21 de maio de 2018

Resenha | 2990 graus - A arte de queimar no inferno (Adilson Xavier)


2.990 Graus

Título: 2.990 graus - A Arte de queimar no inferno
Autor: Adilson Xavier
Editora: Panda Books
Número de páginas: 320

Sinopse: O jovem delegado Hermano está longe de ser um policial típico. Filosofa sobre a verdade, gosta de poesia. Inexperiente e orgulhoso por jamais ter usado sua arma, ele recebe a missão de investigar o assassinato de um deputado federal acusado de desviar verbas destinadas às vítimas de uma grande inundação. A arma do crime foi um maçarico, usado com impressionantes requintes de crueldade. Outros políticos são mortos com o mesmo ritual torturante. Um pastor evangélico, ex-presidiário, surge como suspeito. A população batiza os assassinos como “Vingadores do Povo”. Pressão total. Ódio e desinformação esquentam os ânimos. A vida de Hermano se transforma num inferno.




Olá, pessoas! Tudo bem do lado daí?

Hoje quero conversar com vocês sobre um livro que alcançou minhas expectativas. Eu sou bastante fã de romance policial, acredito que vocês já saibam, pois, já falei da minha relação com os livros da Agatha Christie aqui, que vem desde a pré-adolescência, Sidney Sheldon, outros "mestres" do gênero, assim como os mais atuais, como Raphael Montes e outros não tão conhecidos, sejam contemporâneos ou não. Então, ter a possibilidade de ler uma obra com esse tipo de conteúdo, de um autor que eu ainda não conhecia, já me deixou bem empolgada. 

Como vocês também sabem, rolou - e tá rolando - toda uma rotina nova na minha vida, por forças maiores (se você é novo por aqui, dá uma passadinha em um "resumo do mês e destaque" que eu sempre falo um pouquinho) e, por isso, este foi um daqueles livros que contei que recebi e acabei me "atropelando" na leitura, criando uma fileira imensa de livros "por ler", coisa que não gosto de fazer, mas que aconteceu e vida que segue!

O lado bom de tudo isso foi poder perceber quem entende o real sentido de parceria! Sou sempre muito grata aos meus parceiros que entenderam, e entendem, tudo o que houve. E com a Oasys Cultural, por quem conheci este livro da Panda Books, não foi diferente. Então, meu muito obrigada! 

Mas, chega de blábláblá e vamos ao que interessa!

Eu não sei vocês, mas quando eu pego um livro de um autor que ainda não conheço, a primeira coisa que faço é ir pesquisar sobre ele, além da orelha do livro. E, assim o fiz.


Este é Adilson Xavier, bem do jeito que vocês podem encontrar no site do livro. "Publicitário, escritor, roteirista e produtor audiovisual. Ganhador de centenas de prêmios publicitários nacionais e internacionais nas diversas agências em que trabalhou, é atualmente CEO da Zola Filmes, onde cria e produz seriados e filmes para a televisão, internet e cinema."

Também pude encontrar as redes sociais dele: 




Em 2.990 graus, nós vamos acompanhar o delegado Hermano que, apesar de jovem e inexperiente no ramo, passa - muitas vezes - uma postura de veterano. Hermano foge aos esteriótipos atribuídos a delegados que costumamos ver em livros e filmes. Fala bem pouco, mas deixa claro o quanto pensa: pensa muito. Tem certa obsessão pela "verdade", e isto o leva a filosofar internamente, a desviar de outros pensamentos, e até de sair de seu silêncio habitual e proferir palavras através de uma fala pouco projetada. 

O fato de Hermano falar pouco nada tem a ver com falta de assunto ou algo parecido. Pelo contrário, o delegado tem tanto conteúdo que absorveu de suas inúmeras leituras, que é exatamente por isso que muitas vezes não aparenta ser o jovem inexperiente que é. Muito maduro e erudito, Hermano ainda carrega consigo um orgulho grandioso por nunca ter usado sua arma. 

