Beijo

    Canastra Literária

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    Respostas
    1. Que bom que você vai ler, Daniella! Ele só é difícil por compartilharmos todos esses abusos mesmo. Mas a escrita é super fluída.
      Bjo

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