"Em vez de chumbo, disparo pensamentos", filosofa.


O passado desse jovem delegado não é tão ilibado assim. Já esteve em uma clínica de recuperação para viciados. E foi lá que conheceu Alice, sua atual namorada, que faz aulas de pintura com um ex-namorado. Algo que deixa Hermano bastante enciumado, mas nada o impede de ter uma amante, inclusive, colega de trabalho.

Hermano é um personagem que se apresenta de forma ambígua, deixando o leitor numa linha entre a simpatia e antipatia. Não sei se é possível alguém amar esse protagonista, mas também não chega a ser alguém que se odeie. E tudo bem!!! Isso apenas deixa toda a trama mais interessante, o personagem bem humanizado e longe de ser feito um "super-herói", que veste a capa da perfeição e vai salvar o país. Não!!! Hermano é um personagem que se aproxima muito da realidade e isso só contribui para que sejamos sugados para dentro dessa história que, apesar de ser uma ficção, esbarra muito na vida real.

Estamos tratando de um romance policial, não se apaixonar por um personagem não interfere, de forma alguma, na história. Na verdade, o que a gente quer aqui é competir com ele, fala a verdade!? Queremos desvendar tudo o que tiver que desvendar junto dele, antes dele e por aí vai! É nessa empolgação que lemos. 

Mas coloca muitas aspas nesse "queremos" aí. A gente lê com esse impulso mas, no fundo, se a gente descobre tudo antes, a gente acha é fraco, não é mesmo? hahaha. E, por isso eu reafirmo, 2.990 graus alcançou todas minhas expectativas. Além de trazer nuances que eu não estava esperando, amarrar a trama de uma forma que eu não supunha que fosse acontecer, ainda me surpreendeu. E em VÁRIOS pontos! 

Na trama, um deputado federal chamado Marcílio Tavares, envolvido em um escândalo de corrupção de desvio de verba que deveria ser destinada à vítimas de uma enchente que ocorreu na região serrana do Rio de Janeiro, foi encontrado morto por sua faxineira. 

A cena era digna de um filme de terror: o deputado estava amarrado suspenso no ar, desnudo, de braços e pernas abertos (num "x de homem vitruviano, de Da Vinci). E com o ânus chamuscado com um maçarico dentro, e mais detalhes que vocês precisam ler para saber tudo. Tenso!

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Homem Vitruviano - Leonardo Da Vinci

Pela primeira vez em sua carreira, Hermano enfrentaria um caso de nível tão brutal!

O título do livro está super relacionado com a arma e a forma com que o deputado foi morto. E eu achei isso muito inteligente! Não pensaria num título melhor. (Leiam!!!)

Apesar de iniciadas as investigações por Hermano e sua equipe para descobrir o autor deste crime, outros políticos corruptos por todo o país começam a ser assassinados também e, para 'aquecer' (desculpe, não me aguentei sem inserir uma palavrinha no contexto =X) ainda mais tudo isso, a população começa a apoiar quem está por trás desses assassinatos, atribuindo a ele(s) o nome de "Vingadores do Povo".

Tal reação das pessoas, nada mais é do que o descontentamento com o descaso dos políticos. Quando seus assassinatos começam a acontecer, eles sentem-se compensados, vingados.
Foi instantânea a correlação com nosso momento atual. Traçar um paralelo com nossa sociedade é inevitável. Com os rumos que a política toma e nos leva a viver, com o fogo que arde dentro de nós, "que queima por dentro", o inferno de cada um, ou de todos nós.

É um livro de narrativa envolvente, daqueles que a gente começa e não quer mais largar. Com personagens bem construídos, até mesmo os secundários. Um trabalho gráfico exemplar. Como podem ver, por toda a capa e contra-capa temos a impressão de papel queimado, casando perfeitamente com todo o restante.

Tudo se amarra no livro e isso é impecável. E, o que achei mais interessante: não é um livro que termina quando se tem os desfechos pretendidos. Mesmo após a última página, ficam reflexões. Principalmente acerca de valores morais, de certo ou errado, de bom ou mau.

Foi uma leitura bem prazerosa, com índice de horror na medida certa, original, atual e que eu recomendo a quem curte o gênero e/ou tem interesse em experimentar!






Um beijo para vocês e espero vê-los no próximo post!



Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!




14 de maio de 2018

Resenha | O Sol na Cabeça (Geovani Martins)


O sol na cabeça






Título: O Sol na Cabeça
Autor: Geovani Martins
Editora: Companhia das Letras
Número de páginas: 122

Sinopse: Em O sol na cabeça, Geovani Martins narra a infância e a adolescência de garotos para quem às angústias e dificuldades inerentes à idade soma-se a violência de crescer no lado menos favorecido da “Cidade partida”, o Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XXI.
Em “Rolézim”, uma turma de adolescentes vai à praia no verão de 2015, quando a PM fluminense, em nome do combate aos arrastões, fazia marcação cerrada aos meninos de favela que pretendessem chegar às areias da Zona Sul. Em “A história do Periquito e do Macaco”, assistimos às mudanças ocorridas na Rocinha após a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Situado em 2013, quando a maioria da classe média carioca ainda via a iniciativa do secretário de segurança José Beltrame como a panaceia contra todos os males, o conto mostra que, para a população sob o controle da polícia, o segundo “P” da sigla não era exatamente uma realidade. Em “Estação Padre Miguel”, cinco amigos se veem sob a mira dos fuzis dos traficantes locais.
Nesses e nos outros contos, chama a atenção a capacidade narrativa do escritor, pintando com cores vivas personagens e ambientes sem nunca perder o suspense e o foco na ação. Na literatura brasileira contemporânea, que tantas vezes negligencia a trama em favor de supostas experimentações formais, O sol na cabeça surge como uma mais que bem-vinda novidade.


7 de maio de 2018

Maratona #MFPL!!!

Oi, Leitores!!!

Como estão???

Hoje eu chego trazendo uma novidade em dose dupla!!!

O Aquela Epifania se juntou com o queridíssimo Três Leitoras para realizar uma Maratona Literária e, de quebra, sorteios super incríveis para vocês. 

O objetivo principal é abrir mão de qualquer preconceito literário e se jogar nas leituras. Vem ver o que a gente preparou e entender tudo isso!



Maratona Fora Preconceito Literário - #MFPL


Sobre a Maratona:

Não é novidade para ninguém que muitas pessoas têm preconceito com diversos gêneros literários. Algumas vezes, sem nunca nem mesmo terem lido! Seja por medo, ou por achar que lendo 'isto ou aquilo' parecerão menos inteligentes... Não importa o motivo, o preconceito literário existe e no mês de abril ele esteve em pauta em muitas páginas e blogs. 

Por acreditar que todo livro é importante e tem o seu espaço na vida do leitor é que nasce esta Maratona. #MFPL

Dava para fazer uma lista com os “excluídos” e “mal vistos”. Mas, como a ideia é uma maratona de apenas 20 dias, escolhemos 4 gêneros que, geralmente, reinam entre aqueles que segregam as leituras em “boas” e “não tão boas assim”...

São eles:

1 – YA (Jovem Adulto) – Acha que já passou da idade de ler um YA? Vem descobrir que mundo incrível tem aqui!!!

2 – AUTOAJUDA – “Todo livro ajuda” Georgakopoulos, Frini.
Todo. Mas, no caso aqui, vamos desengavetar aquele categorizado como “autoajuda” mesmo e que você passa longe sem nem saber do conteúdo.

3 – POESIA – Rupi Kaur, Amanda Lovelace e outras estão aí revolucionando a poesia com muita maestria. Mas isso não quer dizer que todo o restante é ruim. Ou, que elas não fazem “poesia de verdade”. Bora ler poesia!

4 – NACIONAIS (clássicos e contemporâneos) – Bora parar com esse discurso de que os clássicos são chatos e superestimados? Ou, que os contemporâneos são vazios e nunca chegarão aos pés dos estrangeiros?

Quando acontecerá a Maratona?

Do dia 14 de maio até 02 de junho

Para participar:
  • Marcar a hashtag: #MFPL nas resenhas, fotos, atualizações de leitura, twitter, ou qualquer post que fizer referente à maratona nas redes sociais
  • Preencher o formulário anexado na Bio do Ig e aqui
  • Monte sua TBR como você PREFERIR. Com um livro de cada gênero, 4 livros de um dos gêneros, 1 livro de um dos gêneros... Não importa. O importante é você escolher aquele(s) gênero(s) que você sempre acaba deixando de lado por algum motivo. Vamos passar por cima de nossos próprios preconceitos. OU, vamos ler aquele gênero que AMAMOS e que as pessoas costumam menosprezar e citar como "menos importante". Vamos contribuir mostrando o quanto eles são bacanas e significativos! Você quem escolhe! Vem com a gente!!!
  • Lá no início, falamos de sorteio né? Então fiquem de olho no Instagram dos blogs que em breve vamos contar a vocês como ele acontecerá... 
Observação:
  • Criamos um grupo no Facebook para que os participantes da maratona possam interagir, divulgar suas redes, compartilhar sua jornada, fazer novas amizades e, claro, incentivar o colega a avançar naquela leitura que ele acha que não vai rolar... Fora preconceito!!! Para participar, basta solicitar a entrada neste link aqui!
  • Mantenha seu perfil do Instagram sempre aberto para que possamos checar as fotos do andamento da Maratona, dar like, interagirmos...
  
VEM PRA MARATONA #MFPL!

Aguardamos vocês!!! Inscrevem-se já!!! 


Liza AlvernazEliza Alvernaz |  Twitter - Skoob |  Todos os posts do autor
Pedagoga, especialista em Supervisão Escolar e Gestão de Ensino. Leitora compulsiva, libriana desastrada, apaixonada por filmes e séries, viciada em internet e corujas. Mora no interior do Rio de Janeiro, mas não desiste de ganhar e mudar o mundo!



3 de maio de 2018

Resumo e destaques do mês de abril

Hey, gente! Tudo bem do lado daí?

Por aqui o mês de abril foi meio tenso. Pois é, posso dizer que tenho vivido em uma montanha-russa de sentimentos. Vezes apareço aqui dizendo que estou bem, que as coisas estão melhorando, vezes as coisas estão tensas. 

Chegamos à uma etapa  delicada do tratamento do marido. Terminaram as sessões de quimio e radioterapia. E estamos há duas semanas aguardando, em um intervalo, até que amanhã ele terá uma consulta onde saberemos o resultado de tudo o que foi feito e o que teremos que fazer agora em diante. 

É claro que não foi um mês fácil. Pararelo a isso, tem também a minha condição de saúde: física e emocional. 

Sigo em tratamento neurológico, agora com uma pequena complicação (porque as coisas não podem acontecer uma de cada vez). Porém, emocionalmente mais segura. O que é um avanço enorme para mim. 

A vida não é só flores e sorrisos. Mas a gente encontra tempo para manter a mente sã, fazendo aquilo que mais nos desestressa, distrai, diverte... Não se iludam com redes sociais que só mostram felicidade. A felicidade existe, claro, mas ela ninguém é feliz 24 horas por dia. E, se você mira nisso, acaba se frustrando com sua própria realidade.

Todo mundo tem problema, todo mundo fica doente, todo mundo se estressa, todo mundo chora, cai... Assim é a vida! 

E tudo bem! Sigamos. Bora levantar e seguir. 

Vamos ver o que rolou de bom por aqui em abril?
